
A secretária de Desenvolvimento Social de São José do Rio Preto, Sandrinha Reis, informou nesta quinta-feira (8) a um grupo de vereadores que pretende representar contra o vereador João Paulo Rillo (PT) no Conselho de Ética da Câmara. A iniciativa aprofunda um embate político que se arrasta desde o ano passado e envolve acusações de violência política de gênero.
A decisão foi comunicada durante reunião no gabinete da secretária, que contou com a presença dos vereadores Rossini Diniz, Celso Peixão (MDB), Júnior (União Brasil), Júlio Donizete (PSD), Bruno Moura (Podemos) e Jonathan Santos (Republicanos). Moura e Peixão são membros efetivos do conselho. Segundo interlocutores, Sandrinha também já teria avisado o presidente do Conselho de Ética, Professor Tadeu, sobre a medida.
O pano de fundo do conflito é uma audiência pública realizada na Câmara em setembro do ano passado, quando, de acordo com a secretária, ela teria sido alvo de falas agressivas, interrupções e acusações de que promoveria um “desserviço à população” e adotaria uma “política higienista”. À época, Sandrinha registrou boletim de ocorrência contra o parlamentar, classificando o episódio como violência política de gênero, com base na Lei 14.192/2021.
Por se tratar de manifestação ocorrida no exercício do mandato, o registro foi feito como ocorrência não criminal, em razão da imunidade parlamentar. Ainda assim, o caso pode resultar em desdobramentos na esfera judicial e em análise de eventual quebra de decoro no Legislativo municipal.
Em declarações públicas,inclusive no Podcast Diário do Rodrigo Lima, a secretária afirmou que não aceita ser desqualificada. “Eu trabalho 24 horas, cumpro meus prazos e entregamos em seis meses mais matrículas habitacionais do que em todo o ano passado. Não aceito que digam que presto um desserviço”, disse. O prefeito Coronel Fábio Candido (PL) saiu em defesa da auxiliar e cobrou reação de aliados diante de ataques a membros do governo.
Na época, Rillo rebateu as acusações e classificou o boletim de ocorrência como “uma farsa grotesca”. Segundo ele, a audiência pública “desmoralizou o governo municipal”, sobretudo no debate sobre o Centro Pop e a política para a população em situação de rua. Em nota, emitida também naquele período, o vereador rebateu as acusações.
O embate expõe a escalada de tensões entre Executivo e oposição na Câmara e deve ganhar novos capítulos com a eventual formalização da representação no Conselho de Ética. Sandra teria justificado que a representação será feito com base em novo desentendimento ocorrido em Engenheiro Schmitt.
A reportagem do DRL apurou ainda que a ideia de alguns parlamentares da base governista é afastar o petista do Legislativo por um prazo de 90 dias. Nesta quinta-feira, ao ser questionado sobre a iniciativa da secretária Rillo afirmou: “é um direito dela”.
Atualizado às 22h05.
