VEJA VÍDEO – PF mira esquema que movimentou R$ 460 milhões com contrabando de eletrônicos na região

Rodrigo Lima

Operação Dux cumpre mandados em cinco cidades do interior paulista, bloqueia patrimônio e apura crimes de contrabando, descaminho, organização criminosa e lavagem de dinheiro

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (20) a Operação Dux, destinada a desarticular um esquema suspeito de importar e comercializar clandestinamente produtos estrangeiros, principalmente aparelhos eletrônicos, em São José do Rio Preto e outras cidades do interior de São Paulo.

Segundo a PF, o grupo investigado movimentou cerca de R$ 460 milhões em cinco anos. A apuração identificou operações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada por parte dos investigados e indícios do uso de terceiros e empresas para ocultação de patrimônio.

A operação prevê o cumprimento de 36 mandados de busca e apreensão em Rio Preto, Catanduva, Olímpia, Severínia e Franca. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara Federal de São José do Rio Preto.

Além das buscas, a Justiça determinou a indisponibilidade de bens e valores, a aplicação de medidas cautelares e a suspensão de perfis em redes sociais que, segundo a investigação, eram utilizados para oferecer os produtos.

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Investigação começou com apreensões de eletrônicos

A investigação teve início em 2024 depois que pequenas apreensões de aparelhos eletrônicos começaram a chegar ao plantão da Polícia Federal em Rio Preto.

Com o aprofundamento das diligências, os investigadores passaram a trabalhar com a hipótese de que os episódios não eram isolados e faziam parte de uma estrutura organizada para trazer mercadorias estrangeiras irregularmente e distribuí-las no comércio regional.

Segundo a PF, os produtos eram buscados na região de fronteira com o Paraguai e transportados em veículos, inclusive com utilização de compartimentos destinados a ocultar as mercadorias. Depois de chegarem a Rio Preto, os eletrônicos seriam distribuídos para revenda.

A investigação identificou apreensões anteriores envolvendo grandes quantidades de celulares. Segundo os delegados, houve casos de lotes com até 300 iPhones.

Grupo de WhatsApp e venda pelas redes sociais

A Polícia Federal afirma ter identificado uma estrutura de comunicação utilizada por pessoas responsáveis pelo transporte das mercadorias e por quem contratava esses serviços.

Entre os elementos encontrados está um grupo de WhatsApp chamado “Sindicato dos Freteiros”, no qual eram discutidos valores e percentuais relacionados ao transporte das cargas, segundo a investigação.

As redes sociais também seriam um dos principais meios utilizados para anunciar os produtos. Por determinação judicial, perfis vinculados à atividade investigada deverão ser suspensos.

Segundo a PF, a comercialização não ficava restrita à região de Rio Preto e alcançava compradores de diferentes partes do país.

Medicamentos e anabolizantes apreendidos

Embora o foco inicial da investigação fossem os eletrônicos, as buscas desta terça-feira também resultaram na apreensão de medicamentos estrangeiros sem comprovação de importação regular e anabolizantes.

A Polícia Federal apura se parte da estrutura usada para trazer eletrônicos passou também a ser utilizada para comercializar outros produtos de origem estrangeira.

Três prisões em flagrante foram registradas durante a operação. Duas delas estão relacionadas à apreensão de medicamentos e anabolizantes e outra envolve arma de fogo e entorpecentes, segundo informações apresentadas pela PF.

Justiça determina bloqueio milionário

A investigação também se concentra na movimentação financeira do grupo.

Segundo a Polícia Federal, há casos em que valores movimentados chegaram a dezenas de milhões de reais enquanto a renda declarada era significativamente inferior.

A Justiça autorizou medidas de indisponibilidade patrimonial que se aproximam de R$ 400 milhões, segundo os investigadores.

A PF afirma que existem indícios de lavagem de dinheiro, mas essa frente deverá ser aprofundada em uma nova etapa da investigação. O inquérito que originou a Operação Dux concentrou-se inicialmente nos crimes de organização criminosa, contrabando e descaminho.

Carros e eletrônicos são apreendidos

Durante as buscas, foram apreendidos veículos, aparelhos eletrônicos e outros materiais considerados relevantes para a investigação.

Parte dos automóveis deverá passar por análise para verificar a propriedade, já que alguns podem pertencer a terceiros e ter sido deixados em consignação. Nesses casos, os veículos poderão ser restituídos após comprovação documental.

A investigação também identificou pontos de comercialização mantidos em imóveis localizados em condomínios residenciais. Segundo a PF, compradores faziam contato previamente e retiravam os produtos nesses locais.

Ao todo, 17 pessoas são investigadas. Oito deverão cumprir medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica.

A Polícia Federal informou que a operação não encerra a investigação. Os materiais apreendidos serão analisados, e uma nova etapa deverá aprofundar a origem e o destino dos recursos, os possíveis crimes de lavagem de dinheiro e a identificação de fornecedores da estrutura investigada.

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