Biometano avança no interior e projeta Rio Preto como polo regional de energia limpa

Rodrigo Lima
Biometano avança no interior de SP e ganha espaço na estratégia de transição energética/imagem – divulgação

A produção de biometano a partir de resíduos agroindustriais avança no interior paulista e ganha importância estratégica na transição energética do Estado. Ao longo de agenda na região central, a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Natália Resende, visitou a usina da São Martinho, em Américo Brasiliense, e discutiu a expansão do combustível em encontro com empresários em Ribeirão Preto.

A agenda também reforçou o papel do noroeste paulista – com destaque para São José do Rio Preto – na atração de novos investimentos em logística, distribuição e consumo de biometano, consolidando a região como um eixo relevante para o crescimento sustentável.

Em Américo Brasiliense, a secretária conheceu a usina Santa Cruz, do Grupo São Martinho, que produz biometano a partir da vinhaça gerada na produção de etanol de cana-de-açúcar. Em operação desde outubro, a unidade tem capacidade para produzir cerca de 15 milhões de metros cúbicos por safra, o equivalente a aproximadamente 70 mil metros cúbicos por dia. Parte da vinhaça biodigerida pode ser reaproveitada como adubo, reforçando práticas de economia circular.

“Com esse volume, o uso do biometano da São Martinho tem potencial para evitar a emissão de até 32 mil toneladas equivalentes de gases de efeito estufa”, explicou Agenor Cunha Pavan, vice-presidente e superintendente agroindustrial da companhia. O combustível já está conectado ao sistema de distribuição por gasoduto, atendendo a região de Ribeirão Preto e cidades do noroeste paulista, via Necta Gás Natural.

Para Natália Resende, a produção e a injeção direta do biometano na rede de gás canalizado representam um marco para a transição energética regional. “São Paulo já possui capacidade instalada de 500 mil metros cúbicos por dia, com oito plantas autorizadas, e deve chegar a 700 mil metros cúbicos até o final do próximo ano”, afirmou, destacando geração de empregos e fortalecimento econômico no interior.

À tarde, a comitiva seguiu para Ribeirão Preto, onde a secretária esteve na sede da Necta Gás Natural. Durante o encontro com empresários e parlamentares, foram apresentados projetos voltados à descarbonização, à interconexão de plantas de biometano e à logística de veículos pesados.

Os investimentos planejados contemplam especialmente o noroeste paulista, com foco em municípios como São José do Rio Preto, que tende a se consolidar como polo regional de distribuição e consumo do combustível. A ampliação da rede canalizada deve beneficiar setores industriais, de serviços e transporte, com impacto na geração de empregos e redução de emissões.

“Estamos avançando para transformar resíduos em energia limpa e criar soluções práticas para a descarbonização”, afirmou José Eduardo Moreira, CEO da Necta, destacando o compromisso de ampliar a integração do biometano à rede.

Rio Preto como referência regional

Considerada um dos principais centros econômicos do interior, São José do Rio Preto reúne atividades ligadas ao agronegócio, logística, saúde e comércio – setores com forte potencial de adoção do biometano para redução de custos operacionais e modernização das frotas. A expectativa é que o município funcione como hub de distribuição para cidades vizinhas, fortalecendo toda a cadeia produtiva.

Biometano ganha escala no Estado

São Paulo concentra algumas das principais iniciativas do país. Em 2025, Presidente Prudente tornou-se o primeiro município a ser abastecido integralmente com biometano, produzido pela Usina Cocal e comercializado pela Necta. Em Paulínia, a maior planta do Brasil transforma resíduos urbanos de 35 cidades em energia limpa, por meio de investimento de R$ 450 milhões no Ecoparque Orizon VR.

Essas ações integram a política estadual de valorização de resíduos, em sinergia com o programa Integra Resíduos, que reúne 344 municípios e prioriza o aproveitamento energético.

Como resultado, 59% da matriz energética paulista é composta por fontes renováveis. Na matriz elétrica, o índice alcança 96%, um dos mais altos do mundo. Com a consolidação de polos regionais como São José do Rio Preto, o Estado reforça um modelo que combina sustentabilidade, competitividade e inovação.

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