Rio Preto abre quase 12 mil empresas em um ano e impulsiona corrida por salas comerciais

Rodrigo Lima
Crescimento do empreendedorismo aquece mercado corporativo, eleva aluguéis e estimula novos investimentos imobiliários na cidade; Soho Business recém-lançado em Rio Preto/imagem – reprodução

O ritmo acelerado de abertura de empresas em São José do Rio Preto começa a redesenhar não apenas a economia local, mas também a paisagem urbana da cidade. Em meio à expansão do setor de serviços e ao avanço do empreendedorismo, cresce a procura por espaços corporativos, movimentando um segmento do mercado imobiliário que voltou a ganhar fôlego nos últimos anos.

Dados da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) mostram que Rio Preto registrou a abertura de 11,7 mil empresas ao longo de 2025, um crescimento de 10% em relação ao ano anterior. O desempenho reforça a posição do município como um dos principais polos econômicos do interior paulista.

A expansão dos negócios tem reflexos diretos na demanda por escritórios, consultórios, salas comerciais e espaços empresariais. O movimento ocorre em um momento em que o mercado corporativo brasileiro também apresenta sinais de recuperação.

Levantamento do Índice FipeZAP aponta que os preços de locação de salas e conjuntos comerciais acumularam valorização de 10,23% nos últimos 12 meses, percentual superior à inflação registrada no período. O estudo mostra ainda que a rentabilidade média dos imóveis comerciais alcançou 7,35% ao ano até março de 2026, impulsionada pelo aumento gradual da ocupação e pela retomada das atividades empresariais.

Em Rio Preto, incorporadoras e investidores acompanham de perto essa tendência.

Uma das apostas do setor é o SoHo Business, empreendimento empresarial anunciado pela FAJ Empreendimentos para a região Sul da cidade, nas proximidades do Shopping Iguatemi.

O projeto prevê uma torre de 21 pavimentos com 415 salas comerciais, distribuídas em unidades a partir de 31 metros quadrados, com possibilidade de integração para ocupações maiores. A estrutura contará ainda com praça comercial, oito elevadores e quatro subsolos que somam 611 vagas de estacionamento.

Segundo Fernando Jorge, CEO do Grupo FAJ, o projeto nasceu a partir da percepção de mudanças estruturais na economia local.

“Rio Preto vive um processo de expansão muito forte, tanto em serviços quanto em empreendedorismo. Quando quase 12 mil empresas são abertas em um único ano, existe uma demanda natural por infraestrutura corporativa mais moderna, bem localizada e preparada para diferentes formatos de operação”, afirma.

De acordo com a incorporadora, o empreendimento deverá movimentar aproximadamente R$ 250 milhões em investimentos. As obras já foram iniciadas.

Crescimento que vai além dos escritórios

A movimentação observada no segmento corporativo acompanha o aquecimento mais amplo do mercado imobiliário regional.

Além do SoHo Business, a FAJ anunciou recentemente três novos empreendimentos residenciais: o Nápoles, na região Norte de Rio Preto; o Pádua, na região Sul; e o Mazocato, em Mirassol. Juntos, os projetos somam 958 unidades habitacionais.

Dados do Secovi-SP indicam que os lançamentos residenciais na faixa de R$ 230 mil a R$ 500 mil cresceram 46% em São José do Rio Preto entre 2024 e 2025. No mesmo período, as vendas avançaram 50,2%.

A demanda também aparece nas pesquisas de intenção de compra. Estudo realizado pela consultoria Brain aponta que 49% das famílias brasileiras pretendem adquirir um imóvel, o maior índice registrado nos últimos doze meses. Entre os interessados, 68% afirmam que planejam concretizar a compra nos próximos dois anos.

Para especialistas do setor, os números refletem uma combinação de fatores que inclui crescimento econômico regional, geração de empregos, expansão da renda e fortalecimento dos setores de comércio e serviços.

Cidade em transformação

Na avaliação de Fernando Jorge, o avanço simultâneo dos segmentos residencial e corporativo demonstra uma transformação mais ampla da dinâmica urbana da cidade.

“Quando estruturamos um ciclo com empreendimentos comerciais e residenciais ao mesmo tempo, estamos olhando para diferentes demandas que crescem juntas. Uma cidade que gera negócios, atrai empresas e amplia serviços também precisa acompanhar esse movimento com moradia, mobilidade e novos espaços urbanos”, afirma.

Os quatro empreendimentos anunciados pela incorporadora representam cerca de R$ 500 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV) e devem gerar aproximadamente 1,2 mil empregos diretos e 2,1 mil indiretos durante as obras.

As projeções fazem parte da estratégia de expansão da empresa, que pretende alcançar R$ 1 bilhão em VGV lançado ao longo de 2026.

Mais do que números do mercado imobiliário, os indicadores ajudam a retratar um fenômeno que vem ganhando força no interior paulista: cidades médias com forte capacidade de atração de empresas, profissionais e investimentos começam a exigir uma infraestrutura urbana cada vez mais sofisticada — e Rio Preto está entre os principais exemplos desse movimento.

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