VEJA VÍDEO – GAECO e Polícia Federal miram esquema bilionário de lavagem do jogo do bicho

Rodrigo Lima
Operação Conexão cumpre nove mandados de prisão e bloqueia até R$ 2 bilhões em bens e ativos; investigação aponta uso da construção civil para dar aparência lícita ao dinheiro movimentado pela contravenção no Rio de Janeiro/imagem – reprodução

Uma investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Federal colocou São José do Rio Preto no centro de um suposto esquema nacional de lavagem de dinheiro ligado à exploração do jogo do bicho e de máquinas de vídeo bingo no Estado do Rio de Janeiro.

Na manhã desta quarta-feira (29), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e a Polícia Federal deflagraram a Operação Conexão, destinada ao cumprimento de nove mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão em São José do Rio Preto, Guapimirim (RJ), Rio de Janeiro (RJ) e Campo Grande (MS).

As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Criminal de São José do Rio Preto.

Segundo a investigação, o grupo criminoso teria estruturado um sofisticado sistema financeiro para ocultar recursos provenientes da exploração ilegal de jogos no Rio de Janeiro, utilizando empresas de fachada, operações com máquinas de pagamento por cartão e sucessivos saques em dinheiro vivo para dificultar o rastreamento dos valores.

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R$ 2 bilhões sob investigação

As movimentações financeiras analisadas pelos investigadores impressionam pelo volume.

Entre janeiro de 2019 e março de 2026, as contas bancárias monitoradas registraram aproximadamente R$ 2 bilhões em créditos e débitos.

Desse total, ao menos R$ 100 milhões teriam sido retirados em espécie por meio de saques fracionados, técnica frequentemente utilizada para evitar mecanismos de controle e comunicação obrigatória ao sistema financeiro.

Para o Ministério Público, os recursos obtidos com a exploração do jogo ilegal eram posteriormente direcionados para operações destinadas a conferir aparência de legalidade ao patrimônio da organização.

Construção civil em Rio Preto

De acordo com o GAECO, São José do Rio Preto desempenhava um papel estratégico dentro da estrutura investigada.

A apuração aponta que o dinheiro arrecadado no Rio de Janeiro era integrado ao sistema econômico formal por meio de investimentos e operações no setor da construção civil instalado na cidade paulista.

Foi justamente essa ligação entre a origem dos recursos e sua suposta “legalização” que inspirou o nome da operação.

Batizada de Conexão, a ação faz referência à ponte financeira estabelecida entre a arrecadação do jogo no Rio de Janeiro e a ocultação patrimonial realizada em São José do Rio Preto.

Além das prisões e das buscas, a Justiça autorizou uma série de medidas patrimoniais para impedir a dissipação dos bens supostamente vinculados ao esquema.

As determinações atingem 18 pessoas físicas e jurídicas e incluem:

bloqueio de contas bancárias;
sequestro de bens;
indisponibilidade de criptoativos;
restrição sobre veículos;
constrição patrimonial até o limite aproximado de R$ 2 bilhões.

As medidas têm como objetivo assegurar eventual ressarcimento ao Estado e impedir a continuidade das movimentações financeiras investigadas.

Crimes investigados

Os investigados poderão responder, conforme o avanço das apurações, pelos crimes de lavagem de capitais, previstos na Lei nº 9.613/1998, e organização criminosa, tipificada pela Lei nº 12.850/2013.

Segundo o Ministério Público, a investigação ainda prossegue para identificar outros envolvidos, rastrear a origem dos recursos e mapear toda a estrutura financeira utilizada pelo grupo.

Operação mobilizou força-tarefa

O cumprimento dos mandados mobilizou uma ampla operação conjunta envolvendo 88 policiais federais e quatro promotores de Justiça, reforçando a integração entre o Ministério Público e a Polícia Federal no combate às organizações criminosas voltadas à lavagem de dinheiro.

A expectativa dos investigadores é que a análise do material apreendido durante as buscas permita aprofundar o rastreamento do fluxo financeiro e revelar novos integrantes da organização, considerada uma das mais estruturadas já investigadas com ramificações entre o Rio de Janeiro e o interior paulista.

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