PODCAST – Às vésperas da licitação do lixo, Semae projeta R$ 130 milhões em investimentos e amplia protagonismo no saneamento de Rio Preto

Rodrigo Lima

Às vésperas do vencimento do contrato de coleta de lixo, previsto para junho, o Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto (Semae) de São José do Rio Preto acelera a preparação da nova licitação para resíduos sólidos – processo que deve movimentar cerca de R$ 100 milhões por ano e se tornar um dos principais desafios administrativos da autarquia em 2026.

A discussão ocorre em meio à ampliação formal das atribuições do Semae, que, com o novo marco legal do saneamento (Lei 14.026/2020), passou a atuar como autarquia plena de saneamento, responsável por quatro frentes: abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos sólidos e drenagem urbana.

“O contrato atual vence em junho e estamos finalizando a modelagem para publicar a nova licitação”, afirmou o diretor-geral de gestão do Semae, Ibrahim Karam Júnior, em entrevista ao podcast Diário do Rodrigo Lima. “É um serviço essencial, que não pode sofrer interrupção.”

Hoje, o município recolhe cerca de 14 mil toneladas de resíduos domiciliares por mês, com 25 caminhões da Constroeste operando diariamente. Do total coletado, aproximadamente 30% seguem para triagem e reciclagem; os outros 70% são destinados ao aterro sanitário, após transbordo.

O Semae é responsável apenas pelos resíduos domiciliares. A varrição permanece com a Secretaria de Meio Ambiente; resíduos da construção civil e volumosos ficam sob responsabilidade da Secretaria de Serviços Gerais; e resíduos de saúde continuam sob gestão ambiental específica.

Investimento triplicado

Paralelamente à licitação do lixo, o Semae projeta investir cerca de R$ 130 milhões em 2026 – valor três vezes superior ao executado no ano anterior.

Entre as principais obras está a recuperação estrutural dos reatores UASB (Reatores Anaeróbicos de Fluxo Ascendente) da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), em um contrato estimado em R$ 60 milhões. A intervenção prevê impermeabilização completa das estruturas, hoje afetadas por fissuras e desgaste decorrente do ambiente altamente corrosivo.

“A legislação exige eficiência mínima de 80% na remoção de carga orgânica. Trabalhamos com 97% a 98%”, afirmou Karam. Segundo ele, a modernização deve ampliar a segurança operacional e ambiental por até quatro décadas.

Drenagem e reorganização administrativa

Desde setembro de 2025, o Semae também passou a responder pela drenagem urbana. No último trimestre do ano passado, foram limpas mais de 500 bocas de lobo, além de canais e piscinões. A autarquia implementou ainda o georreferenciamento desses dispositivos, com numeração e histórico de manutenção.

Projetos estruturais, como intervenções em pontos críticos de alagamento – entre eles trechos da avenida Murchid Homsi – ainda passam por avaliação técnica e compatibilização orçamentária.

Segurança hídrica e perdas abaixo da média

O abastecimento da cidade é composto por 60% de água do Aquífero Bauru, 20% do Aquífero Guarani e 20% da represa municipal – percentual que pode cair para cerca de 12% em períodos de estiagem.

Segundo o Semae, a perda de água tratada na distribuição está abaixo de 20%, enquanto a média nacional é de aproximadamente 40% e a paulista gira em torno de 32%. A redução decorre de substituição de redes antigas, controle de pressão, caça a vazamentos e renovação do parque de hidrômetros.

A autarquia opera atualmente 389 poços do Aquífero Bauru e nove do Guarani, com previsão de ativação de mais um poço profundo nos próximos meses.

Licitação sob expectativa

A nova concorrência para resíduos sólidos deverá consolidar o papel ampliado do Semae no modelo de saneamento integrado. Para a gestão municipal, o desafio é estruturar um contrato robusto, tecnicamente adequado e financeiramente sustentável.

Com investimentos elevados e uma licitação estratégica no horizonte, o Semae entra em 2026 sob pressão para manter a eficiência técnica e responder às expectativas de uma cidade que cresceu e exige infraestrutura à altura.

No centro do debate, mais do que água e esgoto, está a capacidade de o município organizar o ciclo completo do saneamento – da torneira ao aterro.

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