O candidato a deputado federal Eleuses Paiva Filho (PSD) afirmou que pretende levar à Câmara dos Deputados uma agenda concentrada em saúde pública, agronegócio e inovação e defendeu mudanças no funcionamento das instituições brasileiras, entre elas a fixação de mandato de dez anos para ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
Em entrevista ao Podcast Diário do Rodrigo Lima, Eleuses Filho também falou sobre a influência do pai, o secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, em sua entrada na política, respondeu às críticas sobre a sucessão familiar e apresentou propostas para o financiamento do SUS (Sistema Único de Saúde).
Advogado e produtor rural, o candidato busca uma cadeira na Câmara em sua primeira campanha para deputado federal. A candidatura tem como um de seus principais ativos políticos a trajetória do pai, que já exerceu mandato no Congresso e atualmente integra o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Eleuses Filho não rejeita essa influência. Ao contrário, diz ter acompanhado por cerca de duas décadas a trajetória política do pai, inclusive durante período em que viveu com ele em Brasília. Também reconhece que a reputação e a rede política construída pelo secretário facilitam sua entrada no meio eleitoral.
A resposta à acusação de que seria candidato apenas por ser “filho de Eleuses”, segundo ele, será dada durante a campanha.
Para o candidato, cabe ao eleitor avaliar se possui capacidade própria para exercer o mandato. A legitimidade, afirma, não deve ser concedida nem retirada pelos adversários, mas definida pelo voto.
Saúde como principal vitrine
A área da saúde ocupa espaço central no discurso do candidato e também estabelece a conexão mais direta entre seu projeto eleitoral e a atuação do pai no governo paulista.
Entre suas propostas está uma revisão nacional da tabela utilizada para remunerar procedimentos do SUS. Eleuses Filho afirma que existe uma defasagem histórica nos valores pagos a hospitais e prestadores e considera insuficiente uma simples atualização inflacionária.
Ele defende ainda que a tabela passe por avaliações periódicas. O argumento é que a evolução tecnológica altera de maneira diferente o custo de equipamentos, insumos e tratamentos e, por isso, os valores pagos pelo sistema público deveriam acompanhar essas transformações.
Outro ponto defendido pelo candidato é a criação de um prontuário eletrônico nacional integrado.
A proposta é reunir informações relevantes da vida médica do paciente – como vacinação, doenças, internações e outros registros – em uma base que possa ser consultada ao longo de toda a vida e em diferentes regiões do país. Eleuses Filho associa o projeto ao uso de inteligência artificial e ao aumento da capacidade de processamento de dados.
A tecnologia, afirma, poderia ser utilizada não apenas no atendimento, mas também para aprimorar a gestão e reduzir desperdícios.
O candidato também chama atenção para o financiamento de municípios que funcionam como polos regionais de saúde, caso de Rio Preto.
Segundo ele, cidades que recebem pacientes de dezenas de municípios e até de outros estados precisam ter uma compensação financeira compatível com essa demanda. Na entrevista, citou como exemplo pacientes de regiões distantes do país que procuram atendimento especializado no Hospital de Base (HB) de Rio Preto.
Para Eleuses Filho, sem financiamento adequado, parte do custo dessa estrutura acaba recaindo sobre o orçamento municipal e pode afetar o atendimento da própria população da cidade.
Produtor rural, candidato mira eleitor do agro
O agronegócio forma o segundo eixo da candidatura.
Produtor de soja, milho, cana-de-açúcar e pecuária, Eleuses Filho afirma que a família mantém atividades no campo há mais de sete décadas. Ele usa essa experiência para sustentar que o setor atravessa um período de compressão das margens, provocado pela combinação de custos elevados, juros altos e perda de rentabilidade de diferentes culturas.
O candidato associa parte dos problemas do campo à política macroeconômica e critica o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na avaliação dele, o aumento dos gastos públicos contribui para pressionar inflação, endividamento e juros. O efeito, diz, atinge tanto consumidores quanto empresas e produtores rurais.
Caso eleito, Eleuses Filho afirma que pretende buscar espaço nas comissões da Câmara relacionadas ao agronegócio e atuar na formulação das políticas para o setor.
Proposta prevê mandato de dez anos no STF
Um dos posicionamentos de maior repercussão política apresentados durante a entrevista envolve o Supremo.
Eleuses Filho defende alterar a Constituição para estabelecer mandato de dez anos para os ministros do STF. Atualmente, integrantes da corte permanecem no cargo até a aposentadoria compulsória aos 75 anos, salvo renúncia, morte ou perda do cargo nas hipóteses constitucionais.
Segundo o candidato, a mudança que pretende apresentar não retiraria imediatamente ministros que já estejam no tribunal. A nova regra produziria efeitos a partir da eventual aprovação e promulgação da emenda constitucional.
Ele argumenta que permanências muito longas na corte favorecem um distanciamento entre seus integrantes e a sociedade.
A discussão sobre mandatos para ministros de cortes constitucionais aparece periodicamente no Congresso e exigiria uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), cuja aprovação depende de três quintos dos deputados e senadores, em dois turnos de votação em cada Casa.
Crítica às emendas parlamentares
Eleuses Filho também adotou uma posição crítica em relação ao crescimento das emendas parlamentares no Orçamento federal.
O candidato defende reduzir o volume desses recursos e ampliar os mecanismos de transparência e fiscalização. Segundo ele, as emendas podem favorecer relações de barganha política e não são suficientes para resolver problemas estruturais de cidades do porte de Rio Preto.
Na avaliação do candidato, obras de grande porte, como duplicações de rodovias ou projetos viários regionais, exigem outra escala de recursos.
Nesse cenário, diz, a função de um deputado deveria incluir a articulação com ministérios e órgãos federais para inserir projetos estruturantes no Orçamento da União, em vez de limitar sua atuação à distribuição de emendas individuais.
Ele faz, contudo, uma ressalva. Considera legítima a destinação desses recursos a entidades reconhecidas do terceiro setor.
Alianças em Rio Preto
Na montagem da campanha regional, Eleuses Filho aposta em alianças com diferentes lideranças.
Em Rio Preto, sua principal dobrada é com Coronel Helena, candidata a deputada estadual. Ele também menciona como apoiadores os vereadores Jorge Menezes e Júlio Donizete, ambos do PSD. A deputada estadual Analice Fernandes aparece entre as alianças eleitorais construídas na região.
Eleuses Filho também elogia Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, a quem classifica como um dos principais articuladores políticos do país. Segundo o candidato, Kassab tem atuado como conselheiro neste início de sua trajetória eleitoral.
No cenário nacional, o candidato manifesta apoio à candidatura presidencial de Ronaldo Caiado. Ele destaca a trajetória do político goiano na defesa do agronegócio e sua oposição histórica ao PT.
Peso do sobrenome
A presença do pai atravessa diferentes momentos da entrevista.
Eleuses Paiva é secretário da Saúde de São Paulo no governo Tarcísio e possui uma base política construída durante anos de atuação pública. Para o filho, essa história abre portas, mas não substitui a necessidade de conquistar legitimidade própria.
Eleuses Filho afirma que acompanhou durante aproximadamente 20 anos a trajetória do pai e o aponta como sua principal referência de conduta política. Também reconhece que antigos aliados, prefeitos e vereadores ligados ao secretário representam uma estrutura importante para sua candidatura.
É justamente nesse ponto que está um dos desafios políticos de sua primeira disputa: aproveitar um sobrenome conhecido sem permitir que ele seja a única justificativa para a candidatura.
Na entrevista ao Podcast Diário do Rodrigo Lima, Eleuses Filho procurou apresentar a resposta a esse dilema por meio de propostas próprias e de sua experiência profissional.
A aposta é transformar a herança política em ponto de partida – e deixar para as urnas a decisão sobre se ela será suficiente para levá-lo a Brasília.
