Durante a comemoração dos 24 anos do Semae (Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto), o prefeito Coronel Fábio Cândido fez declarações duras sobre o contrato de empréstimo de R$ 649 milhões assinado pela administração anterior do ex-prefeito Edinho Araújo (MDB) para a obra de captação de água do Rio Grande. Ele classificou o ato como “grave e antiético” e garantiu que a população não será onerada.
O contrato, fechado no final da gestão passada, previa que a Prefeitura arcasse com multa de 2% do valor total em caso de rescisão – cerca de R$ 13 milhões. Cândido, no entanto, assegurou que já está em negociação com a Caixa Econômica Federal para que não haja desembolso por parte do município:
“Esse empréstimo foi feito ao apagar das luzes, sem comunicar o governo de transição. Já pedimos a rescisão e estamos discutindo contrapartidas. Nossa convicção é de que não vamos pagar absolutamente nada. Se precisar, vamos judicializar.”
Captação de água: novo modelo
Embora tenha descartado o empréstimo, o prefeito reconheceu a importância do projeto de captação do Rio Grande. Segundo ele, o governo estadual, por meio do programa Universaliza São Paulo, financiará os estudos de necessidade e viabilidade da obra, sem custo para Rio Preto.
Com base nesse diagnóstico, será estruturado um novo modelo de Parceria Público-Privada (PPP) para viabilizar o investimento:
“Muito provavelmente faremos a captação por meio de PPP, onde o Semae despenderia um valor muito menor que os R$ 649 milhões. E repito: PPP não é privatização. O município continuará na gestão e fiscalização.”
“Não há privatização”
O prefeito também voltou a negar qualquer intenção de privatizar o Semae. Ao contrário, anunciou que a autarquia terá ampliação de atribuições, passando a incluir os serviços de drenagem urbana e coleta de resíduos sólidos.
“Reiteradamente já falei: não vamos privatizar. Estamos ampliando o escopo do Semae, fortalecendo ainda mais essa autarquia.”
Durante a entrevista, Coronel Fábio anunciou ainda uma parceria com a empresa Necta Biogás para transformar o lodo da captação de água em biometano, energia capaz de abastecer o próprio Semae:
“Hoje gastamos R$ 50 milhões por ano em energia elétrica. O projeto vai tornar o Semae autossuficiente, gerando energia limpa e reduzindo custos.”
Novos avanços na gestão
O prefeito também lembrou as recentes medidas administrativas, como a criação da Secretaria de Direitos Humanos, dois novos conselhos tutelares e o fortalecimento de políticas de equidade racial, além de reuniões estratégicas em São Paulo para garantir novos investimentos.
