DEIC de Rio Preto cumpre 18 mandados em MT contra grupo investigado por golpe de R$ 800 mil

Rodrigo Lima

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta quarta-feira (22), a Operação Mimetismo, que cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em Cuiabá e na região metropolitana da capital de Mato Grosso contra um grupo investigado por integrar uma organização criminosa especializada no chamado “golpe do falso intermediário”, modalidade de estelionato eletrônico que tem causado prejuízos milionários em diferentes regiões do país.

A ação foi conduzida pela 3ª Equipe da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais) de São José do Rio Preto, vinculada ao Deinter-5, e integra a Operação CyberConect 6, voltada ao combate aos crimes cibernéticos. A operação contou com apoio do Setor de Combate ao Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (SECCOLD) da DEIC e da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá.

Segundo a Polícia Civil, a investigação teve início após um pecuarista de São José do Rio Preto ser vítima de um golpe superior a R$ 800 mil durante a negociação para compra de um lote de gado de corte.

A partir da análise de movimentações financeiras e do rastreamento das contas bancárias utilizadas para receber os valores desviados, os investigadores identificaram os principais suspeitos, todos residentes em Cuiabá.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais buscaram apreender aparelhos celulares, documentos, dinheiro e outros materiais considerados relevantes para o avanço das investigações. O objetivo também é identificar novos integrantes da organização criminosa e aprofundar o mapeamento da estrutura do grupo.

Conforme as apurações, os investigados possuem, em tese, ligação com uma facção criminosa com atuação em Mato Grosso. A informação, segundo a Polícia Civil, reforça a hipótese de uma organização estruturada, com divisão de funções entre seus integrantes e atuação interestadual.

Como funciona o golpe

O chamado “golpe do falso intermediário” ocorre quando criminosos interceptam negociações legítimas de compra e venda de bens, principalmente veículos, imóveis, máquinas e animais.

Os suspeitos se apresentam como intermediadores da negociação e mantêm contato simultâneo com comprador e vendedor, manipulando as informações repassadas entre as partes. Com isso, convencem a vítima a realizar a transferência do pagamento para contas bancárias controladas pela organização criminosa, sem que comprador e vendedor percebam a fraude até a conclusão da negociação.

Segundo a Polícia Civil, trata-se de uma modalidade de estelionato eletrônico sofisticada, executada de forma remota e geralmente praticada por grupos especializados, que utilizam ferramentas digitais para ocultar a identidade dos envolvidos e dificultar o rastreamento dos recursos.

Investigações continuam

A Polícia Civil informou que a Operação Mimetismo representa uma nova etapa das investigações e que o inquérito prossegue para identificar todos os envolvidos, dimensionar a extensão da atuação da organização criminosa e verificar a existência de outras vítimas em diferentes estados.

O material apreendido durante as buscas será submetido à perícia e deverá subsidiar o aprofundamento das investigações sobre o esquema criminoso.

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