PODCAST – ‘A farra dos flanelinhas acabou’, afirma subcomandante da GCM em Rio Preto

Rodrigo Lima

Duas décadas depois de sua criação, a Guarda Civil Municipal de São José do Rio Preto vive uma das maiores transformações de sua história. Com a ampliação do efetivo, modernização de equipamentos, armamento dos agentes e a expectativa de implantação do programa Smart Rio Preto, a corporação busca consolidar um papel cada vez mais relevante na segurança pública do município.

Em entrevista ao Podcast Diário do Rodrigo Lima, o subcomandante da Guarda Civil Municipal, Márcio Martino, fez um balanço da trajetória da instituição e detalhou os projetos que devem alterar significativamente a atuação da corporação nos próximos anos.

Segundo Martino, o início da Guarda foi marcado por dificuldades de aceitação da população. Criada em um contexto em que poucas cidades do interior paulista possuíam guardas municipais estruturadas, a corporação enfrentou resistência, especialmente por sua atuação concentrada na fiscalização de trânsito.

“A população associava a Guarda apenas à aplicação de multas. Havia uma percepção de que a corporação existia apenas para fiscalizar e penalizar os motoristas. Foi um processo longo até mostrar que a Guarda também desempenha um papel importante na proteção da população”, afirmou.

Crescimento da corporação

Atualmente, a Guarda Municipal conta com cerca de 204 agentes em atividade. O número, no entanto, deve crescer significativamente com a conclusão do novo curso de formação promovido pela Prefeitura.

A expectativa é que o efetivo alcance aproximadamente 350 guardas, representando um aumento superior a 70% em relação ao quadro atual.

Para Martino, o reforço permitirá ampliar a presença da corporação nas ruas e fortalecer o atendimento em áreas estratégicas.

“Hoje a Guarda atua diretamente na segurança pública, com patrulhamento preventivo, prisões em flagrante, patrulhas especializadas, canil e programas específicos como a Patrulha Maria da Penha. Quanto maior o efetivo, maior a capacidade de resposta”, disse.

Os números apresentados pelo subcomandante demonstram a expansão da atuação operacional da corporação. Apenas em 2025, a Guarda registrou cerca de 350 prisões em flagrante, recorde histórico da instituição.

Tecnologia como aliada

Uma das principais apostas para os próximos anos é a implantação do programa Smart Rio Preto, que prevê a instalação de aproximadamente 3 mil câmeras inteligentes em diferentes pontos da cidade.

O sistema utilizará inteligência artificial para reconhecimento facial, leitura automática de placas de veículos e monitoramento de áreas públicas.

De acordo com Martino, a tecnologia permitirá identificar veículos furtados, roubados ou clonados, além de auxiliar na localização de pessoas procuradas pela Justiça.

“O sistema será capaz de gerar alertas automáticos em situações suspeitas. Se houver movimentação em uma unidade de saúde durante a madrugada, por exemplo, a central poderá acionar imediatamente uma equipe para averiguação”, explicou.

A expectativa da Guarda é que o novo modelo de monitoramento represente uma mudança estrutural na prevenção e repressão ao crime.

Armamento e fortalecimento operacional

Outro avanço destacado pelo subcomandante é o processo de armamento da corporação.

Segundo ele, a maioria dos guardas já atua armada, utilizando pistolas calibre .40 adquiridas pela Prefeitura. O processo de entrega dos equipamentos continua em andamento.

Além disso, a administração municipal trabalha para equipar equipes especializadas com armas longas, como espingardas calibre 12 e, futuramente, fuzis.

Martino relembrou que a necessidade de ampliar a capacidade operacional da Guarda ficou evidente após o assalto a uma joalheria no centro da cidade, episódio que deixou dois guardas municipais feridos.

“Uma força de segurança uniformizada e ostensiva precisa estar preparada para enfrentar situações de alto risco. Não podemos permitir que nossos agentes estejam em desvantagem diante da criminalidade”, afirmou.

Combate aos flanelinhas

Nos últimos meses, uma das frentes de atuação que ganhou destaque foi o combate à cobrança irregular de estacionamento por flanelinhas em eventos públicos e privados.

Martino afirma que a Guarda passou a monitorar locais com grande concentração de público após receber denúncias frequentes de motoristas coagidos a pagar valores para estacionar seus veículos.

“Havia relatos de cobranças de R$ 20, R$ 30 e até R$ 50. Muitas vezes a pessoa paga por medo de encontrar o carro danificado quando retornar do evento”, afirmou.

Segundo ele, a prática pode configurar crime de extorsão quando existe ameaça ou constrangimento ao motorista.

A Guarda passou a intensificar o patrulhamento em áreas próximas a teatros, centros de eventos e espaços de shows, além de utilizar denúncias recebidas pelas redes sociais para direcionar as ações de fiscalização.

Trânsito continua sendo prioridade

Apesar da ampliação das atribuições na área de segurança pública, a fiscalização de trânsito continua sendo uma das responsabilidades da corporação.

Martino defende que a atuação dos agentes é fundamental para reduzir acidentes e preservar vidas.

“Os números de mortes no trânsito são alarmantes. Fiscalizar não é arrecadar. Fiscalizar é proteger vidas”, disse.

Ele destacou que infrações como avanço de sinal vermelho, uso de celular ao volante, direção sob efeito de álcool e circulação irregular de motocicletas continuam entre os principais desafios enfrentados diariamente pelas equipes.

Cidade mais segura

Questionado sobre a situação atual da segurança pública em Rio Preto, Martino foi enfático.

“Hoje Rio Preto está mais segura”, afirmou.

Para ele, o fortalecimento das forças de segurança, a integração entre Guarda Municipal, Polícia Militar, Polícia Civil e demais órgãos de fiscalização contribuiu para a redução de diversos indicadores criminais ao longo dos últimos anos.

A expectativa agora é que a combinação entre aumento do efetivo, modernização tecnológica e ampliação dos recursos operacionais coloque a Guarda Civil Municipal em um novo patamar de atuação.

Ao completar 20 anos de existência, a corporação busca deixar para trás a imagem de órgão voltado exclusivamente à fiscalização de trânsito para consolidar-se como uma das principais estruturas de segurança pública de São José do Rio Preto.

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