A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 468 ampolas de tirzepatida – princípio ativo utilizado em medicamentos para diabetes e controle de peso – durante uma abordagem na BR-153, em São José do Rio Preto (SP), na tarde desta quarta-feira. Quatro pessoas foram detidas, entre elas uma adolescente de 14 anos. O grupo foi encaminhado à Delegacia da Polícia Federal de Rio Preto, onde o caso segue em apuração.
De acordo com a PRF, a carga saiu de Foz do Iguaçu (PR) e tinha como destino Montes Claros (MG). Os agentes suspeitaram do material ao verificar o acondicionamento e a ausência de documentação sanitária e fiscal que comprovasse a origem e a regularidade do transporte.
A tirzepatida, comercializada no Brasil mediante prescrição e controle rigoroso, é indicada principalmente para o tratamento de diabetes tipo 2 e, em alguns países, também para manejo de obesidade. O medicamento é alvo de crescente procura e, por isso, passou a integrar o circuito de contrabando e falsificação.
Mercado bilionário e risco de fraude
Com base em tabelas oficiais de preço e nas apresentações disponíveis em farmácias brasileiras, especialistas consultados pelas autoridades estimam que o valor da carga – se fosse adquirida legalmente – pode variar entre R$ 374 mil e R$ 468 mil, a depender da dosagem e da forma de embalagem.
A Polícia Federal apura se as ampolas são originais, adulteradas ou fabricadas de maneira clandestina. A suspeita de falsificação é um dos focos da investigação.
Cadeia irregular e ameaça à saúde
A tirzepatida só pode ser vendida em farmácias e distribuidoras autorizadas, com receita médica e controle de lote e armazenamento. Fora desse circuito, o risco cresce.
Medicamentos transportados sem controle de temperatura, sem registro sanitário ou sem rastreabilidade podem conter dosagens incorretas, substâncias contaminantes ou até compostos sem princípio ativo. A ingestão ou aplicação pode provocar reações adversas graves e, em casos extremos, levar à morte.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça que produtos adquiridos via contrabando — inclusive aqueles trazidos do exterior por rotas ilegais — não têm garantia de eficácia, qualidade ou segurança.
Investigação
As quatro pessoas detidas prestaram depoimento à Polícia Federal. As circunstâncias do transporte, a origem do material e o destino final ainda serão apurados. Dependendo das conclusões, os envolvidos podem responder por crimes como contrabando, falsificação de produtos destinados a fins terapêuticos e associação criminosa.
A PRF informou que intensificará fiscalizações em trechos de grande circulação na região.
