Um embate tomou conta do cenário político e religioso do Brasil nesta semana. O pastor Silas Malafaia proferiu críticas ao deputado federal Marcos Pereira, presidente do partido Republicanos, o que gerou reações contundentes. Diego Polachini, secretário-geral do Republicanos no Estado de São Paulo e chefe de gabinete de Pereira, veio a público para esclarecer a posição do partido e do parlamentar sobre o assunto.
Tudo começou quando Marcos Pereira concedeu uma entrevista à CNN e foi questionado sobre o projeto de anistia dos presos envolvidos nos atos do dia 8 de janeiro. O deputado explicou tecnicamente que, no momento, o projeto não poderia ser votado, pois a anistia pressupõe que haja uma decisão judicial definitiva sobre os casos.
Pereira também mencionou que havia consultado outros parlamentares e percebeu uma tendência favorável à anistia no momento oportuno. Contudo, sua declaração gerou uma reação explosiva por parte de Silas Malafaia, que utilizou suas redes sociais para atacar o deputado, chamando-o de “cretino” e fazendo ameaças em nome de Deus.
Reação do Republicanos
Diego Polachini classificou as falas de Malafaia como “desproporcionais” e “destemperadas”, argumentando que o pastor tem um histórico de ataques agressivos, inclusive contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem já chamou de “líder frouxo”. Para Polachini, a atitude do pastor não condiz com o papel de um líder religioso, que deveria promover a união em vez de criar divisão. “O que Malafaia tem feito é dinamitar as pontes entre as pessoas que podem eventualmente e que deverão eventualmente ajudar nesse processo de pacificação”, afirmou.
Além disso, Polachini ressaltou a importância do Republicanos no Congresso Nacional, afirmando que sem os 45 deputados da legenda seria praticamente impossível aprovar uma anistia. “Mesmo porque, sem o Republicanos, dificilmente uma proposta de anistia vai ser aprovada no Congresso Federal”, destacou. Ele também alertou que, caso o projeto fosse aprovado e vetado pelo presidente Lula, seria necessário um amplo apoio parlamentar para derrubar o veto.
Segundo Polachini, o Republicanos tem um compromisso com a governabilidade e não compactua com discursos inflamados que apenas dificultam o diálogo. Ele enfatizou que Marcos Pereira é um deputado que preza pelo equilíbrio e pela negociação, atuando de forma pragmática para viabilizar soluções concretas no Congresso Nacional. “O Marcos é um deputado de pacificação, que dialoga muito bem com todas as frentes, não é um deputado de gritaria, de baderna, de algazarra de rede social, é um deputado efetivo”, afirmou.
O impacto na direita política e evangélica
O confronto entre Malafaia e Pereira revela fissuras dentro do campo conservador brasileiro. Enquanto uma ala defende uma postura mais pragmática e institucional, outra aposta em discursos mais agressivos e polarizados. Malafaia, conhecido por sua influência entre os evangélicos, tenta se posicionar como uma voz ativa na defesa dos presos do 8 de janeiro, mas sua abordagem tem gerado divisão entre os aliados.
Para Polachini, é um erro tratar a questão da anistia de forma intempestiva e emocional. Ele argumenta que o Republicanos não rejeita a possibilidade de apoiar a medida, mas que é necessário respeitar o processo legislativo e garantir que qualquer iniciativa seja viável dentro do ordenamento jurídico brasileiro. “Ele (Pereira) respondeu tecnicamente a respeito de como enxerga aquilo dentro do rito processual”, explicou.
O chefe de gabinete de Marcos Pereira também ressaltou que a tentativa de desqualificar um aliado estratégico como Pereira não contribui para avançar a pauta conservadora no Congresso. “Sem o Republicanos, dificilmente uma anistia será aprovada”, destacou, enfatizando que a legenda tem um papel fundamental na articulação política.
O Republicanos tem se consolidado como um partido essencial no tabuleiro político brasileiro. Com uma bancada expressiva na Câmara dos Deputados e uma presença relevante no Senado, a legenda desempenha um papel estratégico na construção de consensos e na aprovação de projetos importantes para o país.
Para Polachini, a crítica de Malafaia ignora o trabalho sério que o partido tem feito para fortalecer a base conservadora no Congresso. Ele lembrou que Marcos Pereira tem uma história de defesa dos valores cristãos e da liberdade religiosa, sendo um dos principais interlocutores da bancada evangélica. “O Republicanos faz a sua parte, apoiando as coisas boas que são apresentadas, mas também fazendo a crítica que tem que ser feita”, afirmou.
Além disso, Polachini reforçou que o Republicanos manterá sua postura de independência e responsabilidade institucional, buscando sempre atuar de forma construtiva para o avanço das pautas conservadoras sem recorrer a ataques pessoais ou discursos de confronto.
O impacto local
Trazendo a discussão para Rio Preto, Polachini também comentou sobre a gestão do prefeito Coronel Fábio Candido, destacando que o governo local enfrenta desafios herdados, mas que o Republicanos continua apoiando as boas iniciativas e propondo soluções para os problemas da cidade.
Sobre o cenário político de 2026, ele destacou que as articulações já começaram e que o partido está se preparando para fortalecer sua presença nos municípios paulistas. Ele enfatizou que sua atuação é estadual e que o Republicanos tem trabalhado para garantir recursos e melhorias para diversas cidades. “Estamos trabalhando juntos, próximos aos municípios, para colaborar, para ajudar, para fazer a coisa acontecer”, afirmou.
Polachini mencionou ainda que o partido tem buscado consolidar alianças com outras legendas e lideranças locais, visando uma atuação ainda mais forte nas próximas eleições. Ele destacou a importância de um planejamento político estruturado e da construção de uma base sólida para garantir resultados eleitorais expressivos.
