
O Conselho de Ética do Republicanos decidiu suspender, em caráter liminar, a filiação do prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga, sob a acusação de violação aos princípios de fidelidade partidária. A medida foi adotada após a divulgação de um vídeo gravado na sede do União Brasil no município, no qual o prefeito manifesta apoio à pré-candidatura de sua esposa, Sirlange Maganhato, à Câmara dos Deputados por outra legenda.
A decisão, assinada pelo presidente do Conselho de Ética do Republicanos, vereador paulistano André Santos, considera que a conduta do prefeito possui gravidade ampliada em razão do cargo que ocupa. Segundo o despacho, a atuação de um chefe do Executivo em favor de uma candidatura vinculada a um partido adversário compromete os deveres de lealdade previstos no estatuto da sigla.
Com a medida, a filiação de Manga permanecerá suspensa até a conclusão do processo disciplinar interno. O prefeito foi notificado e terá prazo de cinco dias para apresentar sua defesa.
A representação foi protocolada pelo ex-vereador de São Paulo Atílio Francisco. No documento, ele sustenta que o estatuto do Republicanos prevê sanções para filiados que apoiem, de forma pública ou reservada, candidatos de outras legendas. O pedido apresentado ao Conselho de Ética é pela expulsão definitiva de Manga do partido.
Na representação, Atílio afirma que a manifestação pública de apoio a uma candidatura adversária “compromete a confiança interna e enfraquece a identidade partidária”, classificando a atitude como incompatível com as normas da legenda.
Até a publicação desta reportagem, Rodrigo Manga não havia se pronunciado sobre a decisão. O espaço permanece aberto para manifestação.
Figura de grande alcance nas redes sociais, Manga consolidou sua imagem nacional por meio de vídeos publicados na internet. O prefeito reúne cerca de 3,4 milhões de seguidores no TikTok e aproximadamente 4 milhões no Instagram.
Reeleito em 2024 com cerca de 73% dos votos válidos, o prefeito enfrentou uma reviravolta judicial em novembro de 2025, quando foi afastado cautelarmente do cargo por determinação da Justiça, sob o entendimento de que sua permanência poderia interferir nas investigações sobre supostas irregularidades em contratos da área da saúde de Sorocaba.
Em março deste ano, o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar restabelecendo Manga ao comando da prefeitura. Posteriormente, a decisão foi mantida pela Segunda Turma da Corte.
Paralelamente ao processo partidário, o prefeito continua sendo alvo de investigação criminal. A Procuradoria Regional da República ofereceu denúncia contra Manga pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro, fraude em licitações e contratação ilegal. As acusações têm como base elementos reunidos na Operação Copia e Cola, conduzida pela Polícia Federal.
A defesa do prefeito nega todas as acusações e sustenta que não houve qualquer prática ilícita por parte de Rodrigo Manga.
