VEJA VÍDEO – Pousada da Esperança deixa de ser só abrigo e aposta em trabalho para mudar vidas em Rio Preto

Rodrigo Lima
Rio Preto cria força-tarefa para transformar acolhimento em oportunidade de emprego/imagem – Rodrigo Lima 13/5/2026

A busca por soluções permanentes para a população em situação de rua em São José do Rio Preto ganhou um novo capítulo nesta semana com a articulação entre Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Prefeitura, Câmara Municipal e representantes da iniciativa privada para criar oportunidades de trabalho destinadas a pessoas acolhidas na Pousada da Esperança.

Durante reunião realizada na própria unidade de acolhimento, autoridades anunciaram o avanço de um projeto que prevê, inicialmente, a abertura de cerca de 30 vagas de trabalho por meio da CooperLagos, cooperativa ligada à coleta seletiva e reciclagem no município. A proposta busca romper o ciclo de retorno constante às ruas, oferecendo renda e possibilidade de reinserção social aos acolhidos.

O encontro reuniu representantes de diferentes órgãos públicos e instituições envolvidos diretamente na construção de políticas voltadas ao enfrentamento da vulnerabilidade social. Participaram da reunião o juiz da Infância e Juventude, Evandro Pelarin, o promotor de Justiça Sérgio Clementino, o defensor público Júlio Fanoni, o vereador Cabo Júlio Donizete, a secretária de Desenvolvimento Social Lana Braga, além de representantes da Secretaria Municipal de Saúde. O presidente da Associação São José do Rio Preto Viva o Centro, Agnaldo Pedroni, também participou do encontro.

Pelarin afirmou que a iniciativa surgiu diante da necessidade de transformar o acolhimento temporário em oportunidade concreta de reconstrução de vida.

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Segundo ele, atualmente cerca de 70 pessoas estão acolhidas na Pousada da Esperança, espaço voltado a pessoas egressas das ruas. O magistrado destacou que o local não pode funcionar apenas como abrigo emergencial, mas precisa incentivar contrapartidas e processos de recuperação social por meio do trabalho.

“Aqui é uma casa de passagem, de baixa exigência, mas as pessoas que estão aqui evidentemente têm que dar sua contribuição, como qualquer cidadão, e o trabalho, a laborterapia, é muito importante para essas pessoas também”, afirmou Pelarin durante a reunião.

O promotor Sérgio Clementino afirmou que a preocupação das autoridades vai além do acolhimento emergencial. Segundo ele, a meta agora é estruturar mecanismos que permitam autonomia financeira aos atendidos.

De acordo com o Ministério Público, um dos projetos mais avançados prevê atuação dos acolhidos na coleta seletiva, triagem e destinação de resíduos recicláveis. A expectativa é que a atividade gere renda suficiente para permitir o recomeço de quem vive em situação de vulnerabilidade extrema.

Clementino classificou como “porta giratória” o modelo em que pessoas entram na casa de acolhimento, recebem atendimento temporário e acabam retornando às ruas dias depois. Para ele, a geração de renda é o principal instrumento para interromper esse ciclo.

“Quando volta para a rua, ele decai, aí volta de novo para a Pousada da Esperança. Então fica um ciclo vicioso. O trabalho é para quebrar esse ciclo”, afirmou o promotor.

O vereador Júlio Donizete (PSB) defendeu integração entre os poderes e instituições para enfrentar o crescimento da população em situação de rua em diferentes regiões da cidade.

Segundo o parlamentar, o problema deixou de estar concentrado apenas na área central e hoje se espalha por diversos bairros do município. Ele afirmou que o objetivo é construir uma política pública mais eficiente e permanente para garantir dignidade e oportunidades.

Já a secretária Lana Braga destacou que a Prefeitura pretende atuar não apenas na intermediação de vagas, mas também na preparação emocional e social dos acolhidos para o retorno ao mercado de trabalho.

Segundo ela, o município irá oferecer suporte para transporte, acompanhamento social e fortalecimento individual das pessoas selecionadas para as vagas oferecidas pela cooperativa.

“Não adianta só dar o emprego. A gente precisa fortalecer essa pessoa para que ela possa ter uma nova vida”, afirmou a secretária.

Além da geração imediata de trabalho, outros projetos também começaram a ser discutidos durante o encontro, entre eles a criação de hortas comunitárias e novas frentes de capacitação voltadas aos acolhidos da Pousada da Esperança.

A expectativa das autoridades é que as primeiras vagas sejam disponibilizadas nas próximas semanas, marcando o início de uma nova estratégia integrada de enfrentamento à situação de rua em Rio Preto, baseada não apenas em acolhimento emergencial, mas principalmente em reinserção produtiva e autonomia financeira.

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