VEJA VÍDEO – Haddad critica gestão de Tarcísio, faz ataques ao Coronel Fábio e defende reorganização da saúde em visita ao HB

Rodrigo Lima

Em sua primeira agenda pública na região de São José do Rio Preto como pré-candidato ao Governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) concentrou críticas ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao prefeito de Rio Preto, coronel Fábio Candido (PL), e apresentou propostas para as áreas de saúde, segurança pública e gestão estadual.

A visita ocorreu nesta sexta-feira (17), no Hospital de Base, administrado pela Funfarme, referência em atendimento de alta complexidade para mais de uma centena de municípios do noroeste paulista.

Questionado pelo Diário do Rodrigo Lima sobre a estratégia para conquistar votos em uma região tradicionalmente identificada com o eleitorado de direita e considerada um dos principais redutos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Estado, Haddad iniciou a resposta direcionando críticas à administração municipal.

“Rio Preto está sendo governada por um prefeito apoiado pelo Bolsonaro que está com muita dificuldade. Realmente deixou a cidade em uma situação muito precária. Há uma reação muito grande da população”, afirmou o pré-candidato a governador do PT.

Sem apresentar dados para sustentar a avaliação, o petista disse acreditar que o cenário político local favorecerá um debate mais amplo sobre a gestão estadual durante a campanha eleitoral.

Na sequência, ampliou as críticas ao governador Tarcísio de Freitas, afirmando que há insatisfação de prefeitos do interior com a atuação do governo estadual.

Segundo Haddad, faltam investimentos em estradas vicinais, apoio financeiro à saúde municipal e melhorias na educação pública. Ele também criticou a distribuição de responsabilidades entre Estado e municípios em áreas como atendimento pré-hospitalar e segurança pública.

Hospital de Base não deveria atender casos simples, diz Haddad

Grande parte da entrevista foi dedicada ao sistema público de saúde.

Ao comentar a elevada demanda enfrentada pelo Hospital de Base, Haddad afirmou que hospitais especializados em alta complexidade acabam sobrecarregados por pacientes que poderiam ser atendidos em estruturas regionais de menor porte.

Na avaliação do petista, a solução passa por reorganizar a rede estadual e fortalecer unidades intermediárias.

“Baixa e média complexidade não deveriam estar sendo atendidas por hospitais desse tipo. Você acaba ocupando um equipamento destinado aos casos mais graves com procedimentos que poderiam ser resolvidos em hospitais-dia ou unidades especializadas”, afirmou Haddad.

Ele citou a experiência implantada durante sua gestão na Prefeitura de São Paulo, quando foram criadas unidades voltadas para procedimentos cirúrgicos de menor complexidade, reduzindo internações prolongadas.

Haddad também defendeu maior integração entre Estado e municípios na gestão das filas do SUS.

Segundo ele, a falta de compartilhamento de informações gera retrabalho, duplicidade de atendimentos e pior aproveitamento da estrutura hospitalar existente.

Saúde digital e inteligência artificial

Durante a visita à Funfarme, Haddad elogiou os projetos desenvolvidos pela instituição na área de saúde digital e afirmou que pretende ampliar o uso de tecnologia no SUS paulista.

O pré-candidato defendeu a adoção de prontuários eletrônicos integrados, sistemas inteligentes de classificação de risco e utilização de inteligência artificial para definir prioridades de atendimento.

Na avaliação dele, ferramentas digitais podem reduzir filas, antecipar diagnósticos e evitar agravamentos clínicos provocados pela demora no acesso aos serviços de saúde.

Segurança

Na área de segurança pública, Haddad afirmou que sua principal preocupação em relação à Polícia Militar não é ampliar o número de policiais nas ruas, mas reorganizar o sistema de inteligência.

Segundo ele, o patrulhamento precisa ser orientado por informações produzidas em tempo real.

“O Estado está sempre correndo atrás do criminoso. Não previne. O patrulhamento precisa acompanhar a dinâmica do crime quase em tempo real”, afirmou Haddad.

Para isso, defendeu informatização completa dos boletins de ocorrência, cruzamento automatizado de dados e maior integração entre as forças policiais.

Em relação à Polícia Civil, reconheceu que existe déficit de efetivo e afirmou que pretende discutir uma política de valorização da carreira, além de revisar procedimentos administrativos para aumentar a eficiência investigativa.

Haddad também propôs ampliar a cooperação entre a Polícia Civil, a Polícia Federal, o Coaf, a Receita Federal e o Ministério Público no enfrentamento ao crime organizado.

Interior no centro da disputa

Questionado sobre as dificuldades históricas do PT em ampliar sua votação no interior paulista, Haddad afirmou que pretende concentrar a campanha na comparação entre promessas e resultados do governo estadual.

Segundo ele, áreas como segurança pública, educação, saneamento e população em situação de rua demonstrariam, em sua avaliação, um desempenho inferior ao prometido durante a campanha de Tarcísio.

O petista afirmou que seu principal desafio será fazer essas informações chegarem ao eleitor do interior.

“Se nós conseguirmos explicar de maneira organizada aquilo que foi prometido e aquilo que foi efetivamente entregue, caberá ao eleitor fazer seu julgamento”.

Pré-campanha

A agenda em Rio Preto integra a fase inicial de articulação política de Haddad no interior do Estado, região considerada estratégica para qualquer candidatura ao Palácio dos Bandeirantes.

Historicamente, o noroeste paulista registra votações expressivas para candidatos de direita nas disputas estaduais e presidenciais. A aposta do PT é ampliar sua presença em cidades médias e reduzir a diferença obtida por adversários em eleições anteriores.

A visita também buscou aproximar o pré-candidato de um dos principais polos de saúde pública do Estado, utilizando o Hospital de Base e a estrutura da Funfarme como referências para apresentar propostas voltadas à regionalização do atendimento, digitalização do SUS e reorganização da rede hospitalar paulista.

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