VEJA VÍDEO – Movimento de Tarcísio em 2026 define rumos internos do PT, diz presidente estadual da sigla

Rodrigo Lima

A decisão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobre disputar a reeleição ou concorrer à Presidência da República em 2026 será determinante para a estratégia interna do PT no Estado. A avaliação é do presidente estadual da sigla, Kiko Celeguim, que desembarcou em São José do Rio Preto na tarde desta sexta-feira (14) para uma série de agendas com a militância petista.

Celeguim afirmou, em entrevista exclusiva ao Diário do Rodrigo Lima, que o partido só deve consolidar seu nome,  ou nomes, para a disputa ao Palácio dos Bandeirantes após a definição do governador. Segundo ele, o cenário permanece “totalmente condicionado” ao movimento de Tarcísio, cuja decisão tem potencial para reorganizar o tabuleiro político paulista.

PT observa incerteza sobre futuro de Tarcísio

O principal ponto de dúvida entre petistas é se Tarcísio buscará um segundo mandato ou se se lançará à disputa presidencial – possibilidade ampliada pela inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Ainda não está definido. A posição do governador influencia diretamente na nossa decisão”, afirmou Celeguim.

Segundo ele, se Tarcísio optar pela corrida ao Planalto, a base governista tende a se “diluir” no Estado, abrindo espaço para que o PT apresente um nome competitivo diante de um cenário “menos cristalizado”.

“Temos quadros preparados para qualquer cenário”, disse, citando possíveis candidaturas petistas como Fernando Haddad, Alexandre Padilha e Luiz Marinho, além de aliados como Geraldo Alckmin, Márcio França e Marina Silva.

Reeleição de Lula como prioridade

Durante a entrevista no aeroporto, Celeguim afirmou que a prioridade nacional do PT continua sendo garantir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, a esquerda terá como missão central impedir o retorno da “extrema direita” ao poder.

“O Brasil experimentou o gosto amargo de ser governado pela extrema direita”, disse, em referência ao governo Bolsonaro.
“Nosso primeiro trabalho é evitar que isso aconteça de novo.”

Retorno de João Paulo Rillo e debate local

O presidente estadual do PT também confirmou que participa, ainda nesta sexta-feira, de um ato que marca a volta do ex-deputado João Paulo Rillo aos quadros do partido.

Além disso, discutirá com militantes temas como emendas parlamentares, articulação em Brasília e a criação da Universidade Federal de Rio Preto, prometida pelo governo Lula.

Tarcísio estará neste sábado em Rio Preto

A presença de Celeguim em Rio Preto ocorre na véspera da agenda do governador Tarcísio, que estará na cidade neste sábado (15) para participar de um evento oficial.

Integrantes do governo sinalizam que o chefe do Executivo paulista deve comentar novamente o assunto eleitoral durante sua passagem, em meio às especulações sobre seu futuro político. O governador garante que disputará a releeição no próximo ano.

A fala do governador é aguardada com expectativa não apenas por aliados, mas também por lideranças petistas – cuja estratégia para 2026, como admitiu Celeguim, “depende do que ele vai decidir”.

Situação de Eduardo Bolsonaro

A maioria dos ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta sexta-feira (14) tornar o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) réu pelo crime de coação no curso do processo.

Em setembro, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no inquérito que apurou a atuação do parlamentar junto ao governo dos Estados Unidos para promover o tarifaço contra as exportações brasileiras, a suspensão de vistos de ministros do governo federal e ministros da Corte. A investigação foi conduzida pela Polícia Federal que indiciou o parlamentar.

Com a decisão, o próximo passo será a abertura de uma ação penal contra o deputado. Durante a instrução do processo, ele poderá indicar testemunhas, apresentar provas de inocência e pedir diligências específicas que sejam interessantes para sua defesa.

Eduardo deixou o Brasil em fevereiro deste ano e está nos Estados Unidos (EUA). O parlamentar pediu licença do mandato de 120 dias. Desde dia 20 de julho, quando a licença terminou, o deputado não comparece às sessões e poderá ser cassado por faltas.

Julgamento

O julgamento virtual começou às 11h de hoje. Até o momento, o relator, Alexandre de Moraes, e os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin votaram pelo recebimento da denúncia e para transformar o deputado em réu.

Para o relator, existem provas de que Eduardo Bolsonaro participou das articulações para o governo dos Estados Unidos sancionar as exportações brasileiras e aplicar a Lei Magnitsky contra ele e outras autoridades do Brasil.

“A grave ameaça materializou-se pela articulação e obtenção de sanções do governo dos Estados Unidos da América, com a aplicação de tarifas de exportação ao Brasil, suspensão de vistos de entradas de diversas autoridades brasileiras nos Estados Unidos da América e a aplicação dos efeitos da Lei Magnitsky a este ministro relator”, disse Moraes.

A votação ficará aberta até o dia 25 de novembro. Falta o voto da ministra Cármen Lúcia.

Somente os quatro ministros vão votar sobre a questão. Com saída de Luiz Fux para a Segunda Turma do STF, uma cadeira está vaga e só será preenchida após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicar um ministro para suceder Luís Roberto Barroso, que se aposentou.

Defesa

Pelas redes sociais, Eduardo Bolsonaro classificou o voto de Moraes como “caça às bruxas”.

“Moraes vota para me tornar réu. Outros candidatos anti-establishment, como o próprio Jair Bolsonaro, e favoritos ao Senado sofrerão a mesma perseguição. É o sistema se reinventando para sobreviver. Tudo que sei é via imprensa, já que jamais fui citado. Por que Moraes não usa os canais oficiais com os EUA?”, escreveu.

A defesa de Eduardo Bolsonaro foi feita pela Defensoria Pública da União (DPU). Durante a investigação, Moraes determinou a notificação do deputado, mas ele não constituiu advogado nem apresentou defesa.

No fim de outubro, a DPU pediu a rejeição da denúncia, argumentando que o deputado não é autor das sanções e que suas manifestações são “exercício legítimo da liberdade de expressão e do mandato parlamentar”.

(Com Agência Brasil)

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