São José do Rio Preto viveu um momento de forte impacto emocional e anúncio estrutural na saúde pública nesta sexta-feira (24). Ao iniciar uma coletiva para divulgar o maior mutirão de exames já realizado no município, o prefeito Coronel Fábio Cândido interrompeu o tom institucional e se emocionou ao falar sobre a morte de uma criança de 2 anos após atendimento na UPA Norte.
Visivelmente abalado, o prefeito pediu desculpas e afirmou que o caso atingiu profundamente toda a cidade. Disse que a gestão trata cada morador como parte de uma grande família e determinou a abertura imediata de uma apuração rigorosa sobre o atendimento. Também manifestou solidariedade à família da criança, em um trecho que marcou o início da coletiva.
A declaração abriu espaço para um anúncio considerado estratégico pela administração municipal: um mutirão inédito para reduzir drasticamente a fila por exames na rede pública.
Segundo a Prefeitura, cerca de 63 mil exames estão represados, com pacientes aguardando há anos – alguns desde 2018. A proposta é zerar essa demanda em até 90 dias por meio de um modelo emergencial que inclui unidades móveis equipadas, instaladas em pontos estratégicos da cidade. CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR AO VÍDEO.
O investimento previsto é de aproximadamente R$ 12 milhões, com expectativa de ressarcimento posterior pelo Ministério da Saúde, dentro de programas federais voltados à ampliação do acesso a diagnósticos.
O secretário municipal de Saúde detalhou que o mutirão não se limitará à realização de exames isolados. O modelo prevê um ciclo completo de atendimento, com diagnóstico, retorno médico e encaminhamento para tratamento, evitando que o paciente volte a enfrentar novas filas dentro do sistema.
Entre os procedimentos ofertados estão exames de imagem como raio-X, ultrassonografias, tomografias, além de exames mais complexos, conforme a demanda identificada pela Secretaria.
A estratégia inclui contato direto com os pacientes que já estão na fila, priorizando casos antigos e organizando o fluxo para garantir agilidade. A meta, segundo a gestão, é não apenas reduzir a espera, mas evitar agravamento de quadros clínicos e possíveis desfechos mais graves.
O anúncio ocorre em um contexto de pressão sobre o sistema de saúde e ganha ainda mais relevância diante do episódio que abalou a cidade. Ao conectar a dor recente com a necessidade de resposta estrutural, o prefeito reforçou que investimentos na área são fundamentais para preservar vidas.
A investigação sobre a morte da criança segue em andamento, tanto na esfera policial quanto administrativa. Paralelamente, o mutirão deve começar nas próximas semanas e é tratado pela Prefeitura como uma das principais ações da atual gestão na área da saúde.
