Campetti propõe fornecimento gratuito de medicamento contra obesidade grave pelo SUS

Rodrigo Lima
Deputado Danilo Campetti na tribuna da Alesp/imagem – divulgação

Um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo propõe a criação de um programa estadual para prevenção, controle e tratamento da obesidade grave, com a possibilidade de fornecimento gratuito de medicamentos à base de tirzepatida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado.

A proposta foi protocolada pelo deputado estadual Danilo Campetti (Republicanos) e busca estruturar uma política pública voltada especialmente a pacientes diagnosticados com obesidade grau III, considerada a forma mais severa da doença.

Segundo o texto, o objetivo é ampliar o acesso ao tratamento clínico da obesidade, estimular hábitos de vida mais saudáveis e reduzir a incidência de doenças associadas, como diabetes e problemas cardiovasculares.

Programa estadual

A proposta institui o Programa Estadual de Prevenção, Controle e Tratamento da Obesidade Grave, que deverá funcionar dentro da rede pública de saúde paulista.

Entre os objetivos do programa estão:

reduzir a prevalência da obesidade grave no Estado;

integrar ações de prevenção, diagnóstico e tratamento;

ampliar o acesso a terapias medicamentosas modernas;

incentivar hábitos alimentares saudáveis e prática de atividade física;

apoiar municípios na criação de programas estruturados de emagrecimento.

O projeto também prevê que o governo estadual possa apoiar financeiramente municípios interessados em implementar programas de tratamento, inclusive para aquisição de medicamentos.

Uso do medicamento

Um dos pontos centrais da proposta é a possibilidade de disponibilização de medicamentos à base de tirzepatida, substância utilizada em terapias modernas para controle de peso e tratamento do diabetes tipo 2.

De acordo com o texto, a prescrição deverá obedecer critérios clínicos rigorosos, incluindo diagnóstico confirmado de obesidade grave, avaliação médica especializada e acompanhamento multiprofissional do paciente.

A continuidade do tratamento também dependerá da resposta clínica e da adesão do paciente ao acompanhamento de saúde.

Pelo projeto, os medicamentos deverão ser ministrados em unidades públicas de saúde, com supervisão profissional e registro em prontuário, sendo vedada a aplicação domiciliar.

Equipes multiprofissionais

A proposta estabelece que o tratamento da obesidade deverá envolver abordagem integral, com acompanhamento de diferentes profissionais de saúde.

Entre eles, médicos, nutricionistas, psicólogos e educadores físicos, dentro de programas estruturados pelos municípios. O texto também autoriza convênios com instituições privadas para ampliar a capacidade de atendimento.

Crescimento da obesidade

Na justificativa da proposta, Campetti afirma que a obesidade se tornou um dos principais desafios de saúde pública no Brasil, com impacto direto nos gastos do SUS e na qualidade de vida da população.

Dados de vigilância epidemiológica indicam crescimento consistente do excesso de peso entre adultos. Em levantamentos citados no projeto, cerca de 59,6% dos adultos na cidade de São Paulo apresentam excesso de peso, enquanto 23,6% já se enquadram em quadro de obesidade.

Informações do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) também apontam que mais de 70% dos adultos acompanhados na atenção primária apresentam excesso de peso, evidenciando a magnitude do problema.

Impacto no sistema de saúde

A obesidade grave está associada ao aumento do risco de doenças crônicas como:

diabetes tipo 2

hipertensão arterial

doenças cardiovasculares

apneia do sono

alguns tipos de câncer

Segundo a justificativa do projeto, essas condições ampliam a demanda por procedimentos complexos, como cirurgias bariátricas, internações e tratamentos de alto custo.

Para o deputado, programas estruturados de emagrecimento e tratamento clínico poderiam reduzir complicações, evitar hospitalizações e diminuir gastos do sistema público de saúde no longo prazo.

Tramitação

O projeto começa agora a tramitar nas comissões da Assembleia Legislativa. Caso seja aprovado pelos deputados e sancionado pelo governo estadual, o programa deverá ser implementado em parceria com os municípios, que poderão apresentar planos de trabalho à Secretaria Estadual da Saúde.

A proposta ainda não tem data para votação em plenário.

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