PODCAST – Campetti projeta Flávio Bolsonaro na Presidência e comenta cenário político em Rio Preto

Rodrigo Lima

O deputado estadual Danilo Campetti (Republicanos) afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) reúne condições de chegar à Presidência da República no futuro. A declaração foi dada durante entrevista ao podcast Diário do Rodrigo Lima, na qual o parlamentar também abordou sua trajetória na segurança pública, fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e comentou o cenário político regional.

Agente da Polícia Federal e integrante da equipe de segurança de Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018, Campetti reiterou sua identificação com o campo político da direita e destacou a proximidade com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Neste ano, durante o processo eleitoral, ele comentou sobre a sua dobradinha com o deputado federal Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, na região de Rio Preto.

Na entrevista, Campetti relembrou sua participação na operação que resultou na prisão de Lula em 2018, em Curitiba, episódio que, segundo ele, marcou sua trajetória profissional e ampliou sua visibilidade pública. Por isso, um dos seus bordões voltará a ser: “eu prendi o Lula”. “É um fato”, afirmou o parlamentar.

O deputado afirma ainda que, após o episódio, passou a ser alvo de críticas de setores políticos contrários à operação. Ele menciona ainda a repercussão gerada quando participou da escolta de Lula ao velório de um neto, ocasião em que foi questionado por utilizar em seu uniforme um brevê associado à SWAT, unidade policial norte-americana.

Segundo Campetti, o episódio levou a um contato direto com Jair Bolsonaro, que então ocupava a Presidência da República. A partir daí, ele recebeu convite para integrar o governo federal, primeiro no Ministério da Agricultura e depois no Ministério da Infraestrutura, então comandado por Tarcísio.

Atentado de 2018

Durante a entrevista, o deputado também descreveu bastidores da campanha presidencial de Bolsonaro em 2018. De acordo com ele, a estrutura de segurança do então candidato era limitada.

Campetti afirmou ter participado da definição do plano de evacuação médica após o atentado ocorrido em Juiz de Fora (MG), quando Bolsonaro foi esfaqueado durante um ato de campanha. O parlamentar diz que a estratégia permitiu o rápido encaminhamento do então candidato para atendimento hospitalar, antes da transferência para o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

O deputado também comentou um episódio ocorrido durante a campanha eleitoral de 2022, em Paraisópolis, na zona sul da capital paulista. Segundo Campetti, ele estava em seu dia de folga quando ocorreu um confronto armado envolvendo integrantes do PCC durante uma agenda de campanha de Tarcísio de Freitas.

Campetti afirma que decidiu intervir na situação por entender que, mesmo fora de serviço, um policial tem obrigação de agir diante de um crime.

Após a posse do governo Lula, a cessão do deputado ao governo paulista – onde atuava como assessor especial de Tarcísio – foi cancelada, o que o obrigou a retornar às funções na Polícia Federal em Rio Preto.

O parlamentar relata que foi instaurado um processo administrativo que inicialmente cogitou sua demissão ou uma suspensão de 180 dias, com retirada do porte de arma. A penalidade final, segundo ele, foi de 16 dias de suspensão.

Campetti afirma que o episódio integra o que classifica como uma “perseguição política”, associando o caso à sua atuação na segurança de Bolsonaro e à participação na prisão de Lula.

Relação com Tarcísio e cenário político

O deputado descreveu sua relação com o governador Tarcísio como de confiança política e alinhamento ideológico. Segundo ele, o governador teve papel importante em sua trajetória recente.

Campetti também avaliou positivamente a filiação do ex-governador Rodrigo Garcia ao Republicanos. Para ele, Garcia é um “quadro qualificado” que fortalece a legenda.

O deputado afirmou que a filiação foi um movimento natural, após aproximações políticas de Garcia com Tarcísio e com Jair Bolsonaro. Na avaliação de Campetti, o ex-governador tem experiência e perfil para disputar cargos majoritários no futuro, como uma vaga no Senado.

Relação institucional com o prefeito

Ao comentar a política local, Campetti afirmou que mantém relação institucional com o atual prefeito de Rio Preto, Coronel Fábio Cândido, sem vínculos pessoais.

Segundo ele, houve uma reaproximação recente com o prefeito para tratar de demandas da cidade, já que a destinação de recursos e investimentos depende da interlocução com o chefe do Executivo municipal.

Apesar disso, o deputado afirma manter independência política e criticou decisões da gestão municipal. O principal ponto de divergência citado foi o aumento do IPTU em Rio Preto, que ele classificou como um erro e como uma medida que penaliza a população.

Campetti afirma que sua atuação política não se subordina a relações pessoais com o prefeito e que sua lealdade está voltada aos eleitores e às pautas que defende.

Disputa eleitoral e articulações

O deputado afirmou que seu foco político atual é a reeleição para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Uma eventual disputa pela Prefeitura de Rio Preto, segundo ele, não está em seus planos imediatos. “O futuro a Deus pertence”, disse.

Campetti também comentou a movimentação política envolvendo Valdomiro Lopes, conhecido como “V de Lima”, que se filiou ao Republicanos em articulação que envolve o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, e o governador Tarcísio de Freitas.

O parlamentar citou ainda a Coronel Helena como uma liderança relevante do partido na cidade, lembrando que ela esteve próxima de vencer a eleição municipal em disputas anteriores.

Atualmente, o diretório municipal do Republicanos em Rio Preto é presidido por Diego Polachini, que, segundo Campetti, garante autonomia para sua atuação política na região. O deputado ocupa a vice-presidência municipal da legenda.

Investimentos na saúde

Durante a entrevista, Campetti também destacou recursos destinados à área da saúde em Rio Preto.

Entre os investimentos citados está uma emenda parlamentar de R$ 840 mil para a aquisição de um microscópio cirúrgico da marca suíça Leica para a Santa Casa. O equipamento é utilizado em procedimentos oncológicos, neurológicos e otorrinolaringológicos, permitindo maior precisão cirúrgica.

O deputado afirma que condicionou a entrega do equipamento ao atendimento integral pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Outra iniciativa mencionada foi a viabilização de R$ 9 milhões, por meio de interlocução com o governo estadual, para a criação de um Centro Integrado de Atendimento a crianças com fissura labiopalatal no Hospital de Base (HB). O projeto busca atender cerca de 640 crianças da região, que antes precisavam se deslocar até Bauru para tratamento especializado.

Campetti também afirmou ter destinado R$ 30 milhões em recursos de custeio para a saúde municipal em um momento de necessidade financeira da prefeitura.

O parlamentar citou ainda a articulação de investimentos para o Hospital Materno Infantil de Votuporanga, projeto que deve receber cerca de R$ 35 milhões, sendo R$ 15 milhões do governo estadual. Segundo ele, a unidade deve ajudar a desafogar a demanda do Hospital da Criança e da Mulher (HCM) em Rio Preto.

De acordo com Campetti, sua atuação parlamentar somada a investimentos estaduais viabilizados pelo chamado “Gabinete 3D” resultou em cerca de R$ 65 milhões em recursos para Rio Preto, abrangendo saúde e obras de infraestrutura.

Independência política

Ao final da entrevista, Campetti reiterou que mantém postura independente no cenário político local.

“Minha lealdade é com as pautas da direita e com os eleitores que confiaram em mim”, afirmou o deputado, acrescentando que continuará criticando decisões que considere prejudiciais à população, independentemente de alianças ou relações institucionais.

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