PODCAST – Médica alerta: tosse em crianças pode esconder quadro grave neste frio

Rodrigo Lima

As mudanças bruscas de temperatura registradas nas últimas semanas em São José do Rio Preto e região têm provocado aumento na circulação de vírus respiratórios e elevado a procura de crianças por atendimento médico em hospitais e unidades de urgência.

O alerta é da pneumopediatra Roberta Costa Palmeira, entrevistada no Podcast Diário do Rodrigo Lima. Segundo a especialista, o cenário típico de outono e inverno favorece a disseminação de doenças respiratórias, principalmente entre crianças menores de dois anos.

De acordo com a médica, sintomas aparentemente simples, como coriza, febre baixa, nariz entupido e tosse, podem evoluir rapidamente para quadros mais graves em crianças pequenas.

“Febre alta, dificuldade para respirar, chiado no peito e afundamento entre as costelas são sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata”, afirmou.

A especialista afirma que o frio, o tempo seco e a maior permanência das famílias em ambientes fechados criam condições ideais para a transmissão viral. Entre os vírus mais presentes neste período estão influenza A e B, rinovírus e o vírus sincicial respiratório, principal causador da bronquiolite infantil.

Automedicação preocupa pediatras

A médica também fez um alerta sobre o uso indiscriminado de medicamentos sem orientação profissional, especialmente antigripais vendidos livremente em farmácias.

Segundo ela, esses produtos não combatem os vírus responsáveis pelos resfriados comuns e podem provocar efeitos adversos em crianças, como sonolência, alteração cardíaca e aumento da pressão arterial.

“O resfriado é autolimitado. O tratamento costuma ser voltado ao alívio dos sintomas, com hidratação, lavagem nasal e repouso”, explicou.

Ela destacou ainda que antibióticos, corticoides e antialérgicos não devem ser utilizados sem prescrição médica, já que a maioria dos quadros respiratórios infantis tem origem viral.

Hospitais registram aumento na procura

Segundo a pneumopediatra, hospitais da cidade têm recebido mais crianças com síndromes respiratórias, especialmente casos associados à gripe influenza e crises asmáticas.

A recomendação é que pais procurem atendimento emergencial quando a criança apresentar prostração, dificuldade para ingerir líquidos, falta de ar, febre persistente ou tosse intensa contínua.

A médica afirma que muitas famílias ainda tentam resolver os sintomas apenas por mensagens de WhatsApp com profissionais de saúde, o que pode atrasar diagnósticos importantes.

“WhatsApp serve como orientação inicial, mas não substitui consulta médica”, disse.

Vacinação ganha reforço em Rio Preto

Durante a entrevista, Roberta Costa Palmeira defendeu a ampliação das campanhas de vacinação contra gripe e Covid-19 e elogiou ações da Prefeitura de Rio Preto para levar imunização a locais públicos, condomínios e centros comerciais.

Ela ressaltou que a vacina contra influenza não provoca gripe, uma das principais dúvidas entre pacientes.

“A vacina é feita com vírus inativado. Ela não causa doença. Mesmo quando a pessoa se infecta após a vacinação, geralmente apresenta sintomas mais leves e menor risco de complicações”, afirmou.

A médica também destacou que a queda na cobertura vacinal observada após a pandemia preocupa profissionais da área pediátrica e pode favorecer o retorno de doenças respiratórias graves.

Lavagem nasal exige cuidados

Outro tema abordado foi a lavagem nasal em crianças, prática comum entre pais durante períodos de gripe e resfriado.

Segundo a especialista, o procedimento ajuda na remoção de secreções e melhora o conforto respiratório, mas deve ser realizado com técnica adequada e sem pressão excessiva.

Ela alertou que o uso incorreto pode causar desconforto, lesões e até favorecer dores de ouvido em crianças pequenas.

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