VEJA VÍDEO – Polícia confirma homicídio de mulher esquartejada em Rio Preto

Rodrigo Lima

Identificação da vítima tornou-se prioridade da DEIC; corpo foi dividido em partes, embalado em sacos plásticos e abandonado em duas lixeiras no Parque Estoril. Polícia investiga homicídio, ocultação de cadáver e não descarta outras motivações.

A investigação sobre o corpo esquartejado encontrado em duas lixeiras no Parque Estoril, na zona sul de São José do Rio Preto, entrou em uma nova fase. Após a realização da necrópsia, a Polícia Civil confirmou que os restos mortais pertencem a uma mulher de aproximadamente 30 a 35 anos, de pele branca, morta há cerca de 72 horas antes da localização do cadáver.

As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (28) pelo delegado André Amorim, da Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC), responsável pelo caso.

Segundo o delegado, os primeiros exames apontam que a vítima apresentava perfurações no tórax provocadas por instrumento perfurocortante, possivelmente uma faca. Embora o laudo pericial definitivo ainda não tenha sido concluído, os indícios reforçam a hipótese de homicídio.

“São informações preliminares, ainda dependentes da conclusão dos laudos, mas que estão norteando todo o trabalho investigativo”, afirmou.

Corpo foi desmembrado antes de ser descartado

A investigação confirmou que o corpo foi dividido em várias partes antes de ser abandonado.

Foram encontrados segmentos dos membros inferiores, um braço, tronco e cabeça. Posteriormente, durante novas buscas, os policiais localizaram também os dois fêmures, ampliando o material recolhido para perícia.

Mesmo assim, a Polícia Civil acredita que ainda possam existir partes do corpo desaparecidas e mantém equipes realizando diligências para localizá-las.

Os restos mortais estavam acondicionados em sacos plásticos, alguns utilizando dupla embalagem, e distribuídos em duas lixeiras, instaladas em lados opostos de um estabelecimento comercial na Rua Aeropago de Itambé, no bairro São Francisco, região do Parque Estoril.

Para os investigadores, a forma de acondicionamento indica que houve tempo e preparação para ocultar o cadáver antes do descarte.

Ao contrário de hipóteses inicialmente levantadas, a perícia constatou que os órgãos internos permaneciam na caixa torácica e na cavidade abdominal.

Segundo André Amorim, não houve retirada das vísceras. O desmembramento ocorreu por segmentos corporais, mantendo os órgãos no interior do tronco.

Identificação é prioridade

A principal linha de investigação, neste momento, é descobrir quem era a vítima.

A DEIC iniciou um cruzamento entre as características físicas da mulher e os registros de desaparecimento de mulheres em Rio Preto e cidades da região.

Parte dessas ocorrências já foi descartada, mas outras continuam sob análise.

“Identificar essa mulher é o caminho mais importante para que possamos avançar na autoria e na motivação do crime”, afirmou o delegado.

Câmeras já estão sendo analisadas

Investigadores também trabalham na análise das imagens captadas por câmeras de monitoramento instaladas nas proximidades do local onde os sacos foram encontrados.

O objetivo é identificar veículos ou pessoas que possam ter transportado os restos mortais até as lixeiras.

Segundo Amorim, as imagens já foram obtidas e passam por análise detalhada da equipe da DEIC.

Apesar das circunstâncias do crime, a Polícia Civil ainda evita classificar oficialmente o caso como feminicídio.

Questionado sobre essa possibilidade, o delegado afirmou que nenhuma hipótese foi descartada.

Também permanecem em análise informações sobre uma eventual ligação do crime com organizações criminosas ou outro tipo de execução.

Segundo ele, algumas linhas investigativas apresentam maior consistência do que outras, mas todas continuam sendo verificadas.

BO registra homicídio e vítima sem identificação

O Boletim de Ocorrência, registrado no Plantão da Polícia Civil de São José do Rio Preto, tipifica inicialmente o caso como homicídio (artigo 121 do Código Penal).

O documento informa que a ocorrência foi registrada às 10h30 de domingo (27), após um funcionário de um estabelecimento comercial encontrar diversos sacos plásticos contendo partes de um corpo humano e acionar a Polícia Militar.

A perícia técnica, a funerária responsável pela remoção e a autoridade policial compareceram ao local para os primeiros levantamentos.

O registro oficial também confirma que a vítima permanecia sem identificação até o encerramento do boletim, motivo pelo qual foi solicitada a realização de exames necroscópicos e de identificação pelo Instituto Médico Legal (IML).

Além da identificação da vítima, a DEIC mantém buscas por eventuais partes do corpo ainda desaparecidas, amplia a análise das imagens de monitoramento e trabalha para reconstruir os últimos dias da mulher antes do assassinato.

A Polícia Civil trata o caso, por enquanto, como homicídio e ocultação de cadáver, sem descartar a inclusão de outras qualificadoras à medida que novas provas forem produzidas.

A brutalidade do crime, o esquartejamento e a forma como os restos mortais foram distribuídos em duas lixeiras transformaram o caso em uma das investigações mais complexas conduzidas pela Polícia Civil em São José do Rio Preto neste ano.

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