PODCAST – Em Rio Preto, diretor do Sebrae diz que 62% das empresas fecham antes de 5 anos e cobra preparo

Rodrigo Lima

No palco de um encontro de prefeitos em São José do Rio Preto, o diretor técnico do Sebrae-SP, Marco Vinholi, levou um aviso e uma promessa. O aviso: 2026 chega como um “ano complexo”, com a reforma tributária entrando em vigor e incertezas se espalhando entre empresas e administrações municipais. A promessa: o Sebrae pretende ampliar parcerias com os municípios e “pegar na mão” de quem empreende, especialmente no interior do Estado.

A avaliação foi detalhada em entrevista ao podcast Diário do Rodrigo Lima, que Vinholi classificou como referência regional em informação. Segundo ele, a estratégia do Sebrae não está centrada em estimular a abertura indiscriminada de empresas, mas em aumentar a taxa de sobrevivência dos negócios já existentes.

O argumento central veio acompanhado de um dado de impacto: 62% das empresas fecham antes de completar cinco anos. Para Vinholi, o índice está diretamente ligado à falta de preparo em gestão. “Não basta saber fazer bem o produto. Mais importante é entender fluxo de caixa, concorrência, imposto, saber exatamente onde se está entrando”, afirmou.

Durante a apresentação aos prefeitos, o dirigente apresentou um conjunto de frentes de atuação do Sebrae, que inclui ensino de empreendedorismo nas escolas, qualificação do comércio para vendas on-line, apoio a agroindústrias e programas voltados à transição digital. Entre os destaques, citou o uso de inteligência artificial no varejo, tendência observada por ele em feiras internacionais do setor, nos Estados Unidos.

“Não é caça às bruxas”

Parte da entrevista foi dedicada a um obstáculo recorrente entre pequenos empresários: o receio de procurar o Sebrae por medo de fiscalização. Vinholi foi direto ao rebater a percepção. Segundo ele, o Sebrae não atua como órgão fiscalizador e, nos casos de informalidade, a orientação é de apoio à formalização — não de punição.

Ele também buscou esclarecer dúvidas sobre custos. Por integrar o Sistema S, o Sebrae opera com recursos de contribuições empresariais e oferece a maior parte de seus serviços de forma gratuita para micro e pequenos empreendedores. Produtos pagos, explicou, são voltados principalmente a empresas de maior porte.

Região metropolitana “incompleta”

A entrevista avançou ainda para a escala regional. Vinholi afirmou ter participado da formulação técnica do projeto que criou a Região Metropolitana de São José do Rio Preto, composta por 37 municípios, mas avaliou que o modelo permanece incompleto sem instrumentos efetivos de governança.

Na comparação, citou as regiões de Campinas e da Baixada Santista, que contam com agência técnica própria e fundo metropolitano para financiar projetos de alcance regional, como hospitais e obras de infraestrutura. Para ele, sem planejamento de médio e longo prazo e sem mecanismos de investimento compartilhado, a região existe “por direito”, mas carece de ferramentas para acelerar o desenvolvimento.

O recado para 2026

Na síntese, Vinholi classificou 2026 como um ano de transição, que exigirá qualificação tanto de servidores públicos quanto de empresários, para reduzir ruídos na implementação das novas regras tributárias e evitar impactos adicionais sobre negócios já fragilizados.

A aposta do Sebrae, afirmou, é transformar o apoio ao empreendedorismo em política pública permanente, desde a formação nas escolas até o suporte técnico a empresas que já geram empregos. “Mais de 70% dos empregos do país vêm das pequenas empresas”, disse. “O protagonismo social passa por quem empreende no bairro, no comércio e na prestação de serviços.”

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