
A morte de um homem atribuída pela família ao endividamento provocado por apostas virtuais levou a Polícia Civil de São Paulo a descobrir um suposto esquema de lavagem de dinheiro que, segundo investigadores, pode ter movimentado cerca de R$ 100 milhões em São José do Rio Preto e região.
A investigação resultou na Operação “Destino Oculto”, deflagrada na manhã desta segunda-feira (25) pela DEIC, com cumprimento de mandados de busca e apreensão em condomínios de alto padrão em Rio Preto e Olímpia.
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Durante as diligências, policiais apreenderam veículos de luxo, celulares, computadores, documentos, quantias em dinheiro nacional e estrangeiro, além de equipamentos eletrônicos considerados estratégicos para o avanço das investigações.
Por decisão judicial, aproximadamente R$ 86 milhões foram bloqueados em contas relacionadas aos investigados.
De acordo com o delegado-chefe da DEIC, Fernando Tedde, o inquérito teve origem após familiares relatarem que um homem teria cometido suicídio em decorrência de dívidas acumuladas em plataformas de apostas online.
Segundo o delegado, as apurações inicialmente concentradas em jogos de azar passaram a revelar uma estrutura financeira considerada incompatível com a atividade declarada pelos investigados.
A polícia afirma ter identificado movimentações suspeitas que ultrapassariam os valores associados ao chamado “Jogo do Tigre”, indicando possível atuação de uma organização criminosa voltada à ocultação e circulação de recursos ilícitos.
Ainda conforme a investigação, empresas seriam abertas e encerradas em curto espaço de tempo para dificultar o rastreamento do dinheiro pelas autoridades financeiras.
Os investigadores também cumpriram mandados em endereço ligado ao contador apontado como responsável por parte da estrutura empresarial e patrimonial analisada pela especializada.
A Polícia Civil não divulgou a identidade da influenciadora digital investigada. O procedimento tramita sob segredo de Justiça.
Segundo Tedde, a preservação dos nomes busca evitar interferências nas investigações, já que os principais alvos não haviam sido localizados até o encerramento das buscas desta segunda-feira.
A suspeita da especializada é de que o esquema investigado seja anterior ao caso que motivou a abertura do inquérito e envolva uma rede mais ampla de pessoas físicas e jurídicas.
Agora, a força-tarefa concentra esforços na análise do material apreendido para rastrear novos integrantes, identificar o destino final dos valores movimentados e aprofundar possíveis conexões com organizações criminosas.
O nome da operação, “Destino Oculto”, faz referência justamente à tentativa de esconder a origem e o caminho percorrido pelo dinheiro investigado.
