VEJA VÍDEO – Quadrilha usava nomes de advogados e decisões falsas para aplicar golpes milionários

Rodrigo Lima

A ofensiva da Polícia Civil contra uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas levou agentes às ruas da capital, litoral, Grande São Paulo e interior paulista na manhã desta terça-feira (19), em uma operação que mira suspeitos de envolvimento no chamado “golpe do falso advogado”. Segundo os investigadores, o grupo teria movimentado cerca de R$ 10 milhões com crimes praticados contra vítimas em diferentes regiões do estado.

Batizada de “SP Advocacia Mais Segura”, a ação foi coordenada pela Delegacia Seccional de São José do Rio Preto, vinculada ao DEINTER-5, em parceria com a OAB-SP. Ao todo, a Justiça expediu 26 mandados judiciais, sendo dez de prisão temporária e quinze de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio e sequestro de bens e valores considerados produto dos golpes.

De acordo com a Polícia Civil, a organização criminosa utilizava dados de processos judiciais e informações pessoais de clientes de escritórios de advocacia para aplicar fraudes digitais. Os criminosos se passavam por advogados ou representantes jurídicos e entravam em contato com as vítimas alegando supostas liberações de valores judiciais, acordos ou encerramentos de processos.

As mensagens eram enviadas principalmente por aplicativos de conversa e acompanhadas de documentos falsificados, decisões judiciais adulteradas e logotipos que simulavam autenticidade. Em muitos casos, segundo a investigação, as vítimas eram induzidas a realizar transferências bancárias sob a justificativa de pagamento de taxas, custas processuais ou tributos inexistentes.

A operação é resultado de um trabalho conjunto de inteligência desenvolvido pelo Centro de Inteligência Policial da Polícia Civil de Rio Preto e pela Comissão Especial de Força-Tarefa da OAB-SP para Enfrentamento do Golpe do Falso Advogado, criada após o aumento expressivo de registros desse tipo de crime em diversas subseções da advocacia paulista.

A força-tarefa foi implementada oficialmente em novembro de 2025, após sucessivas reclamações de advogados e clientes que passaram a relatar o uso indevido de nomes profissionais e de informações processuais em esquemas de fraude digital.

Segundo os investigadores, a estrutura criminosa atuava de forma organizada, com divisão de tarefas entre integrantes responsáveis pela obtenção de dados, criação de documentos falsos, contatos com vítimas e movimentação financeira. A Polícia Civil também apura indícios de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

As diligências desta terça-feira ocorreram simultaneamente em diferentes cidades paulistas e contaram com apoio operacional de equipes da capital, do DECAP, da DEMACRO e do DEINTER-6.

Os materiais apreendidos serão submetidos à perícia técnica para aprofundamento das investigações e identificação de outros possíveis envolvidos. Entre os alvos estão aparelhos celulares, computadores, documentos bancários e registros digitais.

A Polícia Civil e a OAB-SP devem detalhar o funcionamento do esquema criminoso e apresentar novos dados da investigação durante coletiva de imprensa marcada para as 11h na sede da Delegacia Seccional de São José do Rio Preto.

Nos últimos meses, o golpe do falso advogado passou a ser tratado como uma das modalidades de fraude digital com crescimento mais acelerado no estado, impulsionado pelo vazamento de dados pessoais e pelo acesso facilitado a informações processuais disponíveis em plataformas públicas. Autoridades orientam que clientes de escritórios confirmem qualquer pedido financeiro diretamente com os advogados responsáveis pelos processos antes de realizar transferências bancárias.

Deixe um comentário

Isso vai fechar em 0 segundos