Aos 174 anos, Rio Preto consolida papel de polo econômico e regional do interior paulista

Rodrigo Lima
Cidade de Rio Preto completa 174 anos em pleno desenvolvimento em disersos setores/imagem – Rodrigo Lima 6/03/2026

São José do Rio Preto completa 174 anos nesta quinta-feira (19) consolidada como um dos principais centros econômicos do interior de São Paulo. Fundada em 19 de março de 1852, a cidade entrou no século 21 deixando de ser apenas uma referência regional de comércio para se afirmar como polo de serviços, saúde, logística, ensino e negócios, com influência que ultrapassa o Noroeste Paulista e alcança municípios de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul.

Os números ajudam a dimensionar esse peso. A população estimada de Rio Preto chegou a 504.166 habitantes em 2025, e o PIB per capita do município foi de R$ 54.934,44 em 2023, segundo o IBGE. No campo do desenvolvimento social, a cidade apareceu em 2025 como a 8ª mais desenvolvida do país e a 4ª do estado no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, resultado que reforça a combinação entre dinamismo econômico e melhora de indicadores urbanos.

A trajetória de crescimento tem um marco histórico conhecido: a chegada da Estrada de Ferro Araraquarense, em 1912. O avanço dos trilhos transformou Rio Preto em centro de concentração e distribuição de mercadorias, acelerou o escoamento da produção agrícola e abriu espaço para as primeiras atividades industriais ligadas ao beneficiamento rural. Essa leitura aparece tanto em documentos oficiais da Prefeitura quanto em artigo publicado pelo Diário da Região neste aniversário de 174 anos.

Hoje, a economia rio-pretense continua girando sobretudo em torno dos serviços. Documento oficial da Prefeitura resume que a base econômica do município está “na prestação de serviços e comércio”, com menor participação relativa da indústria. Os dados de movimentação do mercado de trabalho em 2024 seguem essa lógica: foram 80.989 admissões e 76.680 desligamentos, com saldo positivo de 4.309 vagas. O setor de serviços respondeu por 35.219 admissões e saldo de 2.460 postos; o comércio teve 25.864 admissões e saldo de 528; e a agropecuária, 409 admissões e saldo de 40.

Essa vocação terciária aparece também na capacidade de Rio Preto de transformar eventos em receita. Em 2025, o Carnaval movimentou R$ 215,9 milhões na economia local, puxado por bares, restaurantes, hotéis, comércio e grandes eventos. Para 2026, a estimativa da prefeitura, divulgada pelo Diário da Região, subiu para R$ 287,5 milhões, alta de 33,1%. Mais do que a festa em si, o dado ilustra a musculatura de uma economia urbana apoiada em turismo de eventos, hospedagem, alimentação e mobilidade.

Mas reduzir Rio Preto a comércio e serviços seria incompleto. No recorte da Região Administrativa de São José do Rio Preto, o governo paulista aponta uma estrutura produtiva integrada entre agropecuária e indústria. O mapa econômico da Desenvolve SP destaca produção expressiva de cana-de-açúcar, carne bovina e laranja, além de segmentos industriais como alimentos, biocombustíveis, móveis, produtos de metal, borracha, material de transporte e têxtil. A região também é descrita como a maior produtora de látex do estado, condição que estimulou a cadeia da borracha, e abriga um polo de saúde e farma.

Nessa engrenagem, Rio Preto funciona como cabeça regional. O próprio estudo estadual ressalta que a estrutura de serviços do município-sede atrai demanda de uma ampla área geográfica, inclusive de estados vizinhos. É essa centralidade que ajuda a explicar o peso de hospitais, clínicas, universidades, centros de formação e empresas de apoio corporativo na vida econômica local. No artigo publicado pelo Diário da Região, a diretora do Ciesp Noroeste Paulista afirma que a cidade chega aos 174 anos consolidada como a principal metrópole do Noroeste Paulista.

A indústria, embora menos dominante do que os serviços, segue relevante na estratégia de crescimento. O Diário da Região destaca a formação da regional do Ciesp em 1950, a criação de distritos industriais e a diversificação produtiva como etapas da industrialização local. O texto também aponta investimentos recentes em infraestrutura energética acima de R$ 200 milhões e o fortalecimento do Parque Tecnológico como ativos para atrair novos projetos, em linha com uma agenda de inovação e digitalização.

No comércio exterior, os sinais recentes são de avanço. Segundo a prefeitura, Rio Preto fechou 2025 com crescimento de 31,2% nas exportações. Em outro balanço municipal, o acumulado do primeiro semestre do ano já mostrava alta de 39,5% nas vendas externas. A pauta exportadora ainda é puxada por itens ligados ao processamento agroindustrial, o que revela força competitiva, mas também uma dependência maior de produtos de menor intensidade tecnológica, ponto citado como desafio no mapa econômico do governo paulista.

O desenvolvimento econômico de Rio Preto também se apoia em infraestrutura urbana mais robusta do que a de boa parte das cidades brasileiras. Em 2025, o município apareceu em 4º lugar no Ranking do Saneamento e, segundo a prefeitura, mantém 100% de abastecimento de água no perímetro urbano, com mais de 2.400 km de redes. Em 2023, havia alcançado o 1º lugar nacional no ranking do Instituto Trata Brasil. A oscilação entre os anos não elimina um dado estrutural: o saneamento virou ativo econômico e de qualidade de vida para a cidade.

A centralidade regional se manifesta ainda na mobilidade e na conexão com outros mercados. Em 2025, o Aeroporto de São José do Rio Preto bateu recorde histórico e movimentou mais de 925 mil passageiros, segundo dados divulgados pela Prefeitura e reproduzidos por veículos do setor. Para uma cidade do interior, trata-se de um indicador importante de circulação de pessoas, negócios, pacientes, estudantes e cargas, tudo isso em sintonia com a função de polo regional.

Polo de saúde impulsiona economia

Um dos principais motores econômicos da cidade é o setor de saúde, que transformou Rio Preto em referência nacional. O município abriga um dos maiores complexos hospitalares do país, com destaque para o Hospital de Base, que realiza mais de 1 milhão de procedimentos por ano e atende pacientes de mais de 100 municípios.

A estrutura inclui mais de 2 mil leitos hospitalares, milhares de profissionais da saúde e hospitais públicos e privados de alta complexidade, além de unidades básicas, UPAs e serviços especializados.

Esse ecossistema é reforçado por instituições de ensino e pesquisa, como a Famerp, que contribuem para a formação de profissionais e o desenvolvimento tecnológico na área médica. O resultado é um setor que, além de garantir atendimento à população, movimenta intensamente a economia local, gerando empregos qualificados e atraindo pacientes e investimentos de toda a região.

Mercado imobiliário em expansão

O crescimento econômico e a qualidade de vida têm impulsionado o mercado imobiliário de Rio Preto, que vive um ciclo de valorização e diversificação. A cidade reúne desde empreendimentos de alto padrão, como condomínios fechados, até loteamentos planejados voltados à classe média, ampliando o acesso à moradia.

A localização estratégica – no entroncamento de importantes rodovias como a Washington Luís e a BR-153 – e os investimentos em infraestrutura urbana têm contribuído para atrair investidores e novos moradores.

Empresas do setor imobiliário com atuação nacional têm origem ou forte presença na cidade, refletindo a maturidade do mercado local e o papel de Rio Preto como vetor de expansão urbana na região.

Comemoração com bolo

No aniversário de 174 anos, a celebração pública também serve como vitrine desse protagonismo. A Prefeitura anunciou quatro dias de festa e mais de 40 atrações. No dia 19, às 15 horas, no Recinto de Exposições, a programação oficial inclui show infantil, corte e distribuição do bolo, apresentação de Tony & Kleber, show de Thiago Brado e da banda Morada. O transporte coletivo terá tarifa zero no feriado, numa tentativa de ampliar o acesso popular à comemoração. Serão distribuídos 250 quilos de bolo no recinto.

Ao chegar aos 174 anos, Rio Preto exibe contradições típicas de um centro urbano em expansão, mas chega à data em posição privilegiada no mapa paulista. Tem escala populacional, renda, rede de serviços, influência regional, base agroindustrial no entorno e capacidade de gerar emprego e atrair investimentos. Sua história começou no sertão paulista; seu presente é o de uma cidade que já pensa e opera como capital econômica de uma macrorregião.

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