
A Polícia Civil do Estado de São Paulo deflagrou na manhã desta quinta-feira (28) a Operação Montes de Socorro, uma ofensiva voltada ao combate de grupos investigados por agiotagem, extorsão, ameaças, lavagem de dinheiro e associação criminosa em cidades da região de São José do Rio Preto.
Os detalhes da ação foram apresentados durante entrevista coletiva na Delegacia Seccional de São José do Rio Preto pelo delegado seccional Everson Contelli, que classificou o esquema investigado como uma organização que explorava a vulnerabilidade financeira de pessoas endividadas para obter lucros elevados por meio de empréstimos ilegais e cobranças coercitivas.
Segundo a Polícia Civil, os investigados ofereciam dinheiro com juros que ultrapassavam 40%, valor muito acima das taxas praticadas pelo mercado formal. Após a contratação dos empréstimos, as vítimas passavam a sofrer pressão constante para quitar os débitos, incluindo ameaças e intimidações.
As investigações apontam que, em alguns casos, os devedores eram forçados a transferir bens para os cobradores, incluindo veículos, propriedades e até imóveis residenciais. A suspeita é que parte dos valores obtidos pelo grupo tenha sido utilizada em mecanismos de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.
CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR AO VÍDEO.
Operação mobilizou diversas equipes
A ofensiva coordenada pela Delegacia Seccional de São José do Rio Preto contou com a participação de policiais civis de diversas unidades vinculadas ao DEINTER-5.
Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de busca e quatro medidas restritivas de liberdade, sendo:
Duas prisões temporárias;
Uma prisão preventiva;
Uma apreensão de adolescente.
A Polícia Civil informou que parte dos alvos está relacionada diretamente às investigações sobre agiotagem e extorsão. Outras medidas judiciais foram cumpridas em investigações paralelas envolvendo crimes considerados relevantes para a segurança pública regional.
Entre elas, uma prisão preventiva por homicídio e a apreensão de um adolescente investigado por ato infracional.
Investigação busca identificar patrimônio e novas vítimas
Durante a coletiva, Everson Contelli destacou que as diligências desta quinta-feira têm como objetivo ampliar a coleta de provas, identificar a movimentação financeira dos investigados e localizar eventuais bens adquiridos com recursos de origem ilícita.
A expectativa da Polícia Civil é que a análise de documentos, aparelhos eletrônicos e demais materiais apreendidos permita identificar novas vítimas e esclarecer a dimensão do esquema.
As autoridades também apuram a existência de uma possível estrutura organizada para captação de recursos, cobrança de dívidas e ocultação de patrimônio, o que poderá resultar em novas responsabilizações criminais.
Combate à exploração financeira
A Operação Montes de Socorro ocorre em um cenário de crescente preocupação das autoridades com crimes relacionados à exploração financeira de pessoas em situação de vulnerabilidade econômica.
Segundo os investigadores, grupos de agiotagem costumam atuar à margem do sistema financeiro formal, oferecendo crédito rápido e sem exigências burocráticas. Em contrapartida, impõem juros elevados e utilizam métodos de cobrança que podem evoluir para ameaças, constrangimentos e violência.
A Polícia Civil orienta que vítimas desse tipo de prática procurem imediatamente as autoridades para registrar ocorrência e colaborar com as investigações.
As apurações seguem em andamento e novas fases da operação não estão descartadas.
