A atuação de equipes de abordagem social voltadas a pessoas em situação de rua ganhou reforço em São José do Rio Preto com a participação esporádica de empresários locais, em uma estratégia que combina assistência, encaminhamento para trabalho e oferta de acolhimento institucional.
Vídeos obtidos pelo Diário do Rodrigo Lima mostram intervenções realizadas na região central, especialmente na praça Rui Barbosa, onde grupos passaram a ocupar o espaço público após a montagem de estruturas temporárias utilizadas em eventos no início do ano.
Em uma das abordagens registradas, o presidente da Associação São José do Rio Preto Viva o Centro, Agnaldo Pedroni, aparece auxiliando equipes da assistência social na interlocução direta com pessoas que estavam sob uma tenda improvisada. No diálogo, ele apresenta alternativas oferecidas pelo poder público e parceiros, como inserção no mercado de trabalho, encaminhamento para tratamento e retorno à cidade de origem.
Segundo agentes envolvidos na operação, o protocolo prevê três principais destinos: emprego, tratamento – sobretudo em casos de dependência química – e retorno assistido às cidades de origem, com apoio logístico e contato com familiares. No passado, grupo de empresários chegou a fazer “vaquinha” para dividir valores de passagens de ônibus para as pessoas em situação de rua.
Outro eixo da política é o acolhimento temporário em estruturas especializadas. Um dos destinos é a Pousada da Esperança, mantida pela Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus, que funciona como casa de passagem e oferece abrigo, alimentação e acompanhamento social.
Há, no entanto, resistência por parte de uma parcela dessa população. De acordo com as equipes, alguns recusam qualquer tipo de ajuda e podem reagir de forma agressiva durante as abordagens. Também há relatos de pessoas portando objetos perfurocortantes, o que exige atuação cautelosa.
A participação de empresários ocorre de forma articulada com entidades sociais e com a rede municipal de assistência, ampliando a capacidade de mobilização e oferta de oportunidades.
O prefeito de Rio Preto, Coronel Fábio Candido, afirmou que o aumento das abordagens sociais decorre da ampliação de parcerias e da estrutura de atendimento.
“O que a gente quer é que o morador em situação de rua saia dessa condição de vulnerabilidade, se torne uma pessoa produtiva e seja reintegrado à sociedade”, disse o prefeito.
Segundo ele, a estratégia envolve abordagem inicial, seguida de encaminhamentos práticos. “Tratamento, trabalho e dignidade. Ficar nas ruas, não”, afirmou.
Cautela
A Defensoria Pública acompanha o tema com cautela. O defensor público Júlio Tanone afirmou que ainda é cedo para uma avaliação conclusiva, mas vê sinais iniciais positivos.
“Há uma impressão inicial de aparente melhoria, especialmente nos canais de comunicação. Mas se trata de um trabalho permanente e desafiador, que exige investimento em capacitação e aprimoramento”, disse Tanone.
Segundo ele, além de vocação, as equipes precisam de planejamento, suporte e estrutura para atuar de forma contínua nas ruas, estabelecer vínculos com a população atendida e conquistar a confiança da comunidade.
“Penso que ainda não houve tempo suficiente para avaliação”, afirmou o defensor público.
A política de abordagem social expõe um desafio recorrente em centros urbanos: conciliar ações de assistência com o ordenamento do espaço público, diante de uma população heterogênea e, em parte, resistente às intervenções.
As ações seguem concentradas na região central e devem ser intensificadas nas próximas semanas.
