VEJA VÍDEO – PRF apreende 420 ampolas de remédio para emagrecer na BR-153

Rodrigo Lima

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu, na manhã desta quinta-feira (15), 420 ampolas de tirzepatida – princípio ativo usado em medicamentos para emagrecimento – durante fiscalização na BR-153, em São José do Rio Preto (SP). Avaliada em cerca de R$ 200 mil, a carga estava sem documentação fiscal e sem autorização da Anvisa para importação e transporte.

A abordagem ocorreu durante patrulhamento de combate ao crime realizado por equipe tática da PRF. O veículo, um Fiat Mobi, era conduzido por uma mulher de 47 anos, que viajava com a filha, de 15. Segundo a corporação, a motorista demonstrou nervosismo desde o início da abordagem e apresentou dificuldades para explicar a viagem. À equipe, informou que vinha da região de fronteira – mencionando o Paraguai – e seguia para Goiânia (GO).

Em vistoria mais minuciosa, os policiais identificaram alterações no banco traseiro do carro. Entre a espuma e a estrutura do assento, havia grande volume de frascos do medicamento, acondicionados sem qualquer cuidado técnico. “Esse tipo de produto exige condições específicas de transporte. A própria embalagem indica armazenamento entre 2 e 8 graus, o que claramente não foi respeitado”, afirmou Daniel Matarazzi Filho, chefe da PRF em São José do Rio Preto, em entrevista ao Diário do Rodrigo Lima.

De acordo com Matarazzi, cada ampola pode render até duas aplicações, o que elevaria o total potencial a cerca de 840 doses. “Além da ilegalidade, há um risco concreto à saúde. Medicamentos transportados sem controle de temperatura, expostos à luz ou ao calor, podem ter o princípio ativo alterado e causar danos graves a quem utiliza”, disse.

O chefe da PRF destacou ainda que a tirzepatida está listada em portaria da Anvisa como produto de importação proibida quando trazida por pessoa física, mesmo para uso próprio. “Algumas canetas emagrecedoras só podem ser importadas por empresas legalmente constituídas e com autorização expressa. Pessoa física não pode trazer nenhuma unidade, seja para uso pessoal, seja para revenda”, afirmou.

Questionada, a condutora declarou que receberia R$ 3 mil para transportar a mercadoria até a capital goiana. Ela não esclareceu se o material seria utilizado por ela própria ou destinado à revenda. Segundo a PRF, a mulher já possui antecedentes por tráfico de drogas.

A ocorrência foi encaminhada à Polícia Federal em Rio Preto, que ficará responsável pela investigação. O material deverá passar por perícia e, ao final do processo, ser destruído. A tipificação do crime – que pode envolver infração contra a saúde pública, com penas elevadas, e eventualmente tráfico – será definida pela autoridade policial e posteriormente analisada pelo Judiciário.

Matarazzi afirmou que esse tipo de apreensão tem se tornado recorrente na região, com registros inclusive na semana anterior. “Já encontramos esse medicamento escondido até em tanque de combustível. É fundamental alertar a população para não adquirir nem utilizar produtos fora dos canais oficiais, sempre com prescrição médica e compra em farmácias regulares”, concluiu.

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