Em sua primeira agenda no interior paulista após ter a candidatura à Presidência da República oficializada pelo Partido Novo, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, escolheu um tom de forte enfrentamento ao governo federal. Em entrevista coletiva concedida na chegada a São José do Rio Preto, o presidenciável afirmou que uma eventual continuidade do PT no comando do país representaria “o desastre, o fim do Brasil, o caos completo”.
A declaração sintetizou o eixo político da passagem de Zema pela cidade, onde participou de compromissos com empresários e lideranças regionais. Ao longo da entrevista, o candidato procurou associar sua experiência administrativa em Minas Gerais a um discurso de austeridade fiscal, segurança pública e combate à corrupção.
Questionado sobre o avanço da criminalidade para cidades do interior, em referência ao caso do corpo esquartejado encontrado em São José do Rio Preto, Zema classificou a violência como consequência de um sistema que, segundo ele, impõe baixo custo ao crime.
O presidenciável afirmou que pretende ampliar o encarceramento de integrantes de organizações criminosas e defendeu uma política inspirada em El Salvador, país que visitou no ano passado para conhecer as medidas adotadas pelo presidente Nayib Bukele.
Segundo Zema, facções criminosas deveriam receber tratamento semelhante ao destinado a organizações terroristas, com penas mais severas e maior tempo de prisão.
“O Brasil passou a normalizar um número inaceitável de homicídios”, afirmou, ao defender a construção de novos presídios e uma política criminal mais rigorosa.
Perguntado sobre como pretende chegar ao segundo turno diante do atual cenário eleitoral, Zema recorreu à própria trajetória política.
Lembrou que iniciou a campanha ao governo de Minas Gerais, em 2018, fora do grupo de favoritos e afirmou que cresceu quando passou a participar dos debates televisivos.
Segundo ele, a campanha presidencial seguirá a mesma estratégia: intensificar viagens pelo país até que o eleitor conheça suas propostas.
Durante a entrevista, o candidato também destacou resultados obtidos em Minas Gerais, afirmando que deixou um estado que passou a atrair investimentos, gerar empregos e operar sem escândalos de corrupção durante sua gestão.
Vice ainda indefinido
Embora o Partido Novo tenha oficializado sua candidatura nesta semana, Zema afirmou que o nome para compor a chapa ainda está em negociação.
Segundo ele, existem conversas tanto com integrantes da própria legenda quanto com representantes de outros partidos, mas a definição deverá ocorrer nos próximos dias, dentro do prazo eleitoral.
Na área econômica, o ex-governador voltou a defender mudanças automáticas na Previdência Social.
Sem estabelecer uma idade mínima específica, afirmou que o sistema deve acompanhar a evolução da expectativa de vida medida pelo IBGE, tornando os ajustes previdenciários permanentes e vinculados aos indicadores demográficos.
Questionado sobre episódios recentes envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal, Zema criticou condutas que, segundo ele, comprometem a imagem das instituições públicas.
Também comentou críticas feitas pelo presidente argentino às autoridades brasileiras, afirmando que as manifestações poderiam ter sido feitas por canais diplomáticos, mas avaliou que havia fundamentos para questionamentos sobre episódios envolvendo integrantes do Judiciário.
Ataque ao PT
O momento mais incisivo da coletiva ocorreu quando Zema foi perguntado pelo Diário do Rodrigo Lima (DRL) sobre o que representaria um novo mandato do PT na Presidência.
O candidato respondeu que seria “o desastre, o fim do Brasil, o caos completo” e afirmou que, em sua avaliação, o país enfrenta aumento da criminalidade, dificuldades econômicas e perda de competitividade.
Também criticou declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre segurança pública, sustentando que o atual governo adota uma postura permissiva em relação ao crime.
As declarações reforçam a estratégia política adotada pelo candidato do Novo de polarizar o debate com o PT enquanto busca consolidar seu espaço entre os eleitores de centro-direita e direita na corrida presidencial de 2026.
