PODCAST – ‘O crime não prospera na Região 17’, diz Rogerinho ao falar dos bastidores da luta contra o tráfico em Rio Preto

Rodrigo Lima

Com 33 anos de atuação ininterrupta na Polícia Civil, o investigador Rogerinho é uma figura emblemática da segurança pública em São José do Rio Preto. Reconhecido por sua atuação firme no combate ao tráfico de drogas, principalmente na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (DISE), ele relembra momentos marcantes da carreira e ressalta: “O crime não prospera na Região 17”.

A entrevista foi concedida ao Podcast do Diário do Rodrigo Lima e revela não apenas o lado técnico de uma carreira policial, mas também as decisões pessoais que moldaram sua vida e trajetória profissional.

Rogerinho ingressou na Polícia Civil em 1992, logo após concluir sua formação na academia. Desde então, dedicou-se quase que exclusivamente às operações contra o tráfico de drogas na região de Rio Preto, tornando-se uma referência no setor. “Foram anos intensos, de operações quase diárias, algumas com risco real de vida”, afirma.

O investigador destacou que, com o tempo, o trabalho deixou de ser apenas uma profissão para se tornar missão de vida. Participou de inúmeras ações locais e interestaduais, inclusive em regiões de risco elevado, como comunidades no Rio de Janeiro, onde a atuação da polícia é marcada por confrontos armados.

Operações de risco e o papel da adrenalina
Entre as operações mais marcantes, Rogerinho relembra uma incursão em comunidade fluminense, realizada em parceria com unidades especializadas. “A adrenalina é o que move a gente. Mas nunca é imprudência. Tudo é calculado, estudado, planejado. O fator surpresa é essencial”, explica.

Segundo ele, o enfrentamento ao crime organizado exige mais do que força: “É uma guerra de inteligência. Você precisa conhecer o terreno, saber como o inimigo opera, e estar sempre um passo à frente”.

Rio Preto e a rota do tráfico
A localização geográfica de São José do Rio Preto a coloca como ponto estratégico nas rotas do tráfico de drogas. O município, situado entre importantes rodovias e com acesso facilitado ao Centro-Oeste e ao interior paulista, é frequentemente usado como corredor por organizações criminosas.

“Essa posição obriga a Polícia Civil a estar em constante vigilância. Interceptamos rotas, prendemos líderes de quadrilhas e evitamos que o crime se estruture aqui”, diz Rogerinho. Ele aponta que a colaboração entre forças estaduais e federais é essencial, especialmente em operações de maior alcance.

A tecnologia como aliada 
Com a evolução das ferramentas de inteligência, a polícia tem acesso a sistemas de rastreamento, análise de dados e monitoramento digital. Mas Rogerinho deixa claro: “Nada substitui o faro do investigador, a experiência de rua, a intuição”.

Satélites, mapas digitais e cruzamento de informações são instrumentos que potencializam a ação policial, mas não substituem o contato humano, o trabalho de campo e o conhecimento sobre o território.

Escolhas pessoais: vida dedicada à missão
Aos 33 anos de profissão, Rogerinho fez escolhas que muitos consideram radicais. Optou por não constituir família e dedicou-se integralmente à vida policial. “Essa decisão me permitiu focar totalmente no trabalho, mas tenho uma rede de apoio: meus amigos, minha família extensa. Ninguém faz nada sozinho”, explica.

Sua inspiração veio de casa. O tio, Celso Alexandre da Silva, também foi investigador. “Ele foi meu espelho. Desde pequeno eu sabia o que queria ser”, lembra.

Enfrentando críticas e mantendo a integridade
Ao longo da carreira, Rogerinho afirma ter enfrentado críticas, denúncias anônimas e tentativas de desqualificar seu trabalho. “Isso é parte da profissão. Quem está na linha de frente do combate ao crime incomoda. Mas o reconhecimento vem com o tempo. O importante é manter a integridade e o foco”, destaca.

Segundo ele, manter a reputação ilibada e o respeito da comunidade é o que sustenta o trabalho diário. “Não adianta agir com excesso, nem com omissão. O equilíbrio é a chave”, diz.

Mesmo com os desafios, Rogerinho demonstra otimismo. Para ele, Rio Preto pode ser exemplo nacional na gestão da segurança pública, desde que haja comprometimento político e investimento contínuo em estrutura e pessoal. “Se a gente mantiver a união entre as forças, a inteligência operacional e o respeito ao cidadão, o crime não se instala”, resume.

Ele também reforça a importância da sociedade nesse processo. “Denúncias anônimas, apoio da imprensa e confiança nas instituições fazem toda a diferença. Sozinhos, nós não vamos vencer essa guerra”, conclui.

Conselhos a quem quer seguir o caminho
Aos jovens que sonham com a carreira policial, Rogerinho deixa um conselho direto: “Não entre pela adrenalina ou pela autoridade. Entre pela missão. Você precisa ter vocação, resistência emocional e capacidade de trabalhar em equipe. E, acima de tudo, estar preparado para abrir mão de muita coisa em nome da coletividade”.

 

 

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