A Polícia Civil de São José do Rio Preto afirma ter esclarecido as circunstâncias que levaram ao assassinato do motorista de aplicativo Wilsiano Soares Novais Teixeira, de 43 anos. Em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (12), o delegado da DEIC (Divisão Especializada de Investigações Criminais), Roberval Macedo, afirmou que o adolescente de 17 anos apreendido pelo crime alegou que a motivação inicial teria sido uma discussão envolvendo o pagamento da corrida.
Segundo o delegado, o jovem relatou que houve uma desavença relacionada ao troco da viagem. Durante o desentendimento, ele teria passado a suspeitar que o motorista fosse um policial civil.
“Ele alegou um motivo totalmente fútil. A princípio afirmou que houve uma desavença por causa do troco do pagamento da corrida. Durante essa discussão, desconfiou que o motorista seria um policial civil e, por isso, foram realizados os disparos”, afirmou Macedo.
Apesar da confissão do adolescente, a Polícia Civil trabalha com a hipótese de que ele esteja tentando assumir sozinho a responsabilidade pelos tiros para livrar o comparsa adulto da acusação mais grave.
“A princípio ele assume os disparos, mas tudo indica que essa versão busca proteger o autor adulto”, disse o delegado.
As investigações apontam que os dois suspeitos estavam armados. Imagens obtidas pela polícia mostram ambos exibindo armas de fogo antes e depois do crime. O material passou a integrar o conjunto de provas reunidas pela Delegacia de Homicídios.
Com o avanço das apurações, a natureza da ocorrência foi alterada. Inicialmente investigado como homicídio, o caso passou a ser tratado como latrocínio – roubo seguido de morte.
Segundo Macedo, os elementos colhidos indicam que houve interesse patrimonial na ação criminosa, ainda que o valor que teria motivado a discussão fosse irrisório.
“A quantia seria de aproximadamente dois reais. Algo absolutamente irrelevante. Mas entendemos que houve interesse financeiro associado ao crime, razão pela qual a imputação foi alterada para latrocínio consumado”, afirmou.
De acordo com a investigação, quando percebeu a tensão crescente dentro do veículo, o motorista teria parado para tentar entender o que estava acontecendo. Nesse momento, os suspeitos interpretaram sua postura como a de um policial à paisana.
“O motorista trancou o carro e tudo indica que parou para esclarecer a situação. Quando começou a fazer questionamentos, eles imaginaram que ele seria um policial”, disse o delegado.
A arma utilizada no crime, uma pistola calibre 7,65, ainda não foi localizada. O adolescente afirmou que descartou o armamento em uma área de mata próxima a uma praça pública.
Equipes da Polícia Civil realizaram buscas na região indicada, mas até a tarde desta sexta-feira a arma permanecia desaparecida.
O adolescente foi localizado em uma chácara na zona rural de Guapiaçu, para onde fugiu após o crime. Segundo a DEIC, ele passou um período escondido na região central de Rio Preto antes de buscar refúgio na propriedade.
“Ele acreditava que havia um cerco policial em andamento e resolveu se esconder na chácara de conhecidos”, explicou Macedo.
A ficha do adolescente também chamou atenção dos investigadores. Conforme a Polícia Civil, ele possui antecedentes por atos infracionais análogos ao tráfico de drogas e homicídio, já passou pela Fundação Casa e tinha medida socioeducativa de internação em aberto.
Ainda segundo o delegado, o jovem relatou envolvimento com o tráfico de drogas na região do bairro Santo Antônio e participação em conflitos entre bairros rivais da cidade.
Nas imagens apreendidas pela investigação, os suspeitos aparecem exibindo armas de fogo momentos antes do assassinato. Questionado sobre o motivo de portar o armamento, o adolescente afirmou que utilizava a arma para proteção pessoal e para atuação no tráfico.
O segundo investigado, um homem de pouco mais de 20 anos, já foi identificado pela Polícia Civil. A DEIC representou pela prisão temporária do suspeito e realiza diligências para localizá-lo.
“Ele já está identificado. A prisão temporária foi solicitada e estamos em diligências. É questão de tempo para que seja localizado e preso”, afirmou Macedo.
A morte do motorista de aplicativo causou forte comoção em São José do Rio Preto. A investigação segue em andamento para esclarecer completamente a participação de cada um dos envolvidos e concluir o inquérito policial.
Caçada policial
Após o homicídio de um motorista de aplicativo ocorrido na tarde desta quinta-feira, equipes da Força Tática do 17º BPM/I, com apoio do Comando Força Patrulha, BAEP, equipes territoriais e helicóptero Águia, iniciaram diligências ininterruptas para identificar e localizar os responsáveis pelo crime.
“Com base em imagens, levantamentos de inteligência e informações obtidas durante as investigações, os policiais identificaram os envolvidos e chegaram ao local utilizado para o embarque dos autores antes da execução do crime. As buscas prosseguiram durante toda a noite até que, já na madrugada, os policiais localizaram um dos autores, um adolescente, que era procurado pelas equipes desde o momento do crime”, consta em nota.
Durante a abordagem, o menor confessou participação no homicídio e forneceu informações sobre a arma utilizada na ação criminosa. Novas diligências foram realizadas para localizar o armamento, porém sem êxito até o momento.
A ocorrência foi apresentada na DEIC, onde a autoridade policial ratificou a apreensão do adolescente, que permaneceu à disposição da Justiça.
