
Em atos distintos em Rio Preto, prefeito, vice e deputado estadual eleito trocaram críticas aos adversários na véspera do segundo turno
O prefeito de São José do Rio Preto, Coronel Fábio Candido (PL), e o vereador e deputado estadual eleito João Paulo Rillo (PT) apresentaram expectativas opostas para o segundo turno da eleição presidencial durante atos de campanha neste sábado (24). Enquanto o prefeito apostou na vitória de Flávio Bolsonaro e prometeu interlocução direta com um eventual governo do aliado, o petista afirmou esperar uma virada de Lula.
O vice-prefeito Fábio Marcondes (PL) também participou da mobilização bolsonarista e projetou ampliar a votação de Flávio no município. As declarações foram dadas em entrevistas ao Diário do Rodrigo Lima, na véspera da votação deste domingo (25).
Os apoiadores de Flávio se concentraram na Plaza de España. A mobilização petista ocorreu na praça Rui Barbosa, no Centro.
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Fábio promete ponte com o Planalto
Candido associou uma eventual eleição de Flávio à possibilidade de ampliar a obtenção de recursos federais para Rio Preto.
“Eu vou estar lá no Palácio do Planalto para que a gente traga recursos aqui para o nosso município”, afirmou.
O prefeito disse que a cidade teria um “verdadeiro tapete verde e amarelo” até a Presidência. Na entrevista, não especificou projetos, valores ou compromissos de repasses.
Questionado sobre a ideia de “enterrar o PT”, em referência ao caixão com alusão ao partido exibido na manifestação, respondeu: “Amanhã, literalmente, nós enterramos o PT no Brasil”.
Na sequência, descreveu a mudança de governo que defende como uma “nova independência do Brasil”. Também atacou adversários municipais, classificando a oposição como “nefasta para a cidade”, sem identificar pessoas ou detalhar episódios naquele momento.
Marcondes projeta superar 70%
O vice-prefeito afirmou que a mobilização demonstrava a força do bolsonarismo no município. Segundo ele, Flávio recebeu mais de 60% dos votos locais no primeiro turno. Para o segundo, apresentou como meta superar 70%.
“Agora vamos passar aos 70%”, declarou, sem citar pesquisa que sustentasse a projeção.
Marcondes avaliou que o debate de sexta-feira (23) mostrou preparo de Flávio e criticou o desempenho de Lula. Também fez acusações de corrupção contra o presidente, sem mencionar casos específicos na entrevista.
Candido compartilhou a avaliação favorável ao candidato do PL e atribuiu, como opinião pessoal, nota 9,9 a Flávio e 0,9 a Lula.
Rillo fala em virada e defesa da democracia
No ato petista, Rillo afirmou que esperava uma vitória de Lula após um período de intensificação da campanha.
“É de virada”, respondeu ao ser questionado sobre a expectativa para domingo.
O deputado estadual eleito atribuiu seu otimismo ao diálogo com eleitores, à mobilização da militância e à circulação de informações sobre o adversário. Disse perceber deslocamento de parte do eleitorado de Flávio para Lula, mas não citou levantamentos na entrevista.
Rillo apresentou a eleição como uma disputa sobre a preservação da democracia e destacou a diversidade dos apoios ao presidente.
“O Lula teve apoio da esquerda, do campo progressista, dos humanistas, do centro e da direita democrática”, afirmou.
O petista também fez ataques pessoais a Flávio e o acusou de ligação com milícias, sem apresentar elementos comprobatórios durante a conversa. Ao comentar o debate, defendeu a trajetória de Lula e associou o adversário ao movimento político do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Disputa municipal
Questionado sobre manifestações da militância em favor de uma candidatura sua à Prefeitura em 2028, Rillo afirmou ter disposição para discutir o assunto. Não anunciou, porém, uma candidatura.
“Eu tenho toda a disposição de fazer esse debate”, disse.
O vereador afirmou que a prioridade é concluir o mandato municipal e manter a fiscalização da administração Candido. Também declarou que pretende intensificar sua atuação em Rio Preto ao assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Rillo criticou a parceria público-privada Smart Rio Preto e afirmou que o projeto comprometeria R$ 1,7 bilhão ao longo do contrato, valor que classificou como endividamento. A cifra e essa caracterização foram apresentadas pelo parlamentar, sem documentação na entrevista.
Ele também fez uma acusação sobre a situação judicial de uma pessoa que, segundo seu relato, teria atuado na modelagem de PPPs. O trecho fornecido não identifica essa pessoa nem apresenta documentos que permitam verificar a alegação.
As críticas à gestão municipal não foram respondidas nas entrevistas do prefeito e do vice disponibilizadas à reportagem. As falas dos três ocorreram em contexto de campanha, antes da definição do resultado nas urnas.

