
A Igreja Católica oficializou nesta quarta-feira (9) a criação da Arquidiocese de São José do Rio Preto (SP), em missa solene realizada na Catedral de São José. A celebração histórica marca a leitura pública do decreto emitido pelo Vaticano e assinado por Leão XIV, tornando Rio Preto a primeira arquidiocese do mundo criada pelo novo papa, eleito em maio deste ano.
O evento, que reuniu aproximadamente 800 fiéis no interior do templo e outros tantos do lado de fora, foi prestigiado por lideranças eclesiásticas de peso, como os cardeais Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, e Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro e ex-bispo de Rio Preto. Também esteve presente o arcebispo de Uberaba (MG), Dom Paulo Mendes Peixoto, outro ex-bispo da cidade.

Além dos religiosos, a celebração contou com a presença de autoridades políticas da região e do estado. Os deputados estaduais Valdomiro Lopes (PSB), Itamar Borges (MDB) e Danilo Campeti (Republicanos) acompanharam a solenidade. Campeti se sentou ao lado do vice-prefeito de Rio Preto, Fábio Marcondes, e do prefeito Coronel Fábio Candido, ambos do PL. O ex-prefeito Edinho Araújo (MDB), que governou o município por dois mandatos, também participou da missa e foi cumprimentado por fiéis e religiosos.

Durante a celebração, Dom Antônio Emidio Vilar tomou posse como o primeiro arcebispo metropolitano da nova arquidiocese. Ele classificou o momento como “um chamado ao serviço, não um prêmio”, e destacou a importância da união pastoral entre as novas dioceses sufragâneas da província: Barretos, Catanduva, Jales e Votuporanga.
“A nossa arquidiocese carrega as digitais de dois papas: Francisco, que iniciou o processo, e Leão XIV, que o concluiu. Isso mostra que, mesmo em tempos de transição, a Igreja segue sua missão”, afirmou Dom Vilar. Ele participou de uma entrevista coletiva antes da celebração ao lado dos cardeais – clique aqui para assistir parte da coletiva acompanhada pelo Diário do Rodrigo Lima.
O evento ainda apresentou os brasões oficiais da arquidiocese e do arcebispo, além da elevação simbólica das imagens dos padroeiros das dioceses integrantes. A Banda do Serviço Social São Judas Tadeu abriu a cerimônia com uma acolhida musical que emocionou os presentes.
Rio Preto em destaque no Vaticano
A escolha de Rio Preto como sede da primeira arquidiocese criada por Leão XIV foi interpretada por membros da Igreja como um gesto simbólico de descentralização e valorização do interior brasileiro. “O papa volta os olhos ao Brasil profundo, ao interior vibrante, onde a fé segue viva e pulsante”, afirmou cardeal Odilo Scherer.
Cardeal Orani, que já foi bispo em Rio Preto, também destacou o momento como “marco de maturidade e reconhecimento”. Já Dom Paulo Peixoto, que comandou a diocese por seis anos, disse que a criação da arquidiocese “reforça a posição de Rio Preto como polo espiritual e organizacional da Igreja”.
Com a elevação, a Catedral de São José passa por obras de modernização. Entre as mudanças está a instalação de uma cruz de 20 metros de altura, visível de vários pontos da cidade. A inauguração do novo símbolo da arquidiocese está prevista para outubro.
Diálogo, missão e comunhão
Dom Vilar reforçou que o novo título traz novas responsabilidades. O arcebispo vai atuar de forma ainda mais fraterna e articulada, respeitando as realidades locais e promovendo ações conjuntas de evangelização e justiça social.
Para os presentes, o clima era de emoção e orgulho. Coronel Fábio vivenciou momento histórico como chege do Executivo quando foi escrita uma página importante na história da Igreja no município.
Ao final da missa, Dom Vilar pediu orações por Leão XIV e convocou os fiéis a renovarem o compromisso com os mais pobres. “Somos chamados a servir, não a sermos servidos. A cruz de Cristo é nossa luz, e ela se ergue agora também sobre esta cidade.”
