A ofensiva da Polícia Civil contra uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas levou agentes às ruas da capital, litoral, Grande São Paulo e interior paulista na manhã desta terça-feira (19), em uma operação que mira suspeitos de envolvimento no chamado “golpe do falso advogado”. Segundo os investigadores, o grupo teria movimentado cerca de R$ 10 milhões com crimes praticados contra vítimas em diferentes regiões do estado.
Batizada de “SP Advocacia Mais Segura”, a ação foi coordenada pela Delegacia Seccional de São José do Rio Preto, vinculada ao DEINTER-5, em parceria com a OAB-SP. Ao todo, a Justiça expediu 26 mandados judiciais, sendo dez de prisão temporária e quinze de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio e sequestro de bens e valores considerados produto dos golpes.
De acordo com a Polícia Civil, a organização criminosa utilizava dados de processos judiciais e informações pessoais de clientes de escritórios de advocacia para aplicar fraudes digitais. Os criminosos se passavam por advogados ou representantes jurídicos e entravam em contato com as vítimas alegando supostas liberações de valores judiciais, acordos ou encerramentos de processos.
As mensagens eram enviadas principalmente por aplicativos de conversa e acompanhadas de documentos falsificados, decisões judiciais adulteradas e logotipos que simulavam autenticidade. Em muitos casos, segundo a investigação, as vítimas eram induzidas a realizar transferências bancárias sob a justificativa de pagamento de taxas, custas processuais ou tributos inexistentes.
A operação é resultado de um trabalho conjunto de inteligência desenvolvido pelo Centro de Inteligência Policial da Polícia Civil de Rio Preto e pela Comissão Especial de Força-Tarefa da OAB-SP para Enfrentamento do Golpe do Falso Advogado, criada após o aumento expressivo de registros desse tipo de crime em diversas subseções da advocacia paulista.
A força-tarefa foi implementada oficialmente em novembro de 2025, após sucessivas reclamações de advogados e clientes que passaram a relatar o uso indevido de nomes profissionais e de informações processuais em esquemas de fraude digital.
Segundo os investigadores, a estrutura criminosa atuava de forma organizada, com divisão de tarefas entre integrantes responsáveis pela obtenção de dados, criação de documentos falsos, contatos com vítimas e movimentação financeira. A Polícia Civil também apura indícios de lavagem de dinheiro e associação criminosa.
As diligências desta terça-feira ocorreram simultaneamente em diferentes cidades paulistas e contaram com apoio operacional de equipes da capital, do DECAP, da DEMACRO e do DEINTER-6.
Os materiais apreendidos serão submetidos à perícia técnica para aprofundamento das investigações e identificação de outros possíveis envolvidos. Entre os alvos estão aparelhos celulares, computadores, documentos bancários e registros digitais.
A Polícia Civil e a OAB-SP devem detalhar o funcionamento do esquema criminoso e apresentar novos dados da investigação durante coletiva de imprensa marcada para as 11h na sede da Delegacia Seccional de São José do Rio Preto.
Nos últimos meses, o golpe do falso advogado passou a ser tratado como uma das modalidades de fraude digital com crescimento mais acelerado no estado, impulsionado pelo vazamento de dados pessoais e pelo acesso facilitado a informações processuais disponíveis em plataformas públicas. Autoridades orientam que clientes de escritórios confirmem qualquer pedido financeiro diretamente com os advogados responsáveis pelos processos antes de realizar transferências bancárias.
