
Perdeu a primeira sessão na Câmara de Rio Preto? O Diário do Rodrigo Lima (DRL) passa a adotar, a partir de 2026, um modelo permanente de análise técnica e política do desempenho dos 23 vereadores durante as sessões do Legislativo de São José do Rio Preto. A estreia desse acompanhamento ocorreu na primeira sessão ordinária do ano, na terça-feira, 3, marcada por embates em torno do IPTU, segurança pública e pautas de forte conteúdo ideológico.
Com base nos registros oficiais da sessão, discursos em plenário e proposições apresentadas, o DRL identificou uma participação intensa dos parlamentares, com protagonismos bem definidos, disputas narrativas claras e diferentes níveis de atuação institucional.
IPTU domina o debate e expõe fissuras políticas
A revisão da Planta Genérica de Valores (PGV), base de cálculo do IPTU, foi o principal eixo da sessão e concentrou as falas mais duras. A oposição se organizou em torno de um projeto que busca revogar os efeitos da planta aprovada no ano anterior.
Nesse campo, João Paulo Rillo (PT) assumiu papel central ao articular a reação legislativa. Defendeu que a revisão do imposto deveria ser conduzida coletivamente pela Câmara e fez críticas contundentes ao Executivo, classificando a planta como lesiva à população. Também cobrou esclarecimentos sobre a morte do ex-assessor Pablo Lourenço, tema que atravessou outros discursos.
Dois parlamentares do PSB, Abner Tofanelli e Alex de Carvalho, reconheceram publicamente arrependimento pelo voto favorável à PGV em 2025. Tofanelli chegou a pedir perdão à população, relatando pressões sofridas à época, e solicitou a prorrogação da CPI das Terceirizadas, da qual é relator. Alex anunciou que sua bancada apoiará formalmente o projeto de revogação – clique aqui para assistir ao vídeo.
A crítica mais detalhada veio de Renato Pupo (Avante), que alertou para os efeitos indiretos da planta sobre outros tributos, como ITBI e ITCMD, além de classificar o modelo atual como inadequado do ponto de vista fiscal. Já Pedro Roberto levou ao plenário vídeos e exemplos práticos, citando casos de imóveis que tiveram o valor venal multiplicado de forma abrupta, defendendo a anulação integral da PGV.
Defesa do governo e pautas ideológicas ganham espaço
Enquanto o IPTU concentrou o debate local, parte da base governista direcionou esforços a pautas ideológicas e simbólicas. O vereador Eduardo Tedeschi (PL) protagonizou o momento mais controverso da sessão ao apresentar uma moção de aplauso ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, em um gesto que dividiu o plenário. Em paralelo, apresentou projetos voltados à acessibilidade e à política de preços em postos de combustíveis.
Júlio Donizete (PSD) fez defesa enfáticas do modelo de escolas cívico-militares, tratado por ambos como política estruturante para a educação municipal – clique aqui para assistir ao vídeo. Ja Felipe Alcalá (PL), que também comentou o tema, apresentou uma das listas mais extensas de projetos da sessão, incluindo temas como proteção animal e descarte ambiental de placas solares.
Já Odélio Chaves (Podemos) adotou um tom mais institucional e conciliador, com referências religiosas e defesa do equilíbrio entre os poderes. Apesar de ressalvas quanto à soberania internacional, votou favoravelmente à moção ligada ao cenário externo e elogiou o Executivo pela criação de novos Conselhos Tutelares.
Segurança pública, tensão pessoal e embates diretos
A sessão também foi marcada por discursos de forte carga emocional. Professor Tadeu usou o plenário para esclarecer sua relação com o ex-assessor Pablo Lourenço, assassinado recentemente, afirmando colaboração com as investigações e rechaçando ataques pessoais em redes sociais – clique aqui para assistir ao vídeo.
Na área da segurança pública, Marcelo Renato (Novo) valorizou a atuação da Polícia Militar, exibindo um vídeo de salvamento de um recém-nascido e cobrando do governo estadual o cumprimento da data-base salarial da categoria.
O discurso mais agressivo contra o Executivo partiu de Alexandre Montenegro (PL), que atacou diretamente o prefeito Coronel Fábio Candido (PL) com termos duros e declarou apoio integral à proposta de revogação da PGV apresentada pela oposição.
Condução da Casa e atuação administrativa
Coube ao presidente da Câmara, Luciano Julião (PL), conduzir a sessão em meio a manifestações da galeria, garantindo a ordem dos trabalhos. Ele também apresentou projetos ligados a alunos neurodiversos e políticas de apoio à Lei Maria da Penha, além de relatar sua experiência como prefeito interino durante o recesso legislativo.
Parlamentares como Márcia Caldas (PL), Paulo Pauléra (Progressistas) e Bruno Moura (Podemos) concentraram suas falas em iniciativas administrativas e sociais, incluindo projetos sobre doação de leite materno, Código de Obras, isenção de IPTU em vias com serviços precários e restrições a outdoors políticos.
Jonathan Santos (Republicanos) adotou postura de diálogo com o Executivo, pedindo sensibilidade do prefeito em relação às reclamações do IPTU. Já Peixão (MDB), Robson Ricci (PSD) e Rossini Diniz (MDB) tiveram participações pontuais, focadas em registros formais, moções e reconhecimento de entidades.
Segundo os registros analisados, Francisco Júnior (União Brasil) e Jean Dornelas (MDB) não tiveram falas ou votações de destaque na sessão.
Acompanhamento permanente
A partir deste ano, o Diário do Rodrigo Lima passa a publicar análises regulares do comportamento, discurso e produtividade dos vereadores, indo além do registro factual das sessões. O objetivo é oferecer ao leitor uma leitura crítica sobre quem articula, quem reage, quem se omite e como se organizam as forças políticas dentro da Câmara.
