
O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão decidir a Presidência da República no segundo turno das eleições de 2026, marcado para 25 de outubro.
A Justiça Eleitoral confirmou matematicamente a nova votação na noite deste domingo (4). Quando 96,78% das seções estavam totalizadas, Flávio registrava 47,48% dos votos válidos, ante 44,63% de Lula.
Com a apuração praticamente concluída, a diferença entre os dois ficou em pouco mais de 2,3 milhões de votos, segundo os dados apresentados na totalização. O intervalo é o menor, em números absolutos, entre primeiro e segundo colocados em um primeiro turno presidencial desde a volta das eleições diretas, em 1989.
Em 2022, por exemplo, Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro chegaram ao segundo turno separados por cerca de 6,1 milhões de votos. A eleição daquele ano terminou posteriormente com vitória de Lula na segunda etapa da disputa.
Nenhum candidato alcançou a maioria absoluta dos votos válidos neste domingo, condição necessária para encerrar a eleição presidencial já no primeiro turno. O calendário oficial do TSE prevê a segunda rodada para o dia 25.
Flávio termina primeiro turno na frente
O resultado das urnas colocou Flávio Bolsonaro na liderança da disputa, depois de uma reta final em que pesquisas mostravam forte aproximação entre os dois principais candidatos.
Na véspera da eleição, o Datafolha apontava 45% dos votos válidos para Lula e 42% para Flávio, situação de empate técnico considerando a margem de erro do levantamento.
A contagem dos votos mostrou cenário diferente na ordem dos dois primeiros: Flávio terminou numericamente à frente do presidente.
O desempenho também concentrou a votação nos dois candidatos. Com 96,78% das urnas contabilizadas, Augusto Cury (Avante) aparecia em terceiro, com 2,91%; Renan Santos (Missão) tinha 2,27%; e Ronaldo Caiado (PSD), 2,21%. Os demais concorrentes estavam abaixo de 1%.
Campanhas entram em nova fase
A partir desta segunda-feira (5), a disputa muda de formato. Flávio e Lula terão três semanas para tentar incorporar parte dos votos dados aos demais presidenciáveis e mobilizar eleitores que não compareceram no primeiro turno.
No momento em que o segundo turno foi confirmado, a apuração registrava mais de 32 milhões de abstenções, contingente que também passa a ser alvo das estratégias das duas campanhas.
Flávio deverá buscar aproximação com partidos e candidatos de centro e de direita que ficaram fora da etapa final. Entre os nomes cujos eleitores passam a ser disputados estão Ronaldo Caiado, Augusto Cury, Romeu Zema e Renan Santos. Eventuais apoios formais dependerão, porém, das decisões dessas lideranças e de suas siglas.
Lula, por sua vez, terá de ampliar sua votação além da base que o levou ao segundo lugar e reorganizar sua campanha para uma disputa exclusivamente contra o candidato do PL.
O resultado também aumenta o peso das alianças estaduais. Governadores, senadores, deputados e lideranças eleitas neste domingo tendem a ser procurados pelas duas campanhas para a formação dos palanques do segundo turno.
Resultado divergiu das pesquisas da véspera
O primeiro turno terminou com uma inversão em relação às pesquisas divulgadas imediatamente antes da eleição.
Além do Datafolha, levantamento CNT/MDA publicado no sábado (3) apontava 47,8% dos votos válidos para Lula e 42,1% para Flávio.
As sondagens registravam o estreitamento da diferença durante as últimas semanas, mas os resultados das urnas colocaram o senador do PL na primeira posição.
A segunda votação ocorrerá em 25 de outubro. Como apenas dois candidatos permanecem na disputa, será eleito aquele que receber a maioria dos votos válidos, excluídos brancos e nulos.
