
O Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (FIT Rio Preto) realiza, de 16 a 25 de julho, sua 57ª edição e a 24ª em formato internacional. Com programação totalmente gratuita, o evento reúne 33 espetáculos de companhias de oito Estados brasileiros e de três países – Palestina, México e Chile -, consolidando-se como um dos principais encontros das artes cênicas no país.
A edição de 2026 marca a retomada da realização conjunta entre a Prefeitura de São José do Rio Preto, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, e o Sesc São Paulo, parceria que amplia a estrutura do festival e reforça sua proposta de circulação artística e acesso à produção teatral nacional e internacional.
Distribuída por 22 espaços da cidade, a programação contempla apresentações em teatros, praças, bairros e equipamentos públicos. Entre os grupos confirmados estão Grupo Galpão (MG), Cia. Mungunzá de Teatro (SP), Giramundo Teatro de Bonecos (MG), Grupo Sobrevento (SP), Coletivo Negro (SP), Coletivo Gompa (RS), Cia. Única de Teatro (BA), Trupe Motim de Teatro (CE) e Corpo de Dança do Amazonas (AM).
Segundo o secretário municipal de Cultura e coordenador-geral do festival, Erick Soares, a proposta desta edição é ampliar a presença do FIT nos espaços públicos e fortalecer ações de acessibilidade. Ao lado do gerente do Sesc Rio Preto, Thiago Freire, ele destaca que o festival busca aproximar diferentes públicos das artes cênicas e ampliar o acesso à produção cultural.
Thiago Freire afirma que a retomada da parceria reafirma o compromisso do Sesc com a formação de público e o incentivo à produção artística, além de transformar a cidade em um espaço de encontro e reflexão por meio do teatro.
Abertura com espetáculo sobre ancestralidade
A abertura oficial será no dia 16 de julho, às 20h, no Anfiteatro da Represa, com o espetáculo {FÉ}STA, do Coletivo Prot{agô}Nistas (SP).
A montagem reúne circo, dança, música ao vivo e performance para abordar nascimento, morte, união e fé sob a perspectiva da ancestralidade negra, utilizando referências às manifestações culturais e religiosas de matriz afro-brasileira.
Curadoria selecionou 33 montagens entre mais de 400 propostas
A equipe curatorial analisou mais de 400 inscrições do Brasil e do exterior antes de definir a programação.
Segundo os curadores, temas como migração, deslocamentos, relações familiares, ancestralidade, identidade e diferentes formas de violência aparecem de forma recorrente nas obras selecionadas. O objetivo, afirmam, foi reunir diferentes linguagens e trajetórias, equilibrando grupos consolidados e novas produções.
Das 33 montagens escolhidas, dez são de grupos de São José do Rio Preto, oito são espetáculos de rua e três são produções internacionais.
Palestina participa pela primeira vez
Pela primeira vez na história do FIT, um espetáculo palestino integra a programação.
Em Khalil Khalil, o artista Khalil Albatran revisita sua história familiar marcada pela morte do irmão durante a Primeira Intifada Palestina. A obra aborda memória, pertencimento e identidade por meio da dança e da música.
Do México, o palhaço Aziz Gual apresenta De Risa en Risa, espetáculo sem falas que utiliza técnicas circenses, música ao vivo e interação direta com o público.
Já a companhia chilena La Llave Maestra leva ao festival El Carnaval de los Animales, montagem inspirada na obra de Camille Saint-Saëns que combina teatro visual, máscaras, sombras e objetos para construir um universo povoado por animais.
Grupo Galpão, Giramundo e produções sobre questões sociais
Entre os destaques nacionais está (Um) Ensaio sobre a Cegueira, adaptação do romance de José Saramago produzida pelo Grupo Galpão, vencedora do Prêmio APCA de Melhor Espetáculo.
O Giramundo apresenta Os Orixás, espetáculo que revisita a mitologia iorubá por meio do teatro de bonecos.
A Cia. Mungunzá leva Cena Ouro – Epide(r)mia, pesquisa cênica construída a partir das experiências vividas na região da Cracolândia, em São Paulo.
Também integram a programação Akoko Lati Wa Ni – Tempo de Ser, da Cia. ÚNICA de Teatro, sobre juventude negra e candomblé; Pai contra Mãe ou Você Está me Ouvindo?, do Coletivo Negro, inspirado no conto de Machado de Assis; Para Mariela, do Grupo Sobrevento, sobre imigração boliviana; e TA | Sobre Ser Grande, do Corpo de Dança do Amazonas, inspirado na cultura do povo Tikuna.
Teatro em miniatura ocupa ruas da cidade
Outro eixo da programação é a segunda edição da Mostra Internacional de Teatro Lambe-Lambe (MIT), que reúne 20 espetáculos apresentados para um espectador por vez.
Participam artistas do Chile, Espanha, Argentina, Bulgária e de diferentes Estados brasileiros, com apresentações em espaços públicos da cidade.
Festival amplia recursos de acessibilidade
A edição de 2026 também reforça as ações de inclusão.
Entre os recursos previstos estão audiodescrição, interpretação em Libras, empréstimo de abafadores de ruído, sessões com adaptações sensoriais e reconhecimento tátil de cenários, figurinos e objetos antes de determinadas apresentações.
A programação inclui ainda Ilíada em Libras – Canto I, espetáculo integralmente apresentado na Língua Brasileira de Sinais.
Cidade recebe atividades além dos espetáculos
Além das apresentações, o festival promove oficinas, palestras, residências artísticas, mesas de discussão e workshops.
O Complexo Swift será novamente o ponto de encontro do Rolê do FIT, espaço voltado à convivência do público, com atrações culturais e praça de alimentação.
Os ingressos para os espetáculos em espaços fechados começam a ser distribuídos gratuitamente no dia 8 de julho, por meio do aplicativo Credencial Sesc SP e do site oficial do Sesc. Já as apresentações em praças, bairros e espaços abertos terão acesso livre, sujeito apenas à capacidade de cada local.
