Em meio a investigações do STF, Bolsonaro reúne apoiadores na Paulista por anistia e críticas ao Judiciário

Rodrigo Lima
Bolsonaro recebeu aliados em manifestação em São Paulo; entre eles o deputado estadual Danilo Campetti/imagem – divulgação

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a mobilizar apoiadores na Avenida Paulista neste domingo, 29, em ato que mirou principalmente o Supremo Tribunal Federal (STF) e a tentativa de aprovar uma anistia a envolvidos nos atos golpistas de 2023. Com público menor que o registrado em abril, quando a Polícia Militar contabilizou cerca de 45 mil participantes, a manifestação teve concentração diante do Masp e discursos contra ministros do Supremo, além de bandeiras de Israel e dos Estados Unidos entre os símbolos exibidos.

A mobilização foi articulada pelo pastor Silas Malafaia, que apresentou a convocação como uma defesa da “justiça e da liberdade”. O slogan do evento – “Justiça já!” – foi apontado por organizadores como propositalmente amplo, para agregar diferentes pautas e alas da direita. Cada orador, segundo Malafaia, ficou livre para escolher seu tema.

Em cartazes e faixas, chamavam atenção slogans como “Democracia só com contagem pública dos votos”, críticas ao sistema eletrônico de votação e homenagens conjuntas a Donald Trump e Bolsonaro. Algumas peças faziam referência direta ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, com mensagens de apoio e agradecimentos ao ex-presidente norte-americano.

O tom geral do ato misturava cobranças ao STF, em especial ao ministro Alexandre de Moraes, e apelos para que o Congresso não abandone o projeto de lei que prevê anistia a condenados por participação nos ataques de 8 de janeiro. Apesar da pressão pública, há ceticismo crescente no próprio PL sobre a viabilidade da proposta.

O líder da sigla na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), defendeu, em entrevista, que o movimento busca “cessar a perseguição contra parlamentares conservadores” e que Bolsonaro “não pode ser tratado como inimigo público”. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também compareceu, tentou amenizar a repercussão de declarações que concedeu recentemente ao jornal Folha de S.Paulo, nas quais mencionou a hipótese de “uso da força” para garantir eventuais indultos. “Foi uma análise de cenário, não uma defesa pessoal”, ponderou.

No palanque, autoridades municipais também marcaram presença. O vice-prefeito da capital, coronel Ricardo de Mello Araújo, falou em nome do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que viaja a Roma. Ele minimizou os atos de 8 de janeiro, dizendo que “não houve golpe, e sim depredação”. O vice-prefeito também afirmou que seu desejo é ver Bolsonaro candidato ao Planalto em 2026, com Tarcísio de Freitas disputando a reeleição em São Paulo.

A manifestação ocorre num momento delicado para Bolsonaro, réu em processos no Supremo Tribunal Federal relacionados ao suposto planejamento de um golpe de Estado. Em depoimento recente à Polícia Federal, o ex-presidente confirmou que apresentou uma minuta de decreto ao ex-comandante do Exército, general Freire Gomes, mas negou ter tramado uma ruptura institucional. Também admitiu que recebeu propostas para decretar estado de sítio após a derrota eleitoral de 2022.

Embora o público reunido neste domingo tenha sido menor que em atos anteriores, o movimento reforçou a tentativa de Bolsonaro e seus aliados de manter a base mobilizada em torno de pautas contra o Judiciário e em defesa dos acusados pelos ataques à sede dos Três Poderes, em Brasília.

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