VEJA VÍDEO – Lula visita futuro campus da UFSCar, pede votos a Haddad e coloca Educação no centro da campanha em Rio Preto

Rodrigo Lima

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou neste sábado (5) a área destinada ao futuro campus da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) em São José do Rio Preto, antes de participar de um ato de campanha no centro da cidade. A visita reuniu milhares de apoiadores do presidente na praça Dom José Marcondes, na região central da cidade.

A agenda colocou a educação no centro da passagem presidencial pelo município. No local onde deverá funcionar a nova unidade universitária, Lula fez um discurso sobre o atraso histórico do Brasil na oferta de ensino superior e defendeu que o investimento em educação é condição necessária para o desenvolvimento econômico e social.

O presidente afirmou viver um “misto de tristeza e alegria” ao acompanhar a implantação de mais uma estrutura federal de ensino.

Segundo Lula, a tristeza está relacionada ao que considera um histórico atraso brasileiro na democratização do acesso ao conhecimento.

“Não existe na história da humanidade nenhum país que conseguiu se desenvolver sem antes investir na educação”, afirmou.

O presidente citou a demora do Brasil na criação de universidades e relacionou esse processo à formação social do país, marcada pela escravidão e por uma estrutura de ensino originalmente concentrada nas classes mais ricas.

Na avaliação de Lula, durante grande parte da história brasileira, a educação foi tratada como privilégio de poucos, enquanto trabalhadores de baixa renda eram destinados essencialmente ao trabalho manual.

A implantação do campus da UFSCar em Rio Preto foi utilizada pelo presidente como exemplo da política de expansão do ensino público defendida por seu governo.

Lula critica discurso sobre “futuro”

A visita ocorreu em meio à campanha eleitoral e Lula também aproveitou o discurso para questionar candidatos que, segundo ele, falam em futuro sem apresentar realizações anteriores.

O presidente afirmou que o eleitor precisa comparar a trajetória dos candidatos e as políticas adotadas por diferentes governos.

“Quando alguém falar de futuro, você precisa estudar a vida de quem está falando para saber o que ele fez. Porque quem não fez nada no passado não vai fazer nada no futuro”, afirmou durante o ato político realizado posteriormente.

Na passagem pela futura universidade, Lula também criticou a situação encontrada no início de seu atual mandato. Mencionou a falta de reajustes anteriores na merenda escolar e a extinção ou redução de estruturas ministeriais ligadas à cultura, trabalho, igualdade racial, mulheres e direitos humanos.

Para o presidente, políticas de educação e cultura não devem servir apenas à formação profissional, mas também à construção de autonomia.

Segundo ele, o objetivo é garantir às pessoas condições para “livremente pensar o que querem, fazer o que querem”.

Educação vira principal argumento da campanha

Horas depois, no ato político em Rio Preto, Lula retomou o tema e transformou a expansão do ensino federal em um dos principais argumentos a favor de sua administração.

Ele citou a criação de universidades e institutos federais e disse que investimentos educacionais são a principal forma de preparar o país para os próximos anos.

Lula também apresentou números sobre a ampliação do acesso ao ensino superior. Segundo ele, o Brasil tinha cerca de 5 milhões de trabalhadores com diploma universitário em 2003 e hoje esse contingente chega a aproximadamente 25 milhões.

O presidente relacionou esse processo às políticas implementadas durante seus governos e os de Dilma Rousseff.

Haddad vira centro do discurso eleitoral

A passagem por Rio Preto teve ainda forte componente eleitoral.

Lula pediu votos para Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, e apresentou o ex-ministro como um dos responsáveis pelas políticas educacionais implementadas durante seus primeiros mandatos.

Haddad comandou o Ministério da Educação entre 2005 e 2012 e posteriormente foi prefeito da capital paulista.

Durante o discurso, Lula afirmou que o aliado o ajudou a promover o que classificou como uma primeira “revolução” na educação brasileira.

O presidente também destacou a passagem do candidato pelo Ministério da Fazenda e pediu que os eleitores comparem a trajetória administrativa dos concorrentes antes de escolher o próximo governador.

“Qual é o São Paulo que você quer? Qual é o Brasil que você quer?”, perguntou.

Em tom de mobilização, afirmou ainda que a disputa estadual está aberta.

“A eleição começou agora”, disse, antes de pedir que seus apoiadores conversem com eleitores de diferentes posições políticas.

Segurança e celulares roubados entram no discurso

Além da educação, Lula abordou segurança pública ao falar sobre roubos e furtos de telefones celulares.

O presidente citou o programa Celular Seguro, ferramenta do governo federal destinada a facilitar o bloqueio de aparelhos roubados ou furtados.

Lula afirmou que consumidores interessados na compra de celulares usados devem consultar previamente a situação dos aparelhos para evitar a aquisição de produtos provenientes de crimes.

O presidente associou o comércio de aparelhos roubados à estrutura financeira do crime organizado e disse que é necessário reduzir os incentivos econômicos desse mercado ilegal.

Lula compara indicadores econômicos

O petista também usou números da economia para confrontar adversários.

Durante o ato, comparou a inflação dos alimentos de seu governo com a registrada na administração anterior e citou o nível de desemprego como exemplo de melhora da situação econômica.

Lula afirmou que pretende concentrar o debate eleitoral na comparação entre resultados de diferentes governos, em vez de apostar prioritariamente em ataques pessoais.

Na educação básica, mencionou programas voltados à permanência de estudantes nas escolas e a expansão do ensino em tempo integral.

Inteligência artificial e data centers

Tecnologia também apareceu no discurso.

Lula afirmou que o Brasil precisa dominar o desenvolvimento de inteligência artificial e reduzir sua dependência de soluções criadas nos Estados Unidos e na China.

“Nós queremos inteligência artificial em português”, disse.

O presidente também falou sobre a atração de investimentos para data centers e disse que o país pode utilizar sua disponibilidade energética como vantagem competitiva.

Segundo ele, uma nova etapa de desenvolvimento deverá combinar transformação digital, crédito para pequenos empreendedores, atualização dos cursos universitários e maior produção de conhecimento.

Lula afirmou que o país precisa ampliar a exportação de tecnologia e inteligência, diminuindo a dependência de produtos de baixo valor agregado e commodities.

Mulheres e combate ao feminicídio

Na parte final do ato, Lula falou sobre violência contra a mulher e defendeu políticas mais rigorosas de combate ao feminicídio.

O presidente afirmou que o avanço feminino no mercado de trabalho e em outros espaços da sociedade precisa ser acompanhado da garantia de autonomia e segurança.

“Mulher quer fazer o que ela quiser, trabalhar onde quiser, morar com quem ela quiser, viver como ela quiser”, declarou.

A passagem de Lula por Rio Preto reuniu, assim, dois movimentos da agenda presidencial: a visita institucional ao local que deverá receber o futuro campus da UFSCar e a participação direta na campanha eleitoral paulista.

Nos dois compromissos, porém, o presidente adotou a mesma linha central: apresentou a expansão do acesso à educação como uma das principais marcas de seus governos e como argumento para defender a continuidade de seu projeto político no país e em São Paulo.

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