Figura central da locução de rodeios no país, Cuiabano Lima transformou sua participação no podcast Diário do Rodrigo Lima em um retrato amplo do Brasil que frequenta arenas, palcos, bastidores do agronegócio e, cada vez mais, o debate público. Em uma entrevista de mais de uma hora, exibida no YouTube e no portal diariodorodrigolima.com.br, o locutor falou de fé cristã, economia, política, comunicação, cultura sertaneja e do papel do entretenimento na vida social brasileira.
A conversa ocorreu no momento em que o podcast do jornalista Rodrigo Lima se aproxima da marca de 100 mil inscritos no YouTube e acumula cerca de 3 milhões de visualizações no Instagram em 30 dias, números que o apresentador destacou logo na abertura como indicativos de um público cada vez mais atento a debates fora dos formatos tradicionais. Cuiabano Lima esteve em São José do Rio Preto para participar de gravação de comericiais para o Grupo Lukma e Multielétrica,
Cuiabano, apresentado como “campeão de audiência” no universo dos rodeios, adotou um tom reflexivo desde o início. Ao fazer um balanço de 2025, afirmou que o país atravessa dificuldades econômicas severas, mas apontou o agronegócio e o entretenimento sertanejo como setores capazes de sustentar parte do equilíbrio nacional. Para ele, mesmo com juros elevados e crédito restrito, essas áreas seguem operando porque dialogam diretamente com a cultura do trabalho e da festa no Brasil.
Segundo o locutor, a taxa Selic elevada, a escassez de linhas de financiamento e o aumento do risco bancário comprometem investimentos, mas não inviabilizam completamente setores ligados ao campo e à música. “O produtor rural faz a parte dele, mesmo com dificuldade”, afirmou, ao defender que o país vive um “problema financeiro estrutural”, mas ainda dispõe de capacidade produtiva.
A entrevista avançou para um dos episódios mais marcantes de sua carreira: a noite histórica da Festa do Peão de Barretos em 2025, quando dividiu a arena com o frei Gilson em um evento religioso que reuniu cerca de 65 mil pessoas dentro do estádio e milhares do lado de fora. Realizado em uma segunda-feira, feriado municipal, o evento teve o show doado pelo religioso e exigiu transmissão por telões externos devido à superlotação.
Cuiabano descreveu o momento como “icônico” e atribuiu o impacto à força da fé cristã. Disse que não estava inicialmente escalado para participar, mas acabou assumindo o papel de apresentador por decisão de última hora. Para ele, o episódio sintetiza sua trajetória recente: a incorporação explícita da religiosidade ao discurso na arena, algo que considera parte natural de sua identidade pessoal e profissional.
Ao longo da entrevista, o locutor defendeu a Bíblia como um “manual de vida” e sugeriu que ela seja utilizada como fonte prática de orientação para questões cotidianas, como ansiedade, depressão, problemas financeiros e conflitos familiares. Segundo ele, a fé se tornou elemento central de sua comunicação com o público, especialmente em um contexto de crescente fragilidade emocional da sociedade.
Apesar do tom espiritual, Cuiabano não evitou temas políticos. Declaradamente alinhado à direita e presidente do PL em Barretos, ele fez críticas duras ao assistencialismo estatal, que classificou como um modelo que perpetua a dependência e desestimula o trabalho formal. Para ele, programas de transferência de renda deveriam ser substituídos ou complementados por políticas de educação, qualificação profissional e crédito para pequenos negócios.
O locutor também comentou o cenário eleitoral nacional e avaliou que o país vive uma polarização paralisante. Defendeu a união das forças de direita em torno de um projeto comum e citou nomes como Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Romeu Zema e Ronaldo Caiado como lideranças com potencial. Embora tenha reafirmado sua admiração por Jair Bolsonaro, reconheceu que o ex-presidente pode não estar no centro do próximo pleito e que será necessário construir consensos.
Questionado sobre uma eventual candidatura a deputado federal, Cuiabano afirmou não depender da política e disse que sua contribuição ao país independe de cargo público. Lembrou a experiência como secretário de Turismo de Barretos, quando o município conquistou recursos e reconhecimento como estância turística, mas ponderou que uma decisão eleitoral exigiria avaliação pessoal e familiar diante do desgaste inerente à vida política.
No campo profissional, o locutor detalhou a rotina intensa de apresentações – entre 130 e 150 eventos por ano – e explicou que seu trabalho vai além da locução tradicional. Definiu-se como um comunicador que traduz projetos, marcas, artistas e causas para o público, adaptando o discurso conforme o contexto: rodeios, shows, eventos corporativos, festivais ou ações beneficentes.
Segundo ele, a comunicação exige leitura precisa do ambiente e do público, combinando emoção, marketing e narrativa. “Não é só falar, é convencer”, resumiu, ao explicar que o sucesso de um evento depende da capacidade de criar envolvimento e desejo.
Cuiabano também percorreu a história recente da música sertaneja, da geração de Chitãozinho e Chororó e Leandro e Leonardo ao sertanejo universitário e à nova safra liderada por artistas como Ana Castela. Para ele, o gênero representa hoje um dos principais motores econômicos do país, movimentando turismo, hotelaria, aviação, serviços e uma extensa cadeia produtiva.
Ao encerrar a entrevista, o locutor reforçou a defesa da fé, da liberdade de expressão e da comunicação responsável. Disse acreditar no Brasil, nas pessoas e no trabalho como caminho de reconstrução nacional, mas admitiu que o país vive um momento de tensão e desgaste. “Onde tem paz, tem Deus”, afirmou, ao pedir mais equilíbrio e menos conflito no debate público.
A participação de Cuiabano Lima no podcast expôs um personagem que transita com facilidade entre a arena, o altar, o palco e o discurso político – uma síntese do Brasil rural, religioso e midiático que segue mobilizando multidões, dentro e fora dos rodeios.
