A Polícia Civil identificou 27 plantações de cannabis na região de São José do Rio Preto durante uma investigação que apura se autorizações judiciais concedidas para o cultivo da planta para uso próprio estariam sendo utilizadas para abastecer terceiros e enviar produtos para outras regiões do país.
As informações foram apresentadas pelo delegado seccional, Everson Contelli em entrevista que teve a participação do Diário do Rodrigo Lima, e ele contou detalhes da Operação Cannabusiness, deflagrada nesta terça-feira (18).
Segundo a investigação, as plantações mapeadas podem reunir, juntas, mais de 3.000 pés de cannabis.
A operação foi desencadeada para investigar suspeitas de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Nesta etapa, foram cumpridos 11 mandados de busca, além de medidas relacionadas à recuperação de ativos.
Um homem foi preso em flagrante no bairro Higienópolis, em Rio Preto.
Investigação mira possível desvio de finalidade
O ponto central da apuração é a suspeita de que algumas pessoas que obtiveram decisões judiciais individuais permitindo o cultivo de cannabis e a produção de derivados para consumo próprio estariam extrapolando os limites dessas autorizações.
De acordo com Contelli, a investigação encontrou indícios de que parte da produção poderia estar sendo destinada a terceiros, inclusive com remessas para outras regiões do Brasil.
A existência de autorização judicial para cultivo, portanto, não é por si só o objeto da investigação. A apuração busca identificar casos em que teria ocorrido eventual desvio da finalidade estabelecida nas decisões judiciais.
A responsabilidade de cada investigado deverá ser analisada individualmente a partir do material recolhido e das demais provas reunidas no inquérito.
Polícia estima mais de 3.000 plantas
O levantamento realizado antes da operação permitiu à Polícia Civil chegar a 27 locais de cultivo na região.
A estimativa dos investigadores é que essas plantações possam concentrar mais de 3.000 pés de cannabis. Nem todos os endereços mapeados, porém, foram alvo de busca nesta fase da operação.
Com os 11 mandados cumpridos, a Polícia Civil pretende aprofundar a análise sobre a dimensão da produção, o destino dos derivados e eventuais relações comerciais entre os investigados e pessoas de outras localidades.
O material apreendido durante as buscas deverá ser analisado no decorrer da investigação.
Lavagem de dinheiro também está sob apuração
Além da origem e do destino da cannabis produzida, os investigadores procuram reconstruir o fluxo financeiro relacionado às atividades sob suspeita.
É nesse ponto que entra a apuração por possível lavagem de dinheiro.
A Operação Cannabusiness também prevê medidas de recuperação de ativos, instrumento utilizado para identificar e eventualmente bloquear ou apreender patrimônio que, segundo a investigação, possa ter relação com atividades criminosas.
A existência de movimentação financeira e sua eventual vinculação aos crimes investigados ainda dependerão do avanço das diligências e da análise dos elementos recolhidos.
Um homem foi preso em Rio Preto
Durante o cumprimento das ordens judiciais, um homem foi preso em flagrante no bairro Higienópolis, em São José do Rio Preto.
A operação faz parte de uma investigação mais ampla, que continuará mesmo após o cumprimento dos mandados desta semana.
A Polícia Civil deverá agora analisar documentos, equipamentos e outros materiais obtidos durante as buscas para estabelecer a participação individual dos investigados e verificar se houve comercialização ou distribuição irregular dos produtos.
Os investigados têm direito à defesa, e as suspeitas levantadas durante o inquérito ainda dependerão da conclusão das investigações e, eventualmente, de análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.
🎥 A entrevista completa com o delegado Everson Contelli, com os detalhes da Operação Cannabusiness, está disponível nos canais do Diário do Rodrigo Lima
