VEJA VÍDEO – Operação ‘Cronos’ mira PCC na região, deixa dois mortos em confronto com o 9º Baep em Votuporanga

Rodrigo Lima
Representantes do Gaeco e Polícia Militar falam sobre operação Cronos na região de Rio Preto/imagem – Rodrigo Lima 18/11/2025

A Operação Cronos, deflagrada na manhã desta terça-feira, 18, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Polícia Militar e Polícia Penal, cumpriu mandados contra suspeitos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em cidades do noroeste paulista e em unidades prisionais. A ação teve dois mortos em confronto com o 9º Baep em Votuporanga, nove presos e um alvo ainda foragido.

Foram expedidos 11 mandados de prisão temporária e 19 de busca e apreensão em imóveis nas cidades de São José do Rio Preto, Catanduva, Votuporanga, Santa Albertina e Paranapuã. Sete mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em celas das penitenciárias de Lavínia, Serra Azul, Casa Branca e no Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Rio Preto.

Segundo o Ministério Público, os alvos são investigados por organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico e outros crimes, com vínculos diretos com o PCC e atuação tanto nas ruas quanto dentro do sistema prisional.

Confronto e mortos em Votuporanga

Durante o cumprimento dos mandados, dois investigados reagiram à abordagem das equipes do 9º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) de Rio Preto em imóveis de Votuporanga e morreram após confronto armado. Ninguém da polícia ficou ferido.

De acordo com o comando da Polícia Militar, os dois mortos tinham “diversas passagens criminais”, incluindo tráfico, associação para o tráfico e, em um dos casos, homicídio. Ambos eram apontados como faccionados e, segundo as investigações, dedicados ao “progresso” dentro da facção.

Nas casas onde houve resistência, policiais localizaram drogas, dinheiro e duas armas de fogo com numeração suprimida, além de celulares. Em um dos endereços, foram encontrados cerca de R$ 2.500, e no outro, mais de R$ 600.

Drogas, celulares e manuscritos em presídios

Paralelamente às diligências nas ruas, agentes da Polícia Penal cumpriram mandados de busca em celas das penitenciárias de Lavínia 1, Lavínia 3, Serra Azul 3, Casa Branca e do CPP de Rio Preto.

Foram apreendidos entorpecentes, manuscritos, papéis de contabilidade do crime e celulares, usados, segundo o Gaeco, para coordenar o tráfico fora dos muros do sistema prisional.

Em um dos casos, um detento do CPP de Rio Preto, já com “vastos antecedentes criminais”, foi flagrado com celular, drogas e anotações dentro da cela. De acordo com os investigadores, ele dialogava com a companheira e outros comparsas em liberdade para organizar a venda de drogas na região.

O Ministério Público afirmou que os materiais apreendidos dentro das unidades prisionais serão compartilhados com os órgãos de fiscalização do sistema penitenciário e também usados para instaurar procedimentos na execução penal, já que o porte de celular e drogas configura falta grave para o preso.

Mulheres no comando do tráfico

Promotores e policiais também chamaram a atenção para o aumento da participação de mulheres nas engrenagens do crime organizado na região. Segundo o Gaeco, a investigação identificou o papel das chamadas “cunhadas” – companheiras de faccionados que ficam em liberdade e assumem funções de gestão do tráfico e da contabilidade da facção.

Uma mulher foi presa em flagrante por tráfico de drogas em São José do Rio Preto, a partir das buscas realizadas na Operação Cronos. Ela não tinha mandado de prisão prévio, mas, durante o cumprimento da ordem judicial, foi surpreendida com entorpecentes em situação de flagrante delito.

Nove presos, um foragido e desdobramento de operação anterior

Do total de 11 mandados de prisão temporária, dez foram cumpridos. O Gaeco informou que um alvo segue foragido, mas afirmou que a expectativa é de captura “em breve”. Somadas as prisões temporárias e o flagrante por tráfico, nove pessoas foram presas na ação desta terça-feira.

A Operação Cronos é um desdobramento de outra investigação, a Operação Cosmos, deflagrada em junho na região. A partir da análise de celulares, documentos e manuscritos apreendidos naquela fase, os investigadores conseguiram identificar novos integrantes da organização criminosa, incluindo suspeitos com funções de disciplina interna e de coordenação (“jetic”) da facção.

Segundo o Ministério Público, os alvos desta etapa ocupavam posições consideradas relevantes na hierarquia local do PCC, com atuação na organização do tráfico, cobrança de dívidas e controle de pontos de venda de drogas.

Grande efetivo e atuação integrada

A operação mobilizou 12 promotores de Justiça, 20 servidores do MPSP, 81 policiais militares – entre efetivo do CPI-5, 9º Baep e Força Tática do 16º BPM -, além de três cães farejadores e 18 viaturas.

O comando da PM e representantes do Gaeco destacaram a integração entre Ministério Público, Polícia Militar e Polícia Penal como fator central para a rapidez da investigação e a amplitude dos mandados cumpridos em diferentes cidades e presídios.

A apreensão de drogas, armas, celulares e manuscritos, afirmam os investigadores, deve alimentar novas fases de apuração para identificar outras ramificações da facção na região e esclarecer como armas, entorpecentes e aparelhos eletrônicos conseguiram entrar no sistema prisional.

A Operação Cronos, segundo o Ministério Público, tem como foco desarticular células ativas do PCC no interior paulista, especialmente em cidades médias e pequenas escolhidas por criminosos como áreas de refúgio e menor visibilidade policial.

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