O provedor da Santa Casa de Misericórdia de Casa Branca, William Vieira Lemos, defendeu nesta terça-feira (19) o convênio firmado com a Prefeitura de São José do Rio Preto, contrato estimado em R$ 11,9 milhões e que desencadeou uma das maiores crises políticas da atual gestão do prefeito Coronel Fábio Candido (PL).
O acordo, voltado à realização de exames e atendimentos especializados por meio de unidades móveis de saúde, tornou-se alvo de forte pressão política, culminando na saída do então secretário municipal de Saúde, Rubem Bottas, além da abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara de Rio Preto.
A crise provocou desgaste direto ao governo municipal, que passou a enfrentar questionamentos de vereadores da oposição, órgãos de fiscalização e críticas públicas relacionadas à contratação da entidade filantrópica sediada em Casa Branca.
William Vieira Lemos participou de reunião na Câmara Municipal de Casa Branca para responder aos questionamentos envolvendo o contrato. A sessão foi iniciada pelo vice-presidente do Legislativo após a presidente da Casa, vereadora Fabiana Sandoval, informar ausência por motivos de saúde.
Durante sua explanação, o provedor afirmou que a Santa Casa foi injustamente atacada durante a repercussão política do caso e classificou parte das críticas como desinformação.
Segundo ele, o modelo do convênio segue práticas adotadas em diferentes regiões do país por entidades filantrópicas e organizações do terceiro setor que mantêm contratos com administrações públicas para prestação de serviços especializados.
“O que nós fizemos não é diferente do que ocorre em outros municípios e em programas estaduais e federais”, afirmou.
O dirigente hospitalar também disse que a instituição não pretende abrir mão do contrato firmado com Rio Preto.
“Nós não abrimos mão desse convênio”, afirmou.
Durante o discurso, William detalhou a situação financeira herdada pela atual gestão da Santa Casa de Casa Branca. Segundo ele, a instituição acumulava mais de R$ 12 milhões em débitos federais, além de passivos relacionados ao FGTS e problemas envolvendo o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas).
O provedor afirmou que a administração renegociou dívidas, regularizou certidões negativas e recuperou benefícios tributários que gerariam economia anual superior a R$ 3 milhões para a entidade.
William também apresentou investimentos recentes feitos no hospital, entre eles aquisição de mamógrafo, raio-X digital, densitometria óssea e a instalação de um tomógrafo prevista para os próximos dias.
Segundo ele, a Santa Casa ampliou ainda o atendimento de crianças neurodivergentes por meio de novos serviços especializados.
Ao defender o convênio com Rio Preto, o provedor afirmou que a contratação previa cerca de 62 mil exames e utilização de carretas estruturadas para atendimento em regiões com dificuldade de acesso.
O dirigente comparou o modelo a programas federais e estaduais de ampliação de exames especializados.
A repercussão do contrato, no entanto, ultrapassou a discussão técnica e passou a dominar o cenário político de São José do Rio Preto nas últimas semanas.
Além da queda de Rubem Bottas no comando da Secretaria Municipal de Saúde, o caso motivou abertura de sindicância administrativa, atuação da Procuradoria-Geral do Município e intensificação das cobranças da oposição na Câmara.
A CPI instaurada pelos vereadores deve investigar critérios da contratação, legalidade do convênio, execução financeira e eventual responsabilidade de agentes públicos envolvidos no processo.
O caso se transformou em um dos principais focos de desgaste político da gestão Coronel Fábio Cândido em 2026.
