Em sua passagem por São José do Rio Preto nesta terça-feira (28), o candidato à Presidência da República pelo Partido Novo, Romeu Zema, elevou o tom das críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu a revisão das condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023 e apresentou propostas voltadas à desburocratização da economia durante entrevista concedida antes de participar de um encontro promovido pelo LIDE Noroeste Paulista.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de conceder indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro caso seja eleito, Zema evitou responder objetivamente. Em vez disso, afirmou que considera inadequadas as condenações impostas a parte dos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes e defendeu uma nova análise dos processos.
Segundo ele, as penas aplicadas não guardam proporcionalidade com os fatos apurados.
“Pelo menos que haja um novo julgamento isento, um julgamento feito pela Justiça, e não por políticos”, afirmou.
A declaração coloca o candidato em sintonia com uma das principais bandeiras defendidas por setores da direita, mas sem assumir o compromisso explícito de conceder perdão presidencial ao ex-presidente Bolsonaro.
Críticas ao Supremo
Durante a entrevista, Zema voltou a direcionar críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que parte da Corte estaria acima da lei.
Sem apresentar provas sobre as acusações mencionadas, o presidenciável criticou supostos privilégios e afirmou que o Estado brasileiro teria sido capturado por grupos que chamou de “intocáveis”.
“O Brasil não é um país fracassado. O Brasil é um país roubado”, declarou.
Economia foi o foco do discurso
Diante de uma plateia formada majoritariamente por empresários, Zema concentrou boa parte de sua fala na economia.
O ex-governador de Minas Gerais afirmou que o país enfrenta um processo de deterioração fiscal e alertou para o crescimento da dívida pública.
Na avaliação do candidato, o atual governo estimula o aumento dos gastos públicos e cria um ambiente hostil para quem produz.
“O Brasil está caminhando para aquilo que os economistas chamam de precipício fiscal”, disse.
Segundo Zema, o equilíbrio das contas públicas deve ser prioridade de qualquer governo.
Defesa do setor produtivo
O presidenciável também procurou aproximar seu discurso do empresariado.
Ao relembrar sua gestão em Minas Gerais, afirmou que manteve diálogo permanente com representantes da indústria, do comércio e do agronegócio, defendendo previsibilidade para investimentos.
Na avaliação do candidato, empresários brasileiros enfrentam um ambiente excessivamente burocrático e competitivo em desvantagem em relação a outros países.
Para ilustrar sua crítica, comparou o empreendedor nacional a alguém que disputa uma corrida usando “uma butina de três quilos”, enquanto concorrentes internacionais estariam “calçando tênis de cem gramas”.
Proposta para relações de trabalho
Entre as propostas apresentadas, Zema voltou a defender mudanças na legislação trabalhista.
O candidato propõe que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) deixe de ser o único modelo de contratação, permitindo que empregados possam optar por contratos com remuneração por hora trabalhada.
Segundo ele, o objetivo seria ampliar a liberdade de negociação entre empregadores e trabalhadores, aproximando o modelo brasileiro daquele adotado em países desenvolvidos.
Experiência administrativa
Ao destacar sua trajetória política, Zema afirmou que governou Minas Gerais durante sete anos e meio sem escândalos de corrupção e sem nomear familiares para cargos públicos.
Também ressaltou resultados econômicos obtidos durante sua gestão, apresentando a experiência administrativa como principal ativo de sua campanha presidencial.
Disputa eleitoral
A visita a Rio Preto faz parte da estratégia do candidato do Novo para ampliar sua presença em polos econômicos do interior brasileiro e consolidar apoio entre empresários e eleitores de perfil liberal.
Ao participar do encontro do LIDE Noroeste Paulista, Zema buscou reforçar sua imagem de gestor com experiência na iniciativa privada e defensor de um Estado mais enxuto, em um momento em que tenta ampliar sua competitividade na corrida pelo Palácio do Planalto.
