Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo apura um esquema de fraudes financeiras que prometia retornos elevados a empresários por meio de supostos investimentos, mas que, segundo as autoridades, se sustentava em empresas de fachada e em uma falsa associação com um grupo empresarial real do setor de energia e gás. A ofensiva resultou na apreensão de carros de luxo, armas, joias e valores que superam R$ 1,75 milhão.
Batizada de Operação “Castelo de Cartas”, a ação é conduzida pela DEIC/DEINTER 5, por intermédio da 3ª equipe da 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG), com apoio do SECCOLD, da Delegacia de Homicídios e do Grupo de Operações Especiais (GOE). As apurações tiveram início em abril de 2025.
Segundo o chefe da DEIC de São José do Rio Preto, Fernando Tedde, o discurso usado para atrair as vítimas era o de um investimento legítimo, com promessa de retorno financeiro elevado. “Seriam investimentos mesmo, com a narrativa de que a pessoa colocaria um valor e teria um retorno alto”, afirmou.
De acordo com Tedde, não há ainda um número fechado de vítimas, embora já existam registros formais na região. “Aqui da nossa região, temos duas ou três pessoas que fizeram boletim de ocorrência, mas é possível que outras, ao tomarem conhecimento da investigação, acabem procurando a delegacia”, disse.
As vítimas estão espalhadas por diferentes cidades e, conforme a polícia, sofreram prejuízos milionários ao investir em empresas que não possuíam atividade econômica real.
Ligação com família de grupo real
Um dos pontos centrais da investigação envolve a origem dos principais articuladores do esquema. Segundo o delegado, dois irmãos pertencem a uma família proprietária de um grupo empresarial legítimo, mas não integram a administração dessas empresas.
“Eles fazem parte de uma família grande, que é proprietária de um grupo empresarial com muitas empresas. Pelo que apuramos, eles até recebem dividendos, mas não participam da gestão. Ainda assim, criaram essa situação falsa de investimentos para movimentar dinheiro”, afirmou Tedde.
De acordo com a polícia, os dois irmãos seriam os responsáveis por administrar a associação criminosa. Um deles prestava depoimento nesta quarta-feira (28), sem mandado de prisão. O outro tinha ordem de prisão expedida, mas não foi localizado e é considerado foragido.
Apreensões em condomínios de luxo
A primeira fase da operação, deflagrada na segunda-feira (26), concentrou-se em condomínios de alto padrão de São José do Rio Preto. Foram apreendidos dez veículos de luxo, incluindo BMW, Mercedes-Benz, Audi Q7, Toyota Hilux e Jeep, além de quatro armas de fogo municiadas, dinheiro em espécie, cheques, notas promissórias, joias e relógios de alto valor – entre eles sete Rolex e um Cartier.
Questionado sobre a dificuldade de investigar pessoas de alto padrão social, o delegado reconheceu entraves operacionais, mas ressaltou que eles não impedem o trabalho policial. “Existe uma dificuldade natural, principalmente durante diligências em condomínios de luxo, mas isso não impede a polícia de fazer o seu trabalho”, afirmou.
Até o momento, a apuração envolve estelionato comum e estelionato praticado por meio eletrônico, caracterizado como fraude digital. A polícia ainda não divulga uma estimativa do valor total do golpe. “Não tenho uma estimativa para falar agora”, disse Tedde.
A segunda fase da operação foi deflagrada nesta quarta-feira (28) em Campo Grande (MS), com novas buscas para aprofundar a coleta de provas, identificar outros envolvidos e consolidar os elementos do inquérito.
Todos os bens apreendidos foram colocados à disposição da Justiça. A Polícia Civil afirma que as investigações seguem em andamento e que novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço das diligências e autorização judicial.

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