Ex-gerentes lideram esquema milionário de fraude bancária em Rio Preto, diz Polícia Civil

Rodrigo Lima

A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação “Espelho Quebrado”, que mira uma organização criminosa suspeita de estruturar um esquema sofisticado de fraude bancária em São José do Rio Preto e região. Segundo a investigação, o grupo era liderado por ex-gerentes de uma instituição financeira, que utilizavam conhecimento técnico e acesso privilegiado para viabilizar operações ilegais.

Em entrevista, o delegado Renato Camacho, da DEIC/DEINTER 5, afirmou que o diferencial da quadrilha estava justamente na capacidade de simular operações legítimas dentro do sistema financeiro. “São pessoas com experiência no setor bancário, que sabiam exatamente como funcionam os mecanismos de controle e, por isso, conseguiam dar aparência de legalidade às fraudes”, disse.

De acordo com a Polícia Civil, o grupo criava empresas de fachada para abrir contas bancárias e emitir duplicatas simuladas. Esses documentos eram utilizados para obter crédito de forma fraudulenta, gerando lucros ilícitos que, posteriormente, eram reinseridos na economia por meio de investimentos em negócios próprios.

As irregularidades foram inicialmente identificadas por uma auditoria interna da instituição financeira. Após a detecção, os investigados se desligaram dos cargos e passaram a movimentar os valores obtidos de forma a ocultar a origem ilícita dos recursos, prática que também é alvo das apurações.

Durante a operação, conduzida pela 3ª Equipe da 1ª DIG com apoio do SECCOLD e do GOE (Grupo de Operações Especiais), foram cumpridos sete mandados judiciais, incluindo três prisões temporárias. Os policiais também apreenderam veículos, relógios de alto valor, dinheiro em espécie e armas de grosso calibre, entre elas um fuzil T4 e uma pistola calibre 9mm.

Segundo Camacho, o prejuízo já identificado ultrapassa R$ 3 milhões, mas a cifra pode aumentar à medida que novas movimentações financeiras forem rastreadas. “Ainda estamos na fase de aprofundamento das diligências. Existe a possibilidade de outros envolvidos e de valores superiores aos já apurados”, afirmou.

A Polícia Civil continua as investigações com foco na identificação de novos integrantes da organização e na recuperação de ativos. A apuração inclui análise financeira detalhada e cooperação com instituições bancárias para rastrear a circulação dos recursos desviados.

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