Em entrevista ao podcast Diário do Rodrigo Lima, Hilton Fabbri diz que a cidade ainda tem demanda reprimida, prevê continuidade da expansão imobiliária e revela que empreendimento já superou 60% das unidades vendidas
O crescimento acelerado do mercado imobiliário de São José do Rio Preto não representa, pelo menos no curto prazo, um risco de saturação. A avaliação é do empresário Hilton Fabbri, CEO da Hugo Fabbri Incorporadora, que participou do podcast Diário do Rodrigo Lima e apresentou sua visão sobre o futuro da construção civil, a valorização dos imóveis e os fatores que impulsionaram a expansão do setor na cidade.
Durante a entrevista, o empresário afirmou que o mercado imobiliário local passou décadas enfrentando limitações de infraestrutura e legislação urbanística. Segundo ele, a superação desses obstáculos criou as condições para a atual multiplicação de empreendimentos residenciais.
Fabbri foi questionado sobre a possibilidade de a oferta de novos apartamentos ultrapassar a capacidade de absorção do mercado.
A resposta foi enfática: na avaliação do incorporador, o crescimento ainda está em sua fase inicial.
“Se ninguém lançar mais nada, daqui a 12 meses não tem mais imóvel para vender”, afirmou, ao comentar os estoques do setor. O empresário não apresentou, durante a entrevista, os dados detalhados que fundamentam essa estimativa.
Para ele, a expansão resulta de uma combinação de demanda acumulada, melhorias no saneamento básico e mudanças nas regras de ocupação urbana.
Infraestrutura e Plano Diretor mudaram o cenário
Formado em Engenharia Civil pela Unesp de Ilha Solteira em 1991, Hilton Fabbri iniciou sua trajetória profissional em empresas como Tigre e Incol, antes de desenvolver seus próprios negócios.
Segundo seu relato, o empreendedorismo começou por necessidade, na década de 1990, com o desenvolvimento de tecnologias e sistemas construtivos.
Em 1995, passou a prestar serviços para a Rodobens Engenharia. No início dos anos 2000, começou a investir em empreendimentos próprios.
O empresário recordou que, naquele período, a construção civil em Rio Preto enfrentava dificuldades relacionadas ao abastecimento de água, ao tratamento de esgoto e às regras de zoneamento.
De acordo com ele, essas limitações dificultavam o financiamento de projetos e restringiam o crescimento do setor.
Fabbri apontou a revisão do Plano Diretor, aprovada em 2021, e os avanços na infraestrutura de saneamento como fatores determinantes para a mudança do cenário a partir de 2022.
Na avaliação do empresário, as novas condições permitiram ampliar a ocupação dos vazios urbanos e estimular a construção de edifícios residenciais em áreas já integradas à cidade.
‘Não vejo qualquer tipo de fadiga’, diz empresário
Ao analisar o futuro do setor, Fabbri afirmou que não identifica sinais de esgotamento da demanda no horizonte próximo.
“Eu não vejo no horizonte, no curto prazo, e a gente tem muita pesquisa sobre isso, qualquer tipo de fadiga, não”, declarou.
O empresário também mencionou a proporção de imóveis alugados em Rio Preto como um indicativo de oportunidades para o mercado.
Segundo os números citados por ele, aproximadamente um terço dos domicílios da cidade seria ocupado por inquilinos, proporção superior à média nacional mencionada na entrevista. Os percentuais não foram acompanhados da identificação das pesquisas utilizadas.
Apesar do otimismo, Fabbri reconheceu dificuldades para a continuidade da expansão, especialmente o custo de produção e a escassez de trabalhadores na construção civil.
Ele também afirmou que determinadas exigências urbanísticas, embora contribuam para a qualidade de vida, elevam os custos dos empreendimentos.
Localização supera metragem e preço na decisão de compra
Outro tema abordado foi a mudança no perfil dos consumidores.
Para Fabbri, a localização continua sendo o principal critério na escolha de um imóvel, especialmente diante das dificuldades de deslocamento nas cidades.
“Localização, localização, localização. Nada é mais importante que a localização”, disse.
O empresário avalia que segurança, lazer, serviços e qualidade de vida passaram a exercer influência crescente na decisão de compra.
Na entrevista, ele também destacou a participação de famílias, pequenos investidores e mulheres que buscam formar patrimônio por meio da aquisição de imóveis.
Segundo Fabbri, muitos compradores enxergam a propriedade imobiliária como uma forma de proteção financeira e planejamento familiar.
O incorporador recomendou que quem procura um imóvel para morar considere não apenas o preço do metro quadrado, mas também a infraestrutura disponível e a facilidade de acesso aos locais frequentados no cotidiano.
Cambuí supera 60% das unidades comercializadas
Ao comentar os negócios da Hugo Fabbri Incorporadora, o empresário apresentou resultados do Cambuí, empreendimento de alto padrão localizado no Reserva da Mata, na zona sul de Rio Preto.
Durante a entrevista, Rodrigo Lima mencionou que o projeto havia alcançado 58% das unidades comercializadas, com aproximadamente R$ 75 milhões em vendas poucos meses após o lançamento.
Fabbri atualizou o percentual e afirmou que o empreendimento já havia ultrapassado 60% das unidades vendidas.
Segundo ele, os apartamentos de dois dormitórios estavam esgotados, enquanto mais da metade das unidades de três suítes já havia sido comercializada.
Os números foram informados pela incorporadora durante a entrevista e não passaram por verificação independente.
O executivo afirmou que o desempenho confirmou as expectativas da empresa para a região.
Reserva da Mata terá mais seis operações imobiliárias
O Reserva da Mata também foi apresentado como uma das principais apostas da incorporadora para os próximos anos.
Localizado nas proximidades do Shopping Plaza Avenida, o empreendimento urbanístico começou a chamar a atenção de Fabbri em 2015, quando ele identificou o potencial de ocupação da área.
O empresário destacou a implantação de infraestrutura subterrânea para a rede elétrica, a criação de uma avenida interna e a preservação de uma área de vegetação transformada em parque ecológico.
Segundo ele, a proposta foi desenvolver um espaço que combinasse localização, segurança e qualidade de vida.
Fabbri revelou ainda que existem seis operações imobiliárias previstas para execução dentro do Reserva da Mata, sem detalhar, no trecho da entrevista, o cronograma ou os investimentos de cada uma.
Juros elevados e novas tecnologias
A taxa de juros também entrou na discussão.
Fabbri afirmou que o custo do crédito continua sendo um desafio para o mercado, mas destacou a existência de linhas de financiamento habitacional com taxas inferiores à Selic.
Ele citou operações do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) com juros em torno de 11% ao ano, ressaltando a importância de avaliar as condições de cada financiamento.
Outro ponto abordado foi a necessidade de adaptação dos empresários às novas tecnologias, incluindo inteligência artificial e sistemas de informação.
Ao ser questionado sobre erros cometidos ao longo da carreira, o CEO preferiu classificá-los como experiências de aprendizado.
“Não leio como erro. Eu leio como aprendizado”, afirmou.
Para ele, acompanhar as transformações tecnológicas e compreender as mudanças no comportamento do consumidor são condições fundamentais para manter a competitividade.
O futuro da construção civil em Rio Preto
A entrevista expôs uma visão otimista do setor imobiliário, mas também levantou questões sobre a sustentabilidade do atual ritmo de lançamentos.
A avaliação de Fabbri é que a cidade ainda possui espaço para crescer, sobretudo por meio de empreendimentos verticais em regiões dotadas de infraestrutura.
Essa perspectiva, porém, representa a análise de um empresário que atua diretamente no mercado. A confirmação de tendências de longo prazo depende de indicadores independentes sobre estoque, vendas, preços, renda das famílias e evolução do crédito imobiliário.
Para o CEO da Hugo Fabbri Incorporadora, a combinação entre infraestrutura urbana, legislação e demanda habitacional continuará sustentando investimentos nos próximos anos.
A entrevista completa com Hilton Fabbri está disponível no podcast Diário do Rodrigo Lima, no YouTube, com repercussão no portal diariodorodrigolima.com.br.
