No primeiro podcast de 2026 do Diário do Rodrigo Lima, o prefeito em exercício de São José do Rio Preto, Luciano Julião (PL) – também presidente da Câmara Municipal – afirmou que a cidade deverá viver um ano de maior volume de obras e serviços, com foco em zeladoria, recapeamento asfáltico e ampliação de investimentos em infraestrutura. Ao lado do vereador Julio Donizete (PSD), um dos principais nomes da base governista, o chefe do Legislativo fez um balanço do início do mandato de Coronel Fábio Candido (PL), comentou tensões com a oposição e disse ver “espaço real” para que não haja reajuste na tarifa de ônibus neste começo de ano.
Julião assumiu a Prefeitura em 26 de dezembro, durante período de afastamento do Coronel Fábio. No podcast, reconheceu o peso simbólico e administrativo da função. “A cadeira de prefeito é para poucos, é uma responsabilidade enorme”, disse, ao lembrar que, em um intervalo de um ano, passou de vereador novato à presidência da Câmara e, agora, ao comando interino do Executivo.
Virada de ano e agenda de governo
O prefeito em exercício abriu a entrevista relatando a virada de ano no Recinto de Exposições, escolhida pela gestão para substituir a tradicional festa na Represa Municipal. Segundo ele, a decisão foi “acertada” por garantir estrutura coberta em meio à forte chuva que atingiu a cidade pouco antes da abertura dos portões.
Julião descreveu o evento como “casa cheia” e atribuiu o sucesso da festa à estratégia da Prefeitura. Para o vereador, o episódio é exemplo da “preocupação de prefeito” com logística e segurança, em meio à retomada de eventos populares.
Mais orçamento, mais mutirões e promessa de cidade “em ordem”
Ao tratar das demandas de início de ano – especialmente queixas sobre mato alto em terrenos e áreas públicas – o prefeito em exercício afirmou que 2026 tende a ser “muito melhor” que o primeiro ano de governo do Coronel Fábio, principalmente por causa do novo orçamento aprovado pela Câmara.
Ele disse que a Secretaria de Serviços Gerais já realiza mutirões de limpeza, com atendimento diário de “20 a 25 pontos da cidade”, e prometeu reforçar o serviço com contratação de mais equipes terceirizadas. “Com o orçamento adequado e a ampliação dos mutirões, a zeladoria vai entrar em ordem”, declarou, estimando que os primeiros efeitos sejam sentidos em “15 a 20 dias”.
Julião também destacou a previsão de investimentos em iluminação pública e tecnologia. Mencionou licitações em andamento para troca de lâmpadas por LED e implantação do projeto “Smart Rio Preto”, com câmeras de monitoramento, semáforos inteligentes e integração com as polícias Civil e Militar. Para ele, iluminação e tecnologia devem trazer “mais segurança e fluidez” ao trânsito.
Asfalto, bairros antigos e disputa política por protagonismo
O vereador Julio Donizete (PSD) reforçou o discurso de que 2026 será o ano da entrega de obras prometidas em campanha. Segundo ele, já foi aberta licitação estimada em cerca de R$ 97 milhões para recapeamento e pavimentação, com atenção especial a bairros históricos que ainda não têm asfalto em todas as ruas, como Alvorada, Bela Vista e Aparecidinha.
Donizete afirmou que há compromisso pessoal do prefeito Coronel Fábio de iniciar asfalto nesses bairros e criticou o que chama de “oportunismo” político de pré-candidatos e opositores que tentariam “surfar na onda” de projetos do Executivo. “É fácil aparecer para tirar foto quando a população já sabe que a obra vai sair”, disse, ao afirmar que promessas de asfalto, ar-condicionado em escolas e ônibus gratuito fazem parte do plano de governo e não de iniciativas isoladas de vereadores.
Julião endossou a crítica, citando casos em que parlamentares de oposição apresentariam projetos sobre temas já anunciados pela gestão, como se fossem ideias próprias. Para ele, isso gera confusão no eleitorado e tenta capitalizar politicamente decisões que, segundo ele, são de responsabilidade do prefeito.
Tarifa de ônibus sob análise e possibilidade de não reajuste
Questionado sobre o reajuste da tarifa do transporte coletivo, previsto para o início do ano, o prefeito em exercício afirmou que ainda não há decisão tomada. De acordo com Julião, técnicos da Prefeitura analisam os números do sistema para verificar se o aumento é necessário.
Ele, porém, admitiu ver “possibilidade real” de a tarifa não subir neste momento, caso os estudos indiquem viabilidade financeira. “Estão avaliando. Pode ser que não tenha reajuste”, afirmou, ponderando que a definição dependerá da conclusão dos pareceres técnicos.
Base aliada, orçamento e cobrança por resultados
Ao longo do programa, Julio Donizete reforçou o papel da base aliada na aprovação de projetos do Executivo em 2025, alegando que os vereadores governistas votaram “tudo que o governo precisou” com a expectativa de que 2026 marque uma virada na execução de obras.
O vereador citou a trajetória do Coronel Fábio na Polícia Militar e afirmou que o prefeito montou um secretariado “técnico” – e não político – para comandar as pastas. Em troca, espera que o segundo ano de mandato consolide entregas visíveis à população. “Agora acabou o discurso de herança difícil. Com orçamento próprio, é hora de mostrar que o governo veio para fazer melhoria”, disse.
Relação com secretariado e bastidores da gestão
Julião relatou que, mesmo com o afastamento temporário do prefeito e do chefe de gabinete, Carmona, sente-se respaldado pela estrutura do governo. Ele disse manter contato constante com secretários, inclusive por grupos de mensagens, e afirmou ter “liberdade” para acionar diretamente as equipes técnicas.
Segundo o prefeito em exercício, qualquer demanda que não é resolvida na hora com um titular de pasta é encaminhada a outros integrantes da mesma secretaria, o que garantiria fluxo de informação e continuidade das ações. “O apoio eu tenho”, resumiu.
Conflitos com a oposição e episódio na garagem
O podcast também abordou o clima de tensão na Câmara ao longo de 2025, com embates duros entre base e oposição. Julião foi questionado sobre um episódio em que quase chegou às vias de fato com o vereador João Paulo Rillo (Psol) na garagem do Legislativo, após críticas genéricas sobre suposto recebimento de “dinheiro por fora” por parlamentares.
O prefeito em exercício disse ter se sentido atingido porque familiares acompanham as sessões e pediu que, em caso de denúncia, sejam citados nomes específicos. “Quando alguém acusa de forma geral, quem acusa parece inocente e todo mundo entra no mesmo balaio”, afirmou. Segundo ele, houve bate-boca e registro de boletim de ocorrência, mas o caso “ficou ali”.
Julião afirmou procurar atuar como presidente “neutro”, colocando projetos de situação e de oposição em votação sem interferir na decisão de mérito dos vereadores. Disse também não se sentir pressionado por listas, “quadrinhos” e campanhas que expõem quem votou a favor ou contra determinados projetos. “Entra por um ouvido e sai pelo outro”, declarou, ao dizer que sua fidelidade é ao eleitorado que o elegeu.
Oposição “necessária”, mas alvo de críticas
Apesar das críticas, o prefeito em exercício reconheceu a importância institucional da oposição, que classificou como “necessária” para o equilíbrio democrático. No entanto, tanto ele quanto Julio Donizete apontaram práticas que consideram excessivas, como o uso de redes sociais para ataques pessoais, vídeos em locais onde obras ainda não saíram do papel e acusações generalizadas contra o governo.
Para Donizete, a “política correta” é a que explica ao eleitor por que determinada demanda não foi atendida, em vez de transformar frustrações em palanque permanente. Ele disse voltar aos bairros para agradecer quando pedidos são atendidos e para justificar quando não há condições imediatas de execução. “Não vendo gato por lebre”, afirmou.
Expectativa para 2026
Ao final da entrevista, tanto Julião quanto Donizete repetiram o discurso de que 2026 deve marcar a consolidação do projeto de governo do Coronel Fábio. Com orçamento próprio, licitações em curso e compromissos assumidos publicamente, a base aliada aposta em entregas em áreas como asfalto, iluminação, tecnologia, zeladoria e transporte.
Para o prefeito em exercício, o desafio é transformar promessa em obra visível. “A cidade é grande, mais de 500 mil habitantes, uma metrópole. Mas com o orçamento adequado e o apoio da Câmara, Rio Preto vai entrar nos trilhos”, disse, em tom de recado ao eleitorado que acompanhará, nos próximos meses, se as expectativas lançadas no estúdio do podcast se confirmam nas ruas da cidade.
