O professor Israel Lisboa Júnior foi condenado nesta quinta-feira (18) a oito anos e dois meses de prisão em regime fechado, acusado de avançar com o carro contra um bloqueio de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022. O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri de Mirassol. Ele poderá recorrer em liberdade.
O episódio aconteceu em 2 de novembro de 2022, no km 450 da rodovia Washington Luís (SP-310). Israel dirigia um Volkswagen Fox em direção a São José do Rio Preto quando se deparou com a interdição. De acordo com a denúncia, após tentar manobrar pelo canteiro central, ele acelerou contra a multidão, atingindo 14 manifestantes e dois policiais militares que participavam da ação.
O Ministério Público denunciou o professor por 16 tentativas de homicídio qualificadas, sustentando que ele assumiu o risco de provocar mortes ao avançar contra o grupo, o que caracterizaria dolo eventual. O juiz Marcos Takaoka, da 3ª Vara de Mirassol, acolheu em parte a acusação, mas os jurados afastaram a qualificadora. As tentativas de homicídio foram reconhecidas como simples, e a pena fixada em regime fechado, mas unificada em um único cálculo em razão da continuidade delitiva.
Israel chegou a ser preso em flagrante no dia do atropelamento, mas foi solto quatro meses depois, por decisão judicial. A defesa pediu a absolvição, alegando legítima defesa e ausência de dolo, além de tentar desclassificar a conduta para crime culposo.
Em nota, a advogada do professor afirmou que vai recorrer da decisão.
