
A Justiça de São José do Rio Preto condenou seis pessoas pelo furto milionário ocorrido em maio de 2022 na Joalheria Cristovam, localizada na região da Redentora. O grupo foi responsabilizado pela subtração de 175 peças avaliadas em R$ 1,55 milhão, após invadir o local durante a madrugada utilizando escalada e rompimento de obstáculos. Nenhum dos itens foi recuperado.
A sentença, assinada pelo juiz Vinícius Nunes Abbud, da 1ª Vara Criminal, descreve o caso como “uma ação planejada, meticulosa e executada com conhecimento técnico”, rejeitando os pedidos de absolvição das defesas. Segundo o magistrado, os réus agiram de forma coordenada, demonstrando “destreza e sofisticação incomuns em crimes patrimoniais”.
De acordo com a decisão, os criminosos agiram entre a meia-noite e as cinco da manhã do dia 14 de maio de 2022. Eles escalaram o muro e o telhado da loja, entraram por uma sacada e arrombaram portas internas e o cofre. O laudo pericial apontou que o grupo retirou fios e tomadas para tentar desativar alarmes e câmeras.
Imagens de segurança e registros de celulares colocaram Edivan Evangelista de Araújo, Élio Bueno Junior, Gelson Sadan Moreira da Luz, Rosângela Alves Chagas, Mayara Aparecida Gonçalves Gimenez e Fábio Luiz Lazari de Oliveira na cena do crime. Um sétimo investigado, Arthur Ortega Arsa, também apontado como participante, morreu antes da sentença, levando à extinção de sua punibilidade.
A investigação da DEIC de São José do Rio Preto revelou que o grupo utilizou dois veículos alugados — uma Fiat Toro e um Chevrolet Onix – para transportar as joias. As locações foram feitas por Rosângela e Gelson, a pedido de outros integrantes da quadrilha. Mensagens e ligações telefônicas reforçaram o vínculo entre os acusados.
Uma testemunha relatou ter ouvido Arthur confessar o crime em um bar, e uma busca em sua residência resultou na apreensão de R$ 4 mil em espécie e munições calibre .22, reforçando a conexão entre os envolvidos.
As condenações
O juiz fixou penas proporcionais ao envolvimento de cada um:
Edivan Evangelista de Araújo, Élio Bueno Junior, Gelson Sadan Moreira da Luz e Fábio Luiz Lazari de Oliveira foram condenados a 3 anos e 6 meses de prisão em regime fechado, além de 17 dias-multa.
Rosângela Alves Chagas e Mayara Aparecida Gonçalves Gimenez receberam a mesma pena, mas em regime inicial semiaberto, com direito de recorrer em liberdade.
Arthur Ortega Arsa teve o processo extinto devido ao falecimento antes da sentença.
Segundo o juiz, o crime causou prejuízo expressivo e irreversível ao comerciante Valdir Willians Cristovam, dono da joalheria. “Nenhuma das peças foi recuperada”, destacou o magistrado.
“Crime com estrutura e frieza”
Na decisão, Abbud classificou a ação como “uma empreitada criminosa complexa e premeditada”, com uso de tecnologia e divisão de tarefas.
“Toda a ação denotou exímia destreza, além de considerável conhecimento técnico”, escreveu o juiz, ao justificar o regime fechado e a impossibilidade de substituição da pena por medidas alternativas.
O caso encerra um dos maiores furtos já registrados em estabelecimentos de luxo de São José do Rio Preto, com todos os principais acusados agora condenados – e nenhuma das joias, até hoje, localizada.
Atualizada às 19h45
