Dois homens suspeitos de furtar cerca de R$ 300 mil em peças de caminhões morreram após um confronto com dois policiais militares que estavam de folga e à paisana, em São José do Rio Preto. O caso ocorreu depois que um vigilante surpreendeu a invasão de uma empresa instalada às margens da rodovia BR-153 e pediu auxílio aos agentes.
A Polícia Civil abriu investigação para reconstruir toda a sequência dos fatos. As armas utilizadas no confronto e os celulares encontrados com os suspeitos foram apreendidos e passarão por perícia. Até o registro da ocorrência, os dois mortos ainda não haviam sido oficialmente identificados.
Em entrevista, o delegado Victor De Lucca Cabbaz afirmou que os invasores cortaram o portão da empresa para entrar no estabelecimento. O alvo do grupo eram módulos de embreagem e outros componentes mecânicos de caminhões, materiais de alto valor comercial. O prejuízo inicialmente estimado chegava a R$ 300 mil.
Vigia surpreendeu invasores
Segundo a investigação, o vigilante percebeu a ação e surpreendeu os homens ainda durante o furto. Os suspeitos abandonaram a empresa levando peças dentro de mochilas e também nas mãos.
Na fuga, atravessaram a BR-153 e seguiram para uma área de mata localizada do outro lado da rodovia. As peças posteriormente foram encontradas no terreno e recuperadas.
Foi durante essa movimentação que o vigia encontrou um automóvel particular passando pela marginal. Dentro estavam dois policiais militares de folga e vestidos à paisana.
O funcionário pediu ajuda. Segundo o relato apresentado à Polícia Civil, os PMs orientaram o vigilante a acionar o telefone 190 e decidiram entrar na mata para procurar os suspeitos.
Polícia diz que suspeitos atiraram primeiro
De acordo com a versão apresentada pelos policiais, os dois homens foram encontrados durante as buscas na mata. Os agentes afirmaram que se identificaram como policiais e deram ordem para que a dupla parasse.
Ainda segundo o relato, os suspeitos responderam com disparos de arma de fogo.
Os PMs então revidaram. Os dois homens foram baleados e morreram no local. Os policiais disseram à Polícia Civil que efetuaram os disparos para interromper a agressão.
Os primeiros levantamentos da perícia indicaram que foram feitos ao menos cinco ou seis disparos na direção dos policiais. Não há, no material apresentado, registro de que os dois PMs tenham sido feridos.
Quatro armas são apreendidas
A Polícia Civil apreendeu quatro armas relacionadas ao confronto. Duas pertencem aos policiais militares envolvidos na ocorrência. Com os suspeitos foram encontrados dois revólveres calibre 38.
Todo o armamento será submetido a exames periciais. O objetivo é confrontar as armas com os projéteis, estojos e demais vestígios recolhidos no local e estabelecer tecnicamente a sequência dos disparos.
Os celulares encontrados com os suspeitos também foram apreendidos. Como estavam bloqueados, os aparelhos deverão passar por perícia para auxiliar tanto na identificação dos mortos quanto na apuração de eventual participação de outras pessoas.
Polícia procura possível terceiro envolvido
A investigação trabalha ainda com a possibilidade de participação de um terceiro homem no furto.
Segundo informações fornecidas pelos policiais envolvidos na ocorrência, esse suspeito poderia estar aguardando a dupla em outro ponto para dar apoio à fuga e ao transporte das peças retiradas da empresa.
Ele teria conseguido escapar e, até o momento das declarações do delegado, não havia sido localizado. A Polícia Civil ressalta que a participação desse terceiro suspeito ainda precisa ser confirmada pela investigação.
Mortos ainda não haviam sido identificados
Os dois homens mortos estavam sem documentos. Até a entrevista concedida pelo delegado, a polícia ainda trabalhava para estabelecer oficialmente suas identidades.
Além dos procedimentos no Instituto Médico Legal (IML), a análise dos telefones celulares poderá fornecer elementos para identificar os envolvidos e reconstruir seus contatos antes do furto.
O vigilante e os dois policiais militares foram ouvidos pela Polícia Civil. Até aquele momento, eles eram as principais testemunhas conhecidas da sequência de acontecimentos iniciada dentro da empresa.
Caso é investigado pela Polícia Civil
A ocorrência foi registrada inicialmente como furto qualificado, em razão do rompimento do portão e da atuação de mais de uma pessoa, e homicídio decorrente de intervenção policial em legítima defesa.
Essa classificação inicial não encerra a apuração. O inquérito deverá analisar os depoimentos, os exames das quatro armas, os vestígios recolhidos na mata, os celulares apreendidos e os laudos necroscópicos.
Com esses elementos, a Polícia Civil pretende estabelecer a dinâmica exata do confronto, confirmar a origem e a quantidade dos disparos, identificar os dois mortos e verificar se houve participação de um terceiro suspeito no furto.
